sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

BATE MEU CORAÇÃO PORQUE TU AMAS


Queixava-se de uma velha angústia, que dizia carregar a século e que sentia transbordar naquele momento. E como se manifestava a tal angústia? Através do medo? Da tristeza? Da dor? Do sentimento de perda?


Ora, se carregava a tal angústia através de século, por que não aprender a conviver com ela? Precisava pedir para endoidar de vez só por que não sabe ser um angustiado lúcido, sem saber como se conduzir na vida?

Por acaso conheces a vida num manicômio? Queres experimentar? Posso te internar. Então ficarás doido de vez. Dormirás doido e acordarás louco, teus sonhos não terão sentido, não serão sonhos, ficarás alheio.
Esta é tua casa, reconheces? Corrias por aqui quando menino e dormias sossegado naquele quarto. Ainda dormes sossegado? Vais me responder: e a angústia deixa? Você não é mais menino são. Quer Ficar doido quando homem? Por quê? Pelo terror da angústia? Estou com peninha de ti.

Ainda crês em alguma coisa? E religião, tens? Ah, tu és esquisito mesmo! Vai lá, diz pra mim o porquê da tua angústia. Não me digas que sofres por amor, se for eu riu de ti, não lembras quando por amor chorei e zombastes de mim por dizer desconhecer tal sentimento? Pois é, parece que o dia veio atrás do outro e teve esta noite para atrapalhar e enquanto clamas por uma loucura eu lúcida estou. Enquanto pedes um “manipanso” para crer, eu creio. Enquanto pedes que o “teu coração de vidro pintado estale” eu peço ao meu: bate coração porque tu amas!

PS: Qualquer semelhança com o poema “Velha Angústia” de Fernando Pessoa, pode considerar este texto um plágio.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

AINDA BEM QUE TUDO NÃO PASSOU DE UM SONHO



Sonhei que era Teseu e que matei um minotauro para conseguir escapar do labirinto em que me encontrava e assim me sentir livre, livre para voar. Tentei, mas as minhas asas de penas juntas com cera, iguais as do vaidoso Ícaro, derreteram pelo calor do sol e me fizeram cair sobre as águas revoltas do mar. No meu sonho não foi possível visualizar quem me retirou das águas. Só sei, que logo me vi num caminho vazio e sem fim e quanto mais andava a lugar nenhum chegava; as horas não passavam, os relógios não tinham ponteiros; os dias da semana resumia-se num só dia, sempre sexta-feira, triste como a da paixão. Sentia que fugia de mim a razão de viver, não havia alegria renovada para a minha alma.


De repente me vi juntando pedaços de mim... E não sabia se viva ou morta estava. E me senti “Solitária na companhia de meu próprio cadáver”... Não, morta não estava, ouvi um cachorro latir e tinha a impressão que tinha perfeita noção do que acontecia ao meu redor. Mas aquele caixão... Eu dentro dele... Aquelas flores murchas... Aqueles ratos... Aquela escuridão... Aquela falta de ar... Aquele cheiro... E os meus óculos? Cadê os meus óculos? Não, não estava viva, estava sem óculos, estava morta. A idéia foi tomando conta de mim e confesso que já estava me acostumando com a minha morte, embora alguma coisa negasse isto. Foi quando o pavor começou a tomar conta de mim... E se me enterrassem viva?


Tentei movimentar os meus membros e não consegui, também não consegui expressar-me e quando estava resignada a morrer por resignação, acordei. Sobre mim, aberto na página 21, Olhos de Cão Azul - “A terceira Renúncia – de Gabriel García Márquez. Ai, dei um sorriso amarelo, limpei o suor que escorria pelo meu rosto, levantei, bebi água, me certifiquei que estava viva de verdade e voltei pra cama. Afinal, estava explicado o sonho.

MAS, QUAL É O TEMA?



Uai! Meu céu está mais para nebulosa difusa do que para brigadeiro. E olha que o panorama visto daqui não é o de cima de um tamborete, mas sim de uma ponte .

Mas, qual é mesmo o tema para a crônica de hoje? Não sendo astrônoma, de nebulosa difusa que não é, como posso falar de uma coisa de tão difícil definição óptica, como diria das galáxias. Sobre brigadeiro, adoro os de chocolate, só não sei a receita. Além do mais, crônica no dizer de Fernando Sabino tem que ser uma coisa simples, amena. Se bem que haja controvérsia a respeito, há quem diga que ninguém tem mais tempo para ler as chamadas amenidades.

Diante do impasse como faço para entreter meu caro leitor, minha cara leitora... quando na realidade o que eu queria mesmo era falar mal do presidente e do seu governo? Pelo jeito tenho que me livrar de meter o bedelho nas questões graves, como essa da economia global, que ocupa a atualidade. Mas de uma coisa eu não abro mão, já que paira ameaça sobre nós, é de ir ali na botica da esquina mandar aviar uma receita composta de uma dose de moderação, duas de prudência e três de verdade, etiquetar e despachar para Brasília para ser entregue à Sua


Excelência, senhor e amo de todas as excelências.
E agora? Sem originalidade e com tanta gente boa aqui no Recanto escrevendo crônicas, como é que fica a minha? Não fica, dirão os entendidos. Acho que só me resta reclamar dos e das coleguinhas feito o escritor alemão Gottfired Keller, que queixava-se de Shakespeare acusando-o de ter aproveitado todos os temas fecundos, antecipando-se, assim, aos escritores que vieram depois dele, e prejudicando-os na própria originalidade. Isto é o que nos conta Carlos Alberto Nunes em “Introdução Geral e Plano da Publicação do Teatro Completo de Shakespeare”. Não é sem razão que a “obra prima” deixada por Keller foi "Romeu e Julieta na Aldeia". (Pelo título percebe-se de onde lhe veio a inspiração).

Ainda pensando nas excelências, e por isso e por mais aquilo, bateu saudade do meu avó Bernardino, pois se vivo fosse, e me visse “mocoronga” depois de uma bela carraspana, olhava pra mim, chamava pra si, apertava o meu braço nada magrinho (era gordinha quando garota) e dizia: aprenda mais esta, citando Suetônio: Vulpes pilium mutat nom mores. “A raposa muda o pêlo, mas os costumes não”.

AO APAGAR DAS LUZES



Havia um Ser. Havia uma canção no ar... Não era o bolero de Ravel, era L’indifferént com Jessye Norman. O Ser não era nenhuma Capitu de olhos de ressaca, obliquo e dissimulado procurando saída para seus sonhos. Nem tampouco nenhum Werther querendo entender o coração humano nem a queixar-se dos homens, que sofreriam menos se não se aplicassem tanto a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se para tornar suportável o presente .


Era apenas um Ser patético, que na sua quase ignorância nas coisas do amor e na sua lerdeza de Quasímodo, agarrava-se a um punhado de palavras escritas, procurando entender o significado delas, pois soavam tão destoantes das que já lhes foram ditas. Aos ouvidos do Ser, todas as palavras machucavam, mas apenas uma mais que as outras e que tanto lhe confundia: louco! Louco! Louco! Por que louco! Por ter amor dentro de si? Por não enxergar a maldade? Por confiar nas pessoas? Por ser tido como bonzinho? Para o Ser, quão difícil estava sendo desviar o olhar daquelas palavras, mas ele sentia que precisava se desligar delas, estavam carregadas de lembranças outras e exigiam dele que fossem sufocados sonhos e bem querer... Ao seu alcance um Caneletto não aberto, não era de vinho que precisava o Ser, ele precisava embriagar-se com aquelas palavras, elas precisavam embotar o seu cérebro, queimar os seus neurônios. Não foi sem dificuldade que o Ser levantou-se. Madrugada já se fora e logo mais a cotovia canta. Ao apagar das luzes, cortinas cerradas, na escuridão do quarto tropeçou em algo, segurou o palavrão e jogou-se por sobre a cama, braços cruzados sob a cabeça virada para um lado, atento ao irritante tic tac do relógio, que foi arremessado contra a parede. Reinando o silêncio, os olhos foram fechados esperando o dia raiar, afinal, um outro dia surgiria e um outro dia é sempre um outro dia...


E o outro dia surgiu , tão calmo e tão sereno, que ao Ser, só coube - observando o quarto em desordem, uma cadeira num canto virada e o sem número de papeis amassados, jogados por todo o ambiente - indagar: VIVI ISTO? SE VIVI, ESQUECI. Cadeira levantada, papeis apanhados e sem mais serem lidos, atirados um a um na cesta do lixo... E com passos firmes e decididos, caminhou o Ser em direção à porta, destrancando-a e saindo para oferecer o seu primeiro sorriso e desejar um bom dia a quem primeiro surgisse à sua frente. E deu bom dia e sorriu para o pequeno jornaleiro.

SOBRE O MEDO



Existem tantas maneiras de sentir medo e muitas vezes ele se manifesta através da angustia, do pavor da inquietação, temor e outras tantas formas inquietantes.
E o que dizer do medo que se passa a sentir de alguém? Há quem afirme que possa parecer um paradoxo, mas quando estamos sentindo medo de alguém, provavelmente este alguém também está com medo de nós. Afinal, somos todos iguais.

Li de Fábio Ferreira Balota, uma descrição sobre o medo, que transcrevo abaixo:
“ O medo é o movimento fantasioso que a mente faz, na tentativa de repelir, de impedir que um acontecimento indesejável do passado ocorra novamente no futuro. Esta repulsão acaba por reforçar a lembrança da dor. É o apego a dor, apego a idéia da dor, da punição, da vergonha, da humilhação. Tal repulsão é o desejo, a expectativa, a ansiedade de que estas coisas não se repitam. Tal repulsão é o desespero para evitar que venhamos a sentir dor , que venhamos a sofrer. É o apego ao pior, ao ruim”.

E acrescenta: “ O medo nasce da comparação entre nossas ações e nossos conceitos, padrões e valores ou das comparações que fazemos entre nós e as outras pessoas o que na realidade também acaba por se remeter a nossos padrões, conceitos, valores, aos nossos julgamentos”.
No meu entender, o mais importante sobre esses conceitos sobre o medo é o que diz: “ O medo embota a mente. Impede-nos de agirmos de forma correta, de forma reta, impede-nos de falarmos diretamente e nos leva à mentira e à falsidade . Com medo não podemos ser retos”

A propósito, antes de se deixar levar pelo medo, é bom nunca esquecer , também, que as lentes dos óculos determinam o modo como você percebe a realidade, segundo Jostein Gaarder. Ainda Gaarder, tudo o que você vê é parte do mundo que esta fora de você mesma; mas o modo como você enxerga tudo isto também é determinado pelas lentes dos óculos e se estas forem vermelhas/escuras, você não pode dizer que o mundo (ou pessoas)é vermelho/escuro ainda que neste momento ele pareça vermelho/escuro. Mas isto são termos comparativos de visão entre racionalistas e empíricos. Disto falarei noutro momento

CRER, FAZER CRER, EIS A QUESTÃO



O meu pensamento está disperso e vadio e nesta condição iniciarei o texto de hoje, se tropeçar nas palavras, paciência, é que também estou me sentindo tal qual Manuel Bandeira quando afirmou: “ Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo”.

E esta coisa pensante que sou, que não sabe o que quer , que em nada crer e que só vive enleada em tantas dúvidas e quanto mais procura instruir-se mais descobre a sua santa ignorância, quer saber de quem sabe se quando não existe a razão de crer, como é que fica a vida?
Alguém soprou no meu ouvido parafraseando o chato do Shakespeare: crer, fazer crer, eis a questão.

Quem me fará crer? Que venha a mim “Fiat Lux” e com ela palavras que dêem prazer aos meus ouvidos, prendendo-me e subjugando-me e que os meus sentidos coloquem-se atrás da razão e não se neguem a acompanhá-la para que eu possa deixar de ser para mim própria esse enigma que sou.
Enquanto luz nenhuma alcanço, fico aqui brigando comigo mesma e tentando me situar entre os filósofos do barril (os cínicos) de Antístenes e os estóicos de Zenão, pois estes acreditavam que todas as pessoas são parte de uma mesma razão universal e que cada pessoa é um mundo universal em miniatura, um “microcosmo”, reflexo do “macrocosmo”. Mas também posso descambar para o lado dos epicurus, filosofia criada por Epicuro, baseada no pensamento de Aristipo, que acreditava que o objetivo da vida seria obter dos sentidos o máximo possível de satisfação. Afirmava também que o prazer era o bem supremo e a dor, o mal supremo. Essa filosofia libertadora resumia-se em “quatro remédios”:

Não precisamos temer os deuses.

Não precisamos nos preocupar com a morte.

É fácil alcançar o bem.

É fácil suportar o que nos amedronta.

E por aqui fico. Eu e o Mundo de Sófia...

PERDIDA NO JARDIM DE CAMINHOS QUE SE BIFURCAM



Hoje amanheci perdida no “Jardim de caminhos que se bifurcam” de propriedade de Jorge Luiz Borges, e não faço a menor questão de ser achada . Por favor, ninguém se dê ao trabalho de chamar o Corpo de Bombeiros. Estou fugindo que nem o snoopy, cansada deste mundinho, de me sentir tautológica, de explicar por formas diversas, a mesma coisa: não sou isso; não fiz isso; não faço isso; quê quê isso; não quero isso; quem fez isso; por que isso; isso, isso, isso; de ser indagada “se em B influem A ou C; em Aproximação a A, pressente ou advinha através de B a remotíssima existência de Z. a quem B não conhece”. Agora, eu indago do leitor/leitora se já leu The Secret Fount (1901) pois, desavergonhadamente, confesso, que puxei o aspeado ai de cima, de lá, com a aquiescência do dono do Jardim.

E nessa minha fuga percorri alamedas, transpus corredores, ouvi conversas estranhas sobre espelhos, considerados monstruosos e tão abomináveis quanto a cópula, porque multiplicam o número de homens. Coisa de louco, ou melhor, pensamento dos heresiarcas de Uqbar, relatado por Bioy Césares. Deixa pra lá, coisas saídas da cachola do escritor Jorge Luiz Borges
Cáspite! Mas esta minha crônica está saindo mais complicada do que o texto da criativa escritora AnaMarques: O Testículo Que Não Queria Sair , que, para comentar, pedi help à autora. Quem quiser fazer um teste de inteligência vá lá na Ana, leia o texto e descubra no final, se é o cachorro ou o testículo quem fala.

E assim, caminhando, cheguei às terras baixas - terras baixas, sim senhor, ta lá escrito, de Tsai Jaldún... Estou cansada, se ao menos encontrasse um meio-fio eu sentaria e jogaria pedras a esmo. Mas, também, serviria a margem de um rio... Quando falei em terras baixas me veio à mente “terras elevadas ” da Ana, (sem sobrenome) personagem de que muito gosto da escritora Marília Paixão e em homenagem a tal personagem, o rio bem que poderia ser o Mandu, ai eu penduraria a minha harpa num ramo de um salgueiro, se nessa margem tivesse, sentaria e choraria... Mas, espere ai, eu choraria por quê ? Por isso? Isso? isso? Ah, tenha paciência, choro nada!

SAUDADE DE UM BEIJO QUE NUNCA DEU



Sinceramente, como pode alguém sentir saudade de um beijo que nunca deu? É do que está se queixando o Nelson Gonçalves de sua amada Maria Betânia, musa da canção que interpreta e que a FM executa no momento. Coisa do amor e este tema não é da minha seara, aqui no Recanto tem quem domine o assunto , com a maestria de fazer inveja a qualquer expert , as escritoras Evelyne Furtado (de sensibilidade à flor da pele), que não me deixa mentir, tamanho o conhecimento de causa e a Marília, que apesar de sua versatilidade e capacidade de abordar vários temas e cujo sobrenome: Paixão, parece autorizá-la, junto com o seu jeito peculiar de sentir e dizer as coisas, tecer considerações que envolvem tal sentimento e que muito agrada a nós leitores.

Contudo, didaticamente, posso até falar sobre o beijo. Duvide não, viu? Veremos como me saio:
Quantos beijos imagina o leitor, que trocamos no decorrer de nossas vidas? No mínimo 24 mil beijos! Com relação a “química”, que envolve o beijo o que acontece com os nossos sentidos? Aciona 29 músculos, acelera o ritmo cardíaco de 60 a 150 batidas por minuto, produz uma forte descarga de adrenalina e fortalece os pulmões.

Como surgiu o ato de beijar na boca? De acordo com alguns cientistas o beijo teria se originado no costume das mães primitivas de passarem a comida triturada em sua boca para a boca de seus bebês – uma forma rústica de fazer a papinha ( só que os tais cientistas não explicaram até hoje, porque o hábito de se unir as bocas teria sido mantido mesmo após essa antiga técnica de alimentação ter desaparecido)

Interessante também, é a descoberta do homem da idade da pedra. Ele acreditava que o sal lhe devolvia as forças nos dias de calor e percebeu que poderia obtê-lo lambendo a pele e também os lábios de seus semelhantes.

Demorou alguns séculos até que a teoria da psicanálise fundamentasse que as pessoas encontram prazer através do beijo, simplesmente porque a boca é uma fonte de excitação, assim como outras partes do corpo, não necessariamente próximas dos órgãos genitais. Só que ainda não houve uma explicação quando e porque o beijo amoroso do casal humano se diferenciou do beijo entendido como sinal de afeto ou de reverência.

E para encurtar esta conversa fica dito por mim, que beijar é um ritual inspirado, solene, apaixonado e gentil e constitui há séculos uma forma de transmitir sentimentos entre dois seres que se amam.
Fonte de pesquisa: Tudo - Livro do Conhecimento – Editora 3 .

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

VOA MINHA LIBERDADE



Já não me sinto Sísifo castigado pelos deuses, rolando pedra acima, vendo-a descer encosta abaixo para erguê-la de novo, onde o esforço representa o nada.

Agora me sinto livre, estou pronta para assumir o poder sobre mim mesma, pelo que represento e por quem represento. E eu represento a minha própria liberdade de expressão. Então, eu me permito pensar e falar, e plagiando Jessé vos digo: “Voa minha liberdade/ no estalo do meu grito/ quero ver teu infinito / neste azul sem dimensão...” Só não me permito sonhos desvairados e nem penar, pois a minha liberdade não está mais na dor.

Assim, mudo eu, a “vida, vidinha, vidona”, mas as portas cerradas permanecem fechadas e o que sobra é a diáspora. Afinal, quem matou a paz foi Raskolnikov e não eu. (verdade, Dorian, que está no céu?)

O pensador católico Alceu do Amoroso Lima, sentenciou quando vivo: “Somos todos patéticos”. Acredito que sim. Olhe eu aqui, repetindo o fraseado de um homem de nome pomposo, Dom José Ortega y Gasset: “Eu sou eu e a minha circunstância e se não a salvo não salvo a mim mesmo” (sem conotação metafísica). Tem quem afirme (Nivaldo Cordeiro), que depois do “Penso logo existo” de Descartes, esta é a síntese filosófica mais perfeita de um pensador.
Provando mais uma vez o quanto admiro os loucos, deixo de Nietzsche o “VI Selo” (Assim Falou Zaratustra):

Se a minha virtude é virtude de bailarino, se muitas vezes pulei entre arroubamentos de ouro e de esmeralda;
Se a minha maldade é uma maldade risonha que se acha em seu centro entre ramadas de rosas e sebes de açucenas, porque no riso se reúne tudo o que é mau, mas santificado e absolvido pela sua própria beatitude;

E se o meu alfa e ômega é tornar leve tudo quanto é pesado, todo o corpo dançarino, todo o espírito ave: e, na verdade, assim é o meu alfa e ômega;
Como não hei de estar anelante pela eternidade, anelante pelo nupcial dos anéis, pelo anel do regresso das coisas (...)

sábado, 29 de novembro de 2008

DO QUE OUVIA E DO QUE LIA



O que ouvia: Prelúdio, introdução Bachianas Brasileiras nº 4 de Heitor Villas Lobo, executada ao piano por Miguel Proença; O que lia: Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam.
A música continua. Pausa na leitura..., quero saber de mim se a senhora “Moria” ( loucura em grego) preocupa-me. Respondo de pronto: Canguru, que numa das línguas australiana significa “Não sei”.

Por que não sei? Porque não se deve qualificar de loucura todo erro de espírito e de senso; porque não se pode taxar de louco alguém de vista curta, que toma burro por jumento; ou por falta de senso crítico entender como ótimo um mau poema; porque alguém confunde o zurro de um burro com uma sinfonia ou porque sendo alguém de origem humilde acredita ser o rei Creso, da Lidia, que foi o homem mais rico da terra, criador da moeda de ouro e que certa vez perguntou para Sólon se não era ele mais feliz dos mortais, o filósofo respondeu-lhe: “ Majestade, vós me pareceis muito rico, tendes um grande reino; reservo-me, porém, para responder à vossa pergunta quando fordes muito feliz”. (aprendi com Erasmo)

Então, como definir a loucura? Se eu uso da semântica no meu discurso de louco, não me acerco da razão de ser? Não falo o que penso?

Não cabe mais em nossa época a visão de Homero, de que o homem não passa de boneco nas mãos dos deuses e que o nosso destino é manipulado ao bel prazer dos “moiras”, levando a certo grau de loucura. Sócrates acreditava nisso e estabeleceu quatro tipos de loucuras: a profética; o oráculo; a loucura amorosa produzida por Afrodite e a loucura poética produzida pelas musas.
Fica com Hegel a palavra final, pois afirmou que a loucura não seria a perda abstrata da razão: "A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente". A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

É HORA DE "ARAR O MAR"



Verdade, o tempo está passando célere e logo, logo tomarei o rumo da minha "ilha da fantasia" , o que muito me deixa feliz porque sinto que já é hora de "arar o mar", limpar a casa, abrir portas e janelas, expulsar fantasmas, deixar a alegria outra vez entrar

Enquanto esse dia não chega, fico cá com esta minha vidinha boa que o papai e a mamãe me deram, não me importando se o santo venerado seja o padrinho padre Cícero do Juazeiro ou Nossa Senhora Aparecida. É tutto cosa nostra ( no bom sentido ).

Mas existe quem reclame da vida e deste mundo e o considere um eterno vale de lágrimas, haja vista, que nem o Filho do Criador escapou quando pôs os pés por aqui .

E qual a opinião dos grandes pensadores que viveram no século passado, tendo a Europa como berço e que foram testemunhas sensíveis das tragédias da época, levando-os a descrer, muitos deles, que este planeta fosse sustentado pelas mãos de um Deus inteligente e benévolo e outros tantos, diante do problema do mal, erguiam "uma interrogação muda às estrelas indiferentes, a indagarem por quanto tempo, ó Deus, e por quê? Seria calamidade universal a vingança de um Deus justo contra uma Idade da Razão e da descrença?


Seria um chamado ao intelectopenitente para que se curvasse diante das antigas virtudes da fé, esperança e caridade? Nisso acreditavam Schlegel, Novalis, Chateubriand, Musset, Southey, Wordswort e Gogol; e eles voltaram-se para a velha fé tal como filhos pródigos contentes de regressarem ao lar.

Mas outros tinham uma resposta mais dura: a de que o caos não era senão o reflexo do caos do Universo; que não havia afinal ordem divina nem nenhuma esperança celestial; que Deus, se é que existia, estava cego e que o Mal proliferava na face da Terra. A este último grupo pertenciam Byron, Heiine, Lermontof, Leopardi e Schopenhauer" ( fonte: A Filosofia de Schopenhauer).

De minha parte, vos digo: não custa nada ter um pouco de fé e esperança em Deus, já que não faz mal a ninguém e que apesar dos pesares, prevaleça em todos nós uma "visão consoladora de uma vida mais ampla, em cuja beleza e justiça final esses males horrorosos que nos assaltam se dissipem."

QUANDO ZÉLIA CHOROU



"Nenhuma moral, nenhumaObediência, nenhuma açãoProduz aquele sentimentoDe potência e liberdade que0 amor engendra".(Nietzsche)

Zélia chorou e não foi por conta de nenhum psicoterapeuta. Não foi D. Yalon que escreveu a sua história, mesclando elementos reais com a ficção. Zélia chorou quando ao ler, que certa vez, já no auge de sua loucura, Nietzsche ao perceber que sua irmã o olhava com lágrimas nos olhos e não compreendendo por que ela chorava, indagou: " Lisbeth, por que estás chorando? Não Somos felizes?".

Chorou Zélia por Nietzsche, ou chorou Zélia por Zélia? Afinal, ela não é feliz também? Tão feliz, que age como os idealistas que, se são expulsos do céu, fazem um ideal do seu inferno? (Nietzsche).

Zélia é conhecedora da obra de Nietzsche? Não , não é. Ela não é nenhum Foucault, Deleuze, Klossowski, Marx ou Freud. E o que Zélia busca em Nietzsche? Uma "máscara". Uma máscara para esconder a vergonha de não tê-la; uma máscara para sufocar sentimentos; uma máscara para através dela observar a vida, as pessoas e aceitá-las como de fato são.

Observar as pessoas, seus sentimentos, o amor. Ah, o amor... L'amour est de tous les sentiments Le plus egoiste, ET, par conséquent, lorsqu'il est blessé Le moins généreux (O amor é o mais egoísta de todos os sentimentos e, consequentemente; quando contrariado é o menos generoso Benjamim Constant)

E aquele que me lê, que tire sua conclusão a respeito do que se segue: "A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência.


Vontade essa que não conhece pausas, e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida; pois, para Nietzsche, a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. Porém as máscaras, segundo ele, tornam a vida mais suportável, ao mesmo tempo em que a deformam, mortificando-a à base de cicuta e, finalmente, ameaçam destruí-la".
PS: Este não é necessariamente o meu pensamento.

VISÃO DE GOVERNANTE



Ouvindo sua excelência o presidente da república, desfilando toda segunda-feira, no seu programa de rádio, os seus portentos, confesso a minha frustração, não com sua excelência, mas pela minha falta de visão de governante, pois sem ela sou incapaz de enxergar o mais cor-de-rosa possível o meu país; a condição favorável de vida de sua gente.


Ver, sentir como é dito, que tudo funciona à contento: saúde, educação, agricultura, reforma agrária, assentamentos, enfim, tudo que diz respeito as metas preestabelecidas pelo então candidato e hoje nosso presidente, em consonância com os reais deveres do Estado.

Quisera eu, transpirando esperança, com uma visão de governo-3D, lançar um olhar atravessado pros pessimistas e com cara de quem já venceu a ignorância, os males da carne, a dor, a fome, a miséria, a angústia do desemprego, a morte e alcançou o atman (o eu) e já se acha em conexão com o mar eterno do ser que flui por trás das aparências ilusórias, proclamar: brava gente brasileira, regozijai-vos, alcançamos o tão sonhado porvir; a Etiópia não é mais aqui! (viu Mônica Mello?)

Infelizmente, a minha visão é de vassalo subserviente com perda parcial da transparência do cristalino. Assim sendo, sem querer ofender, indagaria de sua magnificência, - e ai não vai nenhum desdém, haja vista reconhecer a vossa qualidade de magnificente, não só eu, como o Mundo, que o terá brevemente entre os seus mais destacados líderes – pelos vossos passos e manifesto desejo, corroborado pelas palavras de mim sibila que, para a consagração terrena, só falta aparecer no programa de domingo do Paulo Henrique Amorim na TV do honorável papa/bispo Edir Macedo, senhor e dono da IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.

Mas, como ia dizendo, indagaria de vossa magnificência, se não seria hora de deixar de rodopiar pelos salões ocidentais e orientais, freqüentados por presidentes, príncipes e imperadores e dar uma voltinha pela nossa periferia, só para conferir se de fato as coisas caminham como imagina, antes que seja tarde e não se veja surpreendido pelas mazelas impostas a nós pobres mortais, como aconteceu com um certo rajá de nome Sidarta, filho do rei Suddhodana, que reinava próximo ao Himalaia, na atual fronteira do Nepal, lá pelos idos do século VI a.C. e que tentava isolar o filho do mundo, impedindo-o de ver o sofrimento.


Mesmo assim, Sidarta, deixando a vida faustosa da corte resolveu à revelia do pai, acompanhado de seu escudeiro-cocheiro Xana, verificar o que acontecia além dos muros do palácio. De pronto deparou-se com um velho enrugado, trêmulo, apoiado a uma bengala. "O que é isso?" – perguntou assustado ao cocheiro – É a vida, meu senhor" – respondeu este. E a mesma coisa disse quando Sidarta encontrou um enterro e um doente coberto de chagas.

Dessa forma o rajá conheceu a dor, a morte e o tempo que tudo consome, e se sentido impotente diante do sofrimento que tomava conta de seus súditos, Sidarta abandonou a corte e suas benesses e virou Buda, que o mundo conhece.

Agora, aqui pra nós: saber dos nossos males sabeis, e até deles vossa magnificência provou em priscas eras, mas nem por isso anda macambúzio, vai largar a corte e nem partir para a penitência, pois não?

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE CINEMA



"Os relacionamentos não realizados são sempre mais românticos" ( Maria Helena, personagem vivida por Penélope Cruz).

"Vicky Cristina Barcelona", sob a ótica de Contardo Calligaris, (Folha de S. Paulo),é mais um filme típico de Woody Allen, que trata do relacionamento entre casais e segundo Contardo, descamba para o amor-paixão, que é uma tentação irresistível e um protótipo da vida intensamente vivida. Mostra também que nem sempre os relacionamentos dão certo, mesmo aqueles que parecem certo.


A análise que Contardo faz, - e ai usarei suas próprias palavras - diz respeito aos casais que se amam por "paixão, cujos parceiros parecem ser feitos um para o outro, em regra, acabam tentando se matar -. É porque, se o outro me completa e vice-versa, o risco é que nenhum de nós sobreviva à nossa união -ao menos, não como ente separado e distinto. Mas, por mais que seja ameaçadora, a paixão amorosa é uma tentação irresistível, por uma razão simples: nas narrativas de nossa cultura, ela é o protótipo ideal da experiência plena, da vida intensamente vivida".

É sabido que o amor-paixão não é um sentimento comum entre casais "normais". Normalmente vivemos relações não tão conflituosas. Mas ainda Cotardo, não seria tão mal vivê-la " em geral, nesses casais "normais", ao menos um dos parceiros vive com a sensação de que sua escolha amorosa é resignada, fruto de um comodismo medroso: "O outro não é bem o que eu queria; culpa minha, que não tive a coragem de me arriscar a amar..."

Deixo as considerações finais com Contardo, que nos diz: " como o amor-paixão é um ideal cultural, não é preciso ter atravessado a experiência da paixão para idealizá-la (as más línguas diriam, aliás, que é mais fácil idealizá-la sem tê-la vivido em momento algum). Os que parecem não idealizar o amor-paixão passam o tempo se protegendo contra ele. Deve ser por isto que a "normalidade" amorosa pode ser insuportavelmente chata: porque ela exige a construção esforçada de defesas contra a paixão -argumentos morais e sociais, sempre mais "razoáveis" do que racionais .


Num casal, quem critica a doidice da paixão não parece sábio aos olhos de sua parceira ou de seu parceiro; ao contrário, ele parece, quase sempre, pequeno e um pouco covarde. A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida.. Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.

Por fim fica dito, que o filme do Wood Allen é "triste porque os personagens se apaixonam, vivem sentimentos fortes, mas , no fim, tudo isso não transforma ninguém. Os personagens vão embora iguais ao que elas eram no começo". Ficando provado assim, que o amor e a paixão não nos fazem necessariamente felizes, mas são uma festa e uma alegria porque deles podemos esperar ao menos isto: que eles nos tornem um pouco outros, que eles nos mudem. Agora, nem sempre funciona". Segundo Contardo.

CADA UM QUE SEJA RESPONSÁVEL PELO QUE ESCREVE. ASSIM FALOU O PROFETA



Nem precisei queimar as pestanas debruçada sobre os alfarrábios para saber que o alfabeto – sem as vogais, que foram criadas pelos gregos – foi invenção dos da cidade de Biblos, Na Fenícia. Assim o método de Biblos com a adaptação grega tornou a escrita fácil e espalhou-se rapidamente pelo mundo. Em que pesasse a necessária autorização do governo para o uso de tal alfabeto. Antes de tomarem rumo os textos escritos careciam da fiscalização do Conselho de Serepta.


Havendo quem indagasse se diante da nova invenção Deus desapareceria das palavras. No que respondeu um profeta do Senhor: "Continuará nelas. Mas cada pessoa será responsável diante Dele, por tudo que escrever.

Sei destas coisas porque li " O Monte Cinco", de Paulo Coelho, escriba cujos "manuscritos sagrados" estão espalhados e lidos por cinqüenta e seis países – e note bene – premiado pela Itália, Austrália, Estados Unidos e França. E que já, segundo afirmou, sentou-se à margem do rio Pedra, pendurou a sua harpa no ramo dos salgueiros e chorou. Só não sei se foi por conta do salmo 137, que por "coincidência" diz: " Junto aos rio de Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião". Além de ser responsável diante do Senhor por tudo quanto escreve. Assim falou o profeta.

Também está escrito no livro do mago, que trata da história romanceada do profeta Elias, baseada no Livro I - Reis da Bíblia, que "ninguém pode desejar o amor de Deus, se antes não conheceu o amor humano". Quem afirma isto é um anjo do Senhor ao angustiado Elias, apaixonado que estava pela viúva de Serepta e por conta dessa paixão, o Senhor ordenou a Elias que procurasse a viúva e com ela juntasse os trapinhos e fosse por ela sustentado.


Pela conversa entre o anjo e o profeta, percebe-se que não se trata de amor fraterno, platônico, mas de amor carnal. O que me levou a pensar: e aí como é que ficam os já passados de anos, na condição de donzelos/donzelas, enfim, toda a clerosada diante dos seus votos de castidade? Como é que eles podem desejar o amor de Deus se não conhecem o amor humano (carnal)?

Que responda o mago , foi ele que pôs na boca do anjo dita sentença. Afinal, ele é responsável por tudo o que escreve. Assim falou o profeta.

A OCIOSIDADE NÃO É UMA BOA COMPANHEIRA



Parece-me que a ociosidade não é uma boa companheira. Lucano nos adverte que na ociosidade o espírito se dispersa em mil pensamentos diversos. Acredito que sim; ontem tive uma experiência onde fui envolvida pelo ócio, pelo nada fazer, levando o meu espírito dispersado até à fonte da tristeza e eu fiquei solta ao léu, sem amarras, sem objetivo preciso, só o meu olhar se estendia além da imensidão do mar e eu não me senti em nenhum lugar, mas querendo está em toda parte, na busca de não sei quê, a procura do nada.

Quem também entende sobre o ócio é Montaigne; diz ele, que certa feita resolveu retirar-se para as suas terras, resolvido a não se preocupar com nada. Acreditava que não podia dar maior satisfação a seu espírito senão a ociosidade, para que se concentrasse em si mesmo, à vontade, o que esperava pudesse ocorrer porquanto, com o tempo, adquirir mais peso e maturidade, mas ao contrário do que imaginava, caracolando como um cavalo em liberdade, cria ele cem vezes maiores preocupações do que quando tinha um alvo preciso fora de si mesmo. E engendra tantas quimeras e idéias estranhas, sem ordem nem propósito, que para perceber-lhe melhor a inépcia e o absurdo ia consignando por escrito, na esperança de, com o correr do tempo, lhe infundir vergonha.

E, como Montaigne, ontem no meu momento de ócio, engendrei quimeras, idealizei sonhos, desejei perto de mim ausência sentida e ainda tão amada... Só que nada anotei, pois do que idealizei, sonhei e desejei jamais seria pra mim motivo de vergonha.

QUE FIM MELANCÓLICO...


Que fim melancólico

Para o que se presumia

Ser um grande amor

Nem os meus braços

Encontram forças

Para entender-se

Perde-se no vazio

Parte de um corpo

Cansado

Da minha boca

Já não se ouve um

Por favor me entenda

Fica comigo

Eu só queria compreender

O por quê deste quase inferno quando não mereço


E cá estou

Tão triste

Tão sozinha

Só com as minhas lembranças

E o que restou dela

Doi tanto...

Porque se resume numa

Cabeça sobre um

Colo que não era o meu...

POR MAIS QUE PROCURE ENTENDER






POR MAIS QUE PROCURE ENTENDER

A TUA RAZÃO DE SER

RUINDO SE VÃO AS TENTATIVAS E

INSÓLITA A VIDA SE TORNA

LEVADA POR UMA SENSAÇÃO DE VAZIO

IMPOSTA POR TUA PRESENÇA AUSENTE

A MIM SÓ CABE INDAGAR, IMPORTA SABER DISSO,

AMOR?

DA NECESSIDADE DE ESQUECER



ESQUECER, ESQUECER, ESQUECER, ESQUECER, ESQUECER!
Tem dias que a gente acorda com uma vontade danada de conjugar o verbo ESQUECER em todos os seus tempos e modos; acho que até por necessidade de sobrevivência, pois dizem os entendidos que para continuar vivendo é fundamental esquecer. Os especialistas que estudam e pesquisam o mecanismo da memória concluíram que a vida seria insuportável se nos lembrássemos de tudo que acontece.

Isto posto, se o tempo cobra a necessidade de esquecer fatos ou pessoas, encare, diga adeus - que foi feito pra se dizer - e siga em frente. Afinal, existe tempo pra tudo. " Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo para destruir e para edificar. Tempo para rir e tempo para chorar. Tempo para juntar as pedras e tempo para jogá-las". (Mário M. Porto)

E, salvo engano, o meu tempo é de jogar pedras, contudo, jogar não garanto, mas chutar é comigo mesma.
Sim, mais um acréscimo: para os que acreditam em Deus, a Ele devem agradecer, tem quem diga que esquecer é uma graça divina. E para os que não acreditam, agradeçam aos seus neurônios.

DO MEU PRAGMATISMO INCONSCIENTE



Por Prisco! Deus da Natureza, que alma tão desprovida de caráter bucólico esta minha. Há exata duas horas que encaro daqui de frente da minha janela, um flamboyants, um pinheiro, um cajueiro, dois coqueiros, algumas vacas pastando, galinhas ciscando e cachorros latindo, além de ter percorrido anteriormente, feito um poeta amigo meu, de alma vadia e boa, alguns pontos da cidade em busca dos ipês floridos que segundo ele, cobrem de beleza a visão de quem passa, mesmo assim não consigo extrair de dentro de mim uma palavra sequer, que possa exaltar a Natureza.


E olhe que não sou adepta da filosofia pragmática criada pelo filósofo americano Charles Sanders (1839/1914), cuja tese fundamental é que a idéia que temos de um objeto qualquer nada mais é senão a soma das idéias de todos os efeitos imagináveis atribuídos por nós a este objeto, que possam ter um efeito prático qualquer. Ensina também, que pragmatismo refuta a perspectiva de que o intelecto e os conceitos humanos podem por si só representar adequadamente a realidade.

E eu que só sei dizer que uma rosa é uma rosa é uma rosa invejo Euclides da Cunha descrevendo pés de juazeiros... " sobre o depauperamento geral da vida, em roda eles (juazeiros) agitam as ramagens virentes, alheios às estações, floridos sempre, salpicando o deserto com as flores cor de ouro, álacres, esbatidas no pardo dos restolhos – à maneira de oásis verdejantes e festivos."

Por outro lado, uma vez que falei da filosofia pragmática , estou quase embarcando nela, já que me garante a paz individual sem preocupações com os princípios do certo e errado. Vou pensar nisso...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TUDO PELA NOSSA EQUIPE ECONÔMICA



Ai quantos sobressaltos! Os Estados Unidos espirram lá, estremece aqui. Não agüento mais servir de escora para os pés de barro desse sistema financeiro globalizado.

Em busca de uma luz, se eu acreditasse em pitonisas, diante de ameaças tais, conseqüência da problemática do sobe e desce das Bolsas, eu por amor ao meu país ,correria em busca da solucionática através de uma consultoria junto a um oráculo. Pelo prestígio e credibilidade que nós brasileiros desfrutamos mundo a fora, quem sabe não teria acesso fácil a qualquer um desses oráculos famosos: Apolo em Delfos; Amon na Líbia; Diana em Colchis; Esculápio em Roma; Hércules em Atenas e Vênus em Pafos. Naturalmente, para ser atendida, contaria também, com o prestigio do nosso iluminado e diplomático presidente Lula, cuja fama de grande negociador e estadista já é reconhecida além da Cochinchina.

Acontece, que a minha fé em pitonisas e sibilas é pouca, principalmente quando se sabe o quanto de esperteza, de ambigüidade essas adivinhas escondem. Têm sempre uma resposta forjada para qualquer que seja o resultado. Tenho até um exemplo para citar:

É sabido que antigamente os imperadores, capitães e guerreiros, antes de qualquer cometimento, costumavam consultar os oráculos, as pitonisas e as sibilas sobre o resultado que iriam conseguir e sobre a vontade dos deuses.


Certa vez Alexandre Magno, antes de partir para uma batalha consultou um sibila, que depois da encenação costumeira, disse: “ IRÁS, VOLTARÁS, NUNCA MORRERÁS NAS ARMAS”. Alexandre partiu e voltou vitorioso. Se tivesse morrido, a sibila teria dado às suas palavras a seguinte interpretação apenas com mudança de pontuação: “ IRÁS, VOLTARÁS NUNCA; MORRERÁS NAS ARMAS”.

Encerraria - para o bem de todos e felicidade geral da Nação - com uma conclamação à classe média no sentido de formar uma guarda pretoriana e tomar o rumo de Brasília com a finalidade de servir de escudo pra nossa equipe econômica, protegendo-a contra os espirros do mundo. E, que o nosso grito de guerra seja: “ Com o nosso sangue e nossas almas nós defenderemos HENRIQUE MEIRELLES, GUIDO MANTEGA E PAULO BERNARDO.

EM TEMPO: Quando da marcha, que não seja esquecida a foto do “divino” nem os colchonetes e, se possível, umas garrafinhas de 51 para animar a tropa.

O APELIDO, "TECTON". SABE DE QUEM SE TRATA, ANA RIBAS?



Nada interessante pra fazer... Só me restou ligar o aparelho de TV, e o que vejo? Um cidadão, desses que é presidente de uma associação de bairro e por conseqüência um futuro candidato a vereador, debulhando para o apresentador do programa, um rosário de reclamações, desde a falta de segurança, falta d’água, saneamento e calçamento no bairro que representa.

E pensei cá com o meu ziper... - enquanto ouvia o fundo musical do programa, que dizia: “Olha pra mim / Liga pra mim - e o que eu pensei? Pensei que nem tudo é buganvília. Mas também lembrei da Ana Maria Ribas Bernadelli, isto por conta da falta de calçamento do bairro do cidadão reclamador, pois tenho alguma coisa pra contar da época em que vivia uma determinada figura que a Ana tanto ama.

Muito bem, o cidadão estava reclamando da falta de pavimentação das ruas do seu bairro, pois não? Vê que coisa! Enquanto isso, no ano 30, a cidade de Betânia já tinha as suas ruas pavimentadas com calhaus e por ela transitava o jovem camarada de um metro e oitenta, de cabelos lisos e longos, barba e bigode de uma tonalidade ligeiramente acaramelada, de rosto longo e estreito, próprio da raça caucasiana, de um contagiante senso de humor e acima de tudo feliz, alegre e despreocupado, que sabia rir e fazer galhofas por qualquer coisa, conhecido por aquelas bandas pelo apelido de “tecton” (carpinteiro) e de nome Jesus que, com suas palavras e seus portentos arrastava as multidões e por realizar o milagre de ressuscitar dentre os mortos seu amigo Lázaro que lá residia, agitou a cidade, que foi invadida por uma legião de simpatizantes e seguidores levados pela curiosidade de ver o ressuscitado.

A propósito, Ana, quem me contou esta história foi o Major, personagem saído das páginas de “Operação Cavalo de Tróia” de J.J. Benitez.

A RAZÃO OU A FELICIDADE?



“Exorto-vos a gozar, quantoPuderes, essa vida que é bemPouco, sem temerdes a morteQue nada é” (Voltaire)

Outro dia fui questionada a respeito do que vem a ser felicidade; confesso que não me sai bem na resposta, pois nada é tão difícil quanto à elaboração de uma definição, contudo, sobre tal assunto tenho uma história para contar, cuja moral é a que Voltaire afirma acima.

Conta Voltaire, que nas suas viagens encontrou um velho Brâmane, (sacerdote que oficiava os sacrifícios do Veda) muito sábio, cheio de espírito e erudição, além de rico, o que o fazia ainda mais sábio, nada lhe faltando, por isso não tinha necessidade de enganar a ninguém; e, quando não se divertia, ocupava-se em filosofar. Perto de sua casa, que era bonita, bem ornamentada e cercada de encantadores jardins, morava uma velha hindu, carola, imbecil e muito pobre.

O velho sacerdote dizia-se infeliz; há quarenta anos estudava e considerava esse tempo perdido, ensinava aos outros, e ignorava tudo, o que enchia a sua alma de humilhação e desgosto, tornando a sua vida insuportável. E afirmava:

“ nasci, vivo o tempo e não sei o que é o tempo; acho-me num ponto entre duas eternidades e não tenho a mínima idéia da eternidade. Sou composto de matéria, penso e nunca pude saber porque coisa é produzido o pensamento; ignoro se o meu entendimento é em mim uma simples faculdade, com a de marchar, de digerir e se penso com a minha cabeça como seguro com as minhas mãos. Não só o princípio de meu pensamento me é desconhecido, mas também o princípio dos meus movimentos: não sei porque existo. Imploram-me, “dizei-me como é que o mal inunda toda a terra”. Sinto-me nas mesmas dificuldades que aqueles que fazem tal pergunta: digo-lhe algumas vezes que tudo vai o melhor possível, mas os que sofrem não acreditam nisso, nem eu tampouco. Vou consultar meus companheiros: respondem-me uns que o essencial é gozar a vida e zombar dos homens; outros julgam saber alguma coisa e perdem-se em divagações. Sinto-me às vezes à borda do desespero, quando penso que, após todas as minhas pesquisas, não sei nem para onde vou, nem o que me tornarei.”

O senso, a boa fé, a luz que havia no entendimento, a sensibilidade no coração não impediam o velho Brâmane de ser um grande infeliz.

Prosseguindo na sua narrativa, Voltaire nos fala do encontro com a velha, vizinha do Brâmane, a quem perguntou se alguma vez se afligira por saber como era a sua alma. A pobre velha não entendeu a pergunta: nunca na sua vida refletira um momento sobre um só dos pontos que atormentavam o Brâmane; acredita de todo coração nas metamorfoses de Vishnu e, desde que algumas vezes pudesse conseguir água do Ganges para se lavar, julgava-se a mais feliz das mulheres.

Impressionado com a felicidade daquela pobre criatura, o filósofo trava o seguinte diálogo com o Brâmane:- Não te envergonhas de ser infeliz, quando mora à tua porta uma velha que não pensa em nada e vive contente?- Tens razão – responde o Brâmane; - mil vezes disse comigo que seria feliz se fosse tão tolo como a minha vizinha, no entanto não desejaria tal felicidade.

“Essa resposta me causou mais impressão que tudo o mais – afirma Voltaire – consultei minha consciência e vi que na verdade também não desejaria ser feliz sob a condição de ser imbecil. Expus a questão a filósofos e eles foram da minha opinião. No entanto, dizia eu, há uma terrível contradição nessa maneira de pensar. Pois de que se trata, afinal? De ser feliz. Que importa, pois ter espírito ou ser tolo? Mais ainda: aqueles que estão contentes consigo estão bem certos de estar contentes; mas aqueles que raciocinam não se acham tão certos de bem raciocinar. É claro, dizia eu, que se deveria preferir não ter senso comum, uma vez que este contribui, o mínimo que seja para o nosso mal-estar.


Todos foram de minha opinião e todavia não encontrei ninguém que quisesse aceitar o pacto de se tornar imbecil para andar contente. Donde concluí que, se muito nos importamos com a ventura, mais ainda nos importamos com a razão. Mas refletindo bem, parece uma insensatez preferir a razão à felicidade. Como se explica, pois, tal contradição? Como todas as outras. Aí há muito de que falar.”

Persistindo também, em mim, a dúvida cruel entre a razão expressa por todos os credos e a imbecilidade de Um Capilé Sorriso, só me resta externar os meus agradecimentos a Voltaire, de quem me fiz “parceira”, extraindo de seus escritos (Zadig ou o Destino) a “ História de um Brâmane”.

AS TENTAÇÕES DA ESCRITA



Que fique dito que já existe ensaio de Humberto Ecco tratando sobre o assunto, contudo, como o inventor da escrita é quase sempre representado por um macaco, haja vista o conceito de escrever, como falar, é imitar , cá estou batendo na mesma tecla.

E se falei no inventor da escrita, melhor explicar: segundo Platão tal invenção é atribuída ao deus Toth, que foi repreendido pelo faraó da época por acreditar que o homem depois dessa invenção nunca mais iria conseguir cultivar os próprios pensamentos e a própria interioridade, porque uma vez que fora ensinado a objetivar a própria alma sobre tabuinhas e papiros mandaria às favas a memória e aprenderia a recordar através destes expedientes mesquinhos.

Tudo besteira besta do faraó, sem me alongar muito em exemplos, diria que Platão escreveu e Proust cultivou tanto a memória como a própria interioridade.
Assim, sem ser nenhuma “deusa” não falo por sinédoques e metonímia; sem ser heroína, não falo por metáforas, apenas o linguajar convencional do homem, o tal do “epistolar”, para usar da escrita, que antes passou pelos hierógrifos, pela escrita cuneiforme, suméria, assíria e babilônica, para não falar nas pedras do Código de Hamurabi, para vos dizer, que mesmo tomando conhecimento do “Crátilo”, que é um diálogo de Platão , não sei se a coisa aconteceu assim:” a palavra nasceu naturalmente ou por convenção, e se a conclusão prudente é que talvez, no inicio, os sons imitassem as coisas mas depois este parentesco direto se perdeu, e o que era imagem viva de um objeto tornou-se sinal convencional".

Tudo bem, se desde os primórdios ler sempre foi interpretar, que tal a gente “bater a cabeça” neste sábado pensando sobre o que diz Michel de Montaigne sobre a incoerência de nossas ações: “Os que se dedicam à crítica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar sob uma mesma luz todos os atos dos homens, pois estes se contradizem comumente e a tal ponto que não parecem provir de um mesmo individuo”.

E lembre-se: “o pensamento dos homens assemelham-se na terra aos cambiantes raios de luz com que Júpiter a fecunda”. (palavras de Cícero)

HOJE É DOMINGO




“Mas já que se há de escrever,Que ao menos não se esmaguem

Com palavras as entrelinhas”. (Clarice Lispector)

Hoje é domingo, que pede cachimbo, o cachimbo é de ouro, bateu no besouro, o besouro é valente, bateu no tenente, o tenente é fraco porque ganha pouco e por conseqüência come um tantinho assim.
Pelo visto o meu domingo não passará de um belo dia cujo divertimento maior será o de encangar grilos, já que por esta minha rua não passa sequer um trio elétrico para que eu possa correr atrás.
Nada interessante à vista e a cabeça carecendo ser desanuviada... O certo é que estou desanimada, só não voy a me matar, mas vou lamentar, lamentar porque não nasci em 1303, porque não vou à missa, porque não me chamo Laura e porque não conheci Petrarca, e ai eu estou me referindo ao poeta italiano Francesco Petrarca (1304/1374), que viveu pelo amor e para o amor dedicado a uma única mulher: Laura Novaes, que nunca deu trela para as “cantadas” do apaixonado poeta, pois era uma senhora honesta e bem casada. E que morreu aos vinte anos numa epidemia de peste. Mesmo assim, Petrarca amou-a por mais vinte anos que lhe sobreviveu.
Petrarca dedicou um rosário de poesias à sua amada. Não há registro de que ela as tenha lido, nem tampouco se com isto se importou, haja vista ter o poeta imaginado que, ao ficar velha, Laura pudesse sem receio escutá-lo e lhe fez a poesia, que se segue mas por ser tão rebuscada, prefiro a interpretação da mesma, feita por Jamil Haddad na sua tradução do “Canzoniere” de Petrarca:
“Senhora, se não obstante tanto tormento e tanta angústia, eu puder chegar a idade em que os teus olhos estarão apagados em virtude da velhice, idade em que os teus cabelos de ouro estarão mudados em prata, quando então tiveres deixado de usar os trajes das jovens e quando estiver empalidecida a face que agora mal me dá coragem de lamentar-me, possa chegada esta hora, o amor dar-me energia para dizer-te quais foram os anos, os dias e as horas de meu martírio. E se então a nossa idade provecta for contrária a realização dos doces desejos, permita ao menos que eu obtenha de ti um suspiro de compaixão.”

E já que iniciei este texto com Clarice, com ela encerro: “ Hora do marinheiro partir. – Você compreende, não é, que eu não posso gostar de você a vida inteira”.

TEMAS DIVERSOS



Hélas! Hoje amanheci e fui direto para o pensatório, não para observar pulo de pulga, mas por a mão no queixo e pensar... Mas antes tomei um pouco de café e aí me lembrei da Marília, pois as xícaras da casa são verdes. Depois esqueci a Marília e suas crônicas que falam das xícaras verdes e me lembrei de Denis Diderot, filósofo iluminista (1713/1784), que lá no seu Suplemento a Viagem de Bougainville, disse: “Examinem todas as instituições políticas, civis e religiosas; ou muito me engano ou vocês verão nelas o gênero humano subjugado, a cada século mais submetido ao jugo de um punhado de meliantes”

Foi ai que tirei a mão do queixo e comecei a batucar na pedra e parti para a dialética, que é o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreender a realidade como essencialmente contraditória (alguém já leu Leandro Konder, ele é quem diz essas coisas).

A esta altura acho que está cabendo um... “menos Zélia, menos...” E um... por que não vais se maravilhar com os mistérios do Mundo? Einstein já disse lá pelos idos de 1930, que, quem não conhece esta emoção, quem não possui o dom de se maravilhar, mais valia que estivesse morto, pois seus olhos estão fechados.

O que fazer então? “Recorre a temas diversos / Elabora pensamentos confusos / Procura a clareza em tudo / A certeza indúbia das coisas”. (hei, minha amiga poeta querida Welshe Elda, aonde andas?).
Recorrendo a temas diversos... E a rainha de Sabá, que ninguém até hoje sabe se era rainha ou bruxa? Na tradição judaica existe uma história contada no Targum Sheni, uma tradução fantasiosa e rebuscada do Livro de Ester, onde é narrado o encontro da rainha de Sabá com o rei Salomão. Esta se encontra com o rei numa sala cujo pavimento de vidro a leva a erguer a saia, julgando-se sobre água, revelando assim os pés cobertos de pelo.


Há quem diga que além dos pés cabeludos o resto do corpo também o era. Segundo a lenda muçulmana, para não desposar uma rainha coberta de pelos, Salomão ordenou aos seus gênios que inventasse uma forma de eliminá-los. PS:Não sei dizer se os gênios lograram sucesso com o processo de depilação.

E hás de perguntar: cadê as maravilhas , os mistérios deste mundo de meu Deus? Não seja por isso, eu vos direi: Atlântida; O fabuloso Eldorado; As pedras misteriosas da Europa Ocidental; As estátuas-minires da Córsega; Os segredos de Stonehenge; Os gigantes da Ilha de Páscoa; Teotihuacán; Cidade dos deuses; O império perdido do vale do Indo; As pedras silenciosas de Tiahuanaco; A enigmática mensagem dos Nazcas.

Por hoje é só, vou voltar para pensátorio, pensar no dia de amanhã, porque hoje, amiguinho/amiguinha estou que nem o Belchior : um tango argentino me vai bem melhor que um blues.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PERGUNTAS FEITAS RESPOSTAS DADAS



A mim foi perguntado se já tinha vivido um grande amor, respondi que sim e da minha história foi feito um conto. Discutimos sobre o sentimento amor e lancei um desafio, que desse sentimento fosse falado. Desafio aceito e veio em forma de crônica. E mais uma vez a mim foi perguntado o porquê de determinados preconceitos com relação à mulher, desde quando isto se arrasta e o que eu teria pra dizer sobre o pensamento dos meus “amigos” filósofos iluministas, acreditavam eles que a mulher era um ser inferior...?


Mais uma pergunta feita e mais uma resposta dada. Os meus “amigos” iluministas tinham idéias esquisitas a respeito de nós mulheres, eles acreditavam que nos faltava à razão e pela falta de tal o nosso raciocínio era inferior, assim sendo fomos excluídas da genialidade, contudo, nos foi dado um crédito de confiança no mundo da literatura e das ciências menores. E sabe por que tais ilustres figuras chegaram a esta conclusão?


Basearam-se numa “psicologia natural” e por conta, passaram a nos enxergar como o ser de paixão e imaginação não de conceito. Entre os “iluminados” destaco a figura de Rosseau, cujo pensamento a respeito da mulher é um gracinha. Diz ele, entre outras pérolas: “ O mundo doméstico é o livro das mulheres, e não há qualquer necessidade de qualquer outra leitura”. Mas tem mais: embora reconhecesse que existia na mulher um “tiquinho” de razão - inferior ao do homem, naturalmente - e por isso mais simples e elementar, e que teria de ser empregado pela mulher no cumprimento de seus deveres naturais, que compreendia obedecer ao marido, ser-lhe fiel, cuidar da casa, dos filhos etc.


Ficando dito ainda, que à mulher não cabia a procura da verdade absolutas e especulativas, os estudos filosóficos e matemáticos pois essas coisas não estariam ao alcance do raciocínio da mulher. E dentro dessa inferioridade, como alcançaria a mulher a sua cidadania? Só através de papeis sociais: esposa, mãe, dona de casa.. Nenhuma competência mais e nem atributos lhes restaria E nesse pensar “iluminista”, fica estabelecido que “ o homem é a causa final da mulher. Coisas do século XVIII...

(com os meus agradecimentos a José Roberto, com o qual contei para a elaboração deste texto)

VIVA A BRASILIDADE DE ARIANO SUASSUNA!



Apanhei o quengo de beber água que estava na boca do pote, enchi de garapa e passei pro bucho junto com duas pílulas de rapadura, uma das últimas novidades em matéria de complementação alimentar inventada por um laboratório farmacêutico do Estado de Pernambuco. Em seguida fui até a camarinha em busca de qualquer coisa pra ler, mas o que encontrei foi uma revista de páginas amareladas, danada de velha, que estava em cima do jirau.


Foliei a distinta e tomei o rumo do terreiro pra me sentar num tamborete perto dum pé de bonina ai que me deparei com uma entrevista do escritor Ariano Suassuna. Lida e relida a tal da velha entrevista, só me resta indagar se a esta altura ele já mudou de opinião ou continua como antes, pois vos digo: vixe Maria, esse menino! Mais nacionalista, mais nordestino do que o homem não hai de ter. No dizer de seu Ariano, em se tratando de arte, quase tudo por aqui é de quinta categoria.


Para o mesmo balaio , lá se vão as obras de Tom Jobim, Orlando Silva, o rock, o tropicalismo com Caetano e Gil e qualquer um brasileiro que arrote coca-cola. E vá falar de multinacional perto da ilustre figura verde-amarelo pra ver uma coisa! Não é por nada não, visse?, mas troncha de inveja diante de tanta brasilidade, eu havera de indagar: mestre Suassuna, que má lhe pregunto, vosmecê escova os dentes com dentifrício ou casca de juá? Usa sabonete ou sabão de coco? Faz a barba com gillete ou com peixeira? Passa margarina ou manteiga do sertão no pão francês ou come broa de milho? Permite passar Bombril nas panelas da casa ou são lavadas com areia e esfregão de bucha? Escreve com bic ou pena de pato?


Me adesculpe seu mestre, mas eu quero saber mais: se tudo ou quase tudo MADE IN BRAZIL, é produto de empresas ligadas a grupos multinacionais e vossa xenofobia não lhe permitiu nem ao menos receber, tempos atrás, o prêmio Sharp com o qual foi agraciado, unicamente por conta do nome da empresa, como é que fica, pois, andar de avião, possuir carro, apreciar as novelas de cunho rural no aparelho de TV; usar um relógio de pulso ou de algibeira, dizer um alô ao telefone ET cétera?


Alumbrada com o jeito de ser de seu Suassuna e enquanto cismo, vou enrolando o meu cigarrinho de palha, bebericando dois dedinhos de genebra, procurando sintonizar aqui no meu radinho de pilhas – que está aqui no meu pé de ouvido – a Rádio Rural. Não é possível que por lá não toque o cego Oliveira e a sua rabeca mágica e o locutor não me indique um folheto de cordel, e por fim, não me faça ouvir uma bela embolada ou um galope, apontando ainda um bom programa tipo fandango, João-redondo, ciranda, pastoril, bumba-meu-boi e por ai vai.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MANUELA, MANUELA...


Nasci pobre, em termos de escala social é o que se pode chamar de pauperismo, sem berço. Recebi o nome de Manuela, aguardavam o nascimento de um varão, que se chamaria Manuel e apenas por castigo de ter nascido mulher meu pai me pos o nome de Manuela, incomum entre os nomes do lugar onde nasci e onde ainda nascem tantas outras crianças pobres e se criam apenas para contrariar os princípios de saúde, higiene e nutrição.


Não tive na infância o amor nem tampouco o carinho que uma criança precisa, embora não fosse diferente de nenhuma outra, gostava de brincar, de preferência sozinha, buscando na imaginação um outro mundo cheio de fantasias.


Atingi a adolescência cercada das dificuldades que me viram nascer. Por essa época tinha um gosto acentuado pela leitura; e a leitura comum entre o nosso meio eram os folhetos da literatura de cordel, sempre arranjava um jeito de os comprar na feira aos sábados. Algum tempo depois descobri na cidade onde morava uma biblioteca, passando a ter contato mais direto com os livros, principalmente os romances, que iriam povoar mais ainda a minha imaginação .


Fui criando outra mentalidade, a pequena visão que tinha do mundo alargou-se; descobri outros horizontes, a nossa pobreza, que até então não considerava passou a ser incômoda. Também não via com bons olhos a diferença de classes essa senti na pele aos dez anos de idade quando pretendi participar de uma festa de aniversário. Quis ser criança, igual àquelas que se divertiam num imenso casarão; entrei sem ser convidada, mas o meu vestido remendado e os meus pés descalços denunciaram a minha condição de pobre. Eles eram ricos. Puseram-me para fora do portão.


Tinha consciência das nossas dificuldades financeiras e embora achasse incômoda a pobreza não me revoltada pelos meus vestidos remendados sem pelos meus sapatos rotos. Havia descoberto uma coisa muito minha: a minha imaginação, que a cada dia se tornava mais fértil pelo hábito adquirido da leitura.


Passei a achar o mundo real muito complexo e exigente. As pessoas que nele viviam eram medidas e pesadas pelos valores matérias para depois serem separadas em classe. Senti que não havia lugar para mim nesse mundo. Quixotescamente criei o meu próprio. Fiz com o meu corpo a armadura; da minha rede o meu cavalo; do livro a minha lança; da minha imaginação os caminhos à percorrer.


Fui rainha, fui princesa, tive jóias, castelos e roupas finas. Viajei por terras distantes, por mim lutaram e morreram garbosos príncipes. Sentei-me na primeira fila dos bancos das igrejas e ouvi meu nome ser citado pelas doações generosas.


Os dias iam passando, a monotonia da vida real não me atingia, as aventuras criadas e vividas me enchiam quase todas as horas. O meu comportamento aos poucos foi chamando a atenção dos meus pais Já não levantava da rede, a não ser para as necessidades mais prementes e quando o fazia, meu porte de rainha e as minhas exigências à mesa ao notar a falta de toalha, talhares, taças, guardanapos, muito irritavam a minha mãe. Não tínhamos essas coisas. - "Só podia tá com um encosto" – dizia minha mãe – "ora onde já se viu uma moçona dessa não querer fazer nada! O diabo desses livro tão te deixando abilolada! É bem um esprito que ta te atanazando, tou cum vontade de chamar a comade Marluça pra dá uns passe"


Consultada a comadre Marluce e constatado por ela que realmente eu estava com um "encosto", foram feitos os acertos para uma sessão espírita. Esta realizou-se numa sexta-feira. Por mais concentrada que demonstrasse estar, não conseguiu a comadre Marluce que o "espírito" invocado baixasse. Depois de algumas rezas e benzeduras deu-se por encerrada a sessão.


Como não mostrasse sinais de melhora durante os dias que se seguiram, isto porque continuei entre aos meus devaneios - no que muito contrariavam meus país – estes acharam por bem providenciar, sem mais tardar, um noivo para mim. Um nome foi lembrado: João, o filho do compadre Antônio.


-"Ôxente, por que não me alembrei disso antes! – exclamou minha mãe.

- " Inté que é um bom casamento, João tem emprego seguro, é cabo de polícia" – acrescentou meu pai.


Foi um dia de domingo, previamente combinado, que o João veio até nossa casa; eu havia ganho sapatos e vestido novos, minha rede foi desarmada da sala, a casa foi limpa e arrumada. Também estava entusiasmada com a idéia de um noivo, seria o meu príncipe encantado,adorava homens de farda, cheio de estrelas e condecorações, ele por certo seria alto, forte e valente!


Finalmente chega meu pai e com ele o João. Este ficou parado na soleira da porta. - "entra home! Vai se abancando, tira o boné e fica a vontade e pra começo de conversa vamo tomá uma lapada de cana pra esquentá as idéia' – falou meu pai – e apontando para mim, disse: - "aquela lá é a Manuela".


Olhei fixamente aquele tico de homem , desengonçado dentro de uma farda mal talhada; seu ar era de aprovação, sorria largamente e pude ver debaixo do seu grosso bigode dois solitários caninos. Fechei os olhos com bastante força, já havia criado uma imagem perfeita para o meu João. Aquele homem que estava à minha frente fugia completamente ao esperado! Mas, bem que eu poderia resolver a situação... ele seria como eu queria que fosse! Meus olhos se abriram, só que dessa vez reconheci o meu garboso João, que não era mais cabo e sim capitão. Daí por diante as coisas foram ficando mais confusas na minha mente, vagamente me lembro de minha mãe chorando pelos cantos da casa e o meu pai mais sério.


Num dia qualquer distingui pessoas sempre vestidas de branco que se movimentavam apressadas por um imenso corredor... Depois dessa visão perdi a noção das coisas por completo... por um longo espaço de tempo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DE REPENTE NADA MAIS QUE DE REPENTE


É a tal história: um belo dia você acorda, passa a mão no travesseiro ao lado e descobre que ficou sozinha... Então, de repente, nada mais que de repente, começa a achar a vida uma bela droga e se sente digna de pena, mas por um orgulho besta , se basta com a pena que sente por si própria.


Tem quem fuja dessa situação, varando noites queimando as pestanas tentando devorar um "Crime e Castigo", com suas 652 páginas ou até mais umas 762 dos "Os Miseráveis". E quando o amargou da boca sêca e reclama mel, eis que surge em sua mente uma histórinha que nem esta:


Um belo dia um homem se escondeu num poço para escapar ao furor de um elefante, o pobre diabo ficou suspenso pelas mãos a dois ramos de um arbusto deitado na boca do poço, seus pés tocavam qualquer coisa junto à parede, eram quatro serpentes fazendo emergir suas cabeças. Olhou para o fundo do poço vi um dragão, a goela aberta esperando que a presa caísse.

E então ergueu os olhos para o arbusto e viu dois ratos que roíam os dois ramos sem cessar.


Enquanto ele pensava na situação e considerava o seu caso, viu ao seu lado uma colméia plena. Provou o mel, tão saboroso que se esqueceu do seu drama e cessou de pensar nos meios de escapar aos perigos por que passava. Não pensou nas quatro serpentes que tocavam os pés, esqueceu-se dos dois ratos ocupados em cortar os galhos, parou de pensar que uma vez cortados os galhos, cairia sobre o dragão. Distraído, tranqüilo, absorveu-se no sabor do mel até que caísse na goela do dragão e morresse. Pois é, ainda bem que pra esta noite eu tenho aqui o João Ubaldo Ribeiro com o seu


"Viva o povo brasileiro" e suas 673 páginas...

Fazer o quê...?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

PENSAR NÃO DÓI


Ainda bem que pensar não dói... Mas que eu estou com vontade de, feito a gente de que fala Simon Bolívar, de “arar o mar”, tô, afinal, por esses dias devo receber visitas importantes , que vai me deixar feliz e preciso arrumar a casa,varrer a areia e como já disse: “arar o mar”.


Enquanto as visitas não chegam, penso. Penso aqui nesta minha vidinha boa, não me importando se o santo venerado seja o padrinho padre Cícero do Juazeiro ou Nossa Senhora Aparecida. É tutto cosa nostra. Pouco me importando, também, se o que nos é servido seja leite ou café, será frio do mesmo jeito! Como disse, estava aqui pensando e quando penso dá um “reboliço” na minha cabeça...


Alguém dúvida que este mundo foi sempre um vale de lágrimas? Eu acho que sim, ora nem o Filho do Criador escapou quando pôs os pés por aqui ! Fico imaginando também nos grandes pensadores que viveram no século passado, tendo a Europa como berço e que foram testemunhas sensíveis das tragédias da época, levando-os a descrer, muitos deles, que este planeta fosse sustentado pelas mãos de um Deus inteligente e benévolo e outros tantos, diante do problema do mal, erguiam “uma interrogação muda às estrelas indiferentes, a indagarem por quanto tempo, ó Deus, e por quê?


Seria calamidade universal a vigança de um Deus justo contra uma Idade da Razão e da descrença? Seria um chamado ao intelectopenitente para que se curvasse diante das antigas virtudes da fé, esperança e caridade? Nisso acreditavam Schlegel, Novalis, Chateubriand, Musset, Southey, Wordswort e Gogol; e eles voltaram-se para a velha fé tal como filhos pródigos contentes de regressarem ao lar.


Mas outros tinham uma resposta mais dura: a de que o caos não era senão o reflexo do caos do Universo; que não havia afinal ordem divina nem nenhuma esperança celestial; que Deus, se é que existia, estava cego e que o Mal proliferava na face da Terra. A este último grupo pertenciam Byron, Heiine, Lermontof, Leopardi e Schopenhauer” ( A Filosofia de Schopenhauer).


De minha parte, embora reconhecendo a continuidade da degradação terrestre, não custa nada ter um pouco de fé e esperança em Deus, já que não faz mal a ninguém e que apesar dos pesares, prevaleça em todos nós uma “visão consoladora de uma vida mais ampla, em cuja beleza e justiça final esses males horrorosos que nos assaltam se dissipem.”

"CONFISSÕES" DE PROUST - SEGUNDO MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO


Sugestão aceita, senhora dona escritora MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO e lá vamos nós tentar responder o que o Proust chamava de “confissões” e com as quais questionava os amigos:
QUAL SUA IDÉIA DE FELICIDADE COMPLETA?

Digo o que já foi dito: “Não é felicidade coisa fácil; mui difícil de encontrar-se em nós, impossível de achar-se alhures” ( coisas do senhor Schopenhauer). Mas ela existe sim, na condição de estado de espírito

QUAL A FIGURA HISTÓRICA QUE MAIS SE IDENTIFICA?

O apóstolo Paulo, gosto muito dele, tem uma coisa dita por ele aos Romanos, ligada a “esperança” que costumo pensar, é o seguinte: “ Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como esperará?”.

QUAL A PESSOA QUE MAIS ADMIRA?

Admiro muitas pessoas, principalmente as inteligentes, as cultas, as educadas, as sensíveis, as que sabem respeitar, amar e serem solidárias nos momentos bons e difíceis dos semelhantes.
QUAIS SUAS CARACTERÍSTICAS MAIS MARCANTES?Não saberia apontá-las, sou tão comum...

QUAL SUA CARACTERÍSTICA MAIS DEPLORÁVEL?

Vale dizer que sou um “tantinho” gaga?

QUAL A CARACTERÍSTICA QUE MAIS DEPLORA NOS OUTROS?

É muito relativo essa coisa de avaliar pessoas, posso não gostar de um determinado comportamento de alguém e aí vem outro e nem liga. Assim, tem quem goste de azul e outro de amarelo.

QUAL A SUA MAIOR EXTRAVAGÂNCIA?

Não as cometo, sou tão desligada, sou tão meu mundo que às vezes esqueço que tem vida lá fora e que as pessoas têm desejos de consumo.

QUAL A SUA VIAGEM PREDILETA?

A que não sai do lugar, eu viajo na velocidade da luz através do meu pensamento, num instante posso estar no Rio, Brasília,Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo, Phoenix, Veneza, Áustria, Alemanha, Roma, Itália etc etc.

O QUE LAMENTA NÃO TER FEITO?

Não costumo me lamentar de nada, se não aconteceu paciência, fazer o quê?

QUAL O MAIOR AMOR DE SUA VIDA?

Eu tive e tenho amores na minha vida: amor pela família, pelos amigos e devo ter guardado no peito um amor maior.

ONDE E QUANDO FOI MAIS FELIZ?

O meu estado de espírito sempre me deixa feliz, seja onde for; no presente tenho vivido momentos felizes em que pese as circunstâncias.

QUAL SUA MAIOR REALIZAÇÃO?

Ter casado com o Cláudio e ter tido os filhos maravilhosos que tenho
SE PUDESSE VOLTAR À VIDA COMO OUTRA PESSOA QUE SERIA?ZÉLIA MARIA DE OLIVEIRA FREIRE
QUAL A SUA OCUPAÇÃO PREFERIDA Navegar na internet, conversar com os amigos( adoro), ler e escrever

QUAL A QUALIDADE QUE MAIS ADMIRA EM UM HOMEM? E EM UMA MULHER?

O caráter, a integridade, inteligência, a honestidade, os princípios que norteiam tudo o que foi dito.
O QUE MAIS VALORIZA NOS AMIGOS?

Tudo, os nossos verdadeiros amigos não têm defeitos, são perfeitos, por isso valorizo tudo.

QUAIS SÃO OS SEUS ESCRITORES FAVORITOS?Machado de Assis, Clarice Lispector, Thomas Mann, Gustave Flaubert, Ghoethe, Stendhal, Eça de Queiroz, Victor Hugo, Emile Zola, Camões, Pirandello , Molliere e outros tantos.

QUAL O SEU HERÓI NA VIDA ATUAL ?Todo aquele que ganha menos de um salário mínimo e consegue sobreviver
COMO GOSTARIA DE MORRER

Não gostaria.

QUAL O SEU LEMA?

“Deixo a vida me levar/ vida leva eu”

Missão cumprida, senhora dona escritora MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO E...................PUBLIQUE-SE E INTIME-SE

JA ESTOU PENSANDO EM 2009


2008 – Quantos obstáculos. Vencidos...? Pouco importa. Há consolo. Está escrito no ato IV do “Hernani”, de Victor Hugo, as palavras de sinal dos conjurados: ad augusta per angusta- “ Só se consegue a virtude depois de vencer os obstáculos”. E se 2009 a dose for repetida, que venha pois; mesmo sem ser conjurada, o que vier eu traço, e veja, que eu não almejo nem a virtude.

Enquanto divago, ouço Plácido Domingo interpretando C’est toi?...C’est moi?... de “Carmen” de Bizet, pronta para encarar uma noite insone , sozinha, quando eis que, diante de mim, alguns amigos. Chegaram de mansinho, sem muito alarde. Desceram das prateleiras da estante. O primeiro a quem cumprimento é René Descartes. Dele recebo Discurso do Método; Meditações; Objeções e respostas; As paixões da Alma e Cartas. O pai da filosofia francesa, a mim só disse: Cogito, ergo sum, que Santo Agostinho apressou-se em traduzir: Penso, logo existo.

Recebo de Agostinho as suas Confissões e o De Magistro, acompanhado do lembrete: Ficisti nos ad Te ET inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te – Naturalmente, pedi tradução. Paciente, Agostinho repitiu em bom português: Criastes-nos para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós. Agradeço e me volto para Platão e Xenofonte, que discutiam os últimos combates satíricos de Aristófones dirigidos a Sócrates, que presente e indiferente, passa os olhos nas folhas locais, para em seguida, num gesto que traduz enfaro, jogá-las por sobre o sofá. Com esse gesto, acrescenta: Uma coisa eu sei – é que não sei nada e completou: contudo, só os inteligentes deveriam governar, mas infelizmente os intelectos não são tão numerosos quanto os narizes.

Quando Sócrates terminou o seu pequeno discurso, Maquiavel, que estava atento, não se conteve e lembrou aos presentes um de seus conselhos dado ao Magnífico Lorenzo de Médicis, o que diz: Convém saber que existem duas maneiras de combater pelas leis e pela força. A primeira é própria dos homens; a segunda é própria dos animais (...) Já que um príncipe deve saber utilizar bem a natureza animal, convém que escolha a raposa e o leão; como o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender dos lobos, é necessário ser raposa para conhecer as armadilhas, e leão para meter medo aos lobos.

Voltaire, que dava voltas pela sala, com ar solene sentenciou: Não podem todos os cidadãos ser igualmente generosos, mas todos podem ser igualmente bons. Como? – indagou Schopenhauer – se a vida humana transcorre inteiramente entre o querer e o conquistar.

Noutro canto da sala, surpreendeu-me a conversa entre Benjamim Constant e Nietzsche. O primeiro afirmando: O amor é o mais egoísta de todos os sentimentos e, consequentemente, quando contrariado é o menos generoso. Olhar perdido, Nietzsche retrucou com uma citação francesa: Dans Le varitable amour c’est l’ame qui enveloppe Le corps – No amor verdadeiro é a alma que envolve o corpo.

Alguém que eu não lembro tomou da palavra e disse: Existem apenas três coisas de valor neste mundo: justiça, beleza e verdade, e talvez nenhuma das três possa ser definida. Aí Platão resmungou: uma delas em defino. A “Justiça”, que é o ter e o fazer aquilo que nos cabe.
Quem desceu atrasado foi Montaigne, mesmo assim saiu-se com esta: Todos têm tendências para agravar o pecado de outrem e atenuar o próprio. E não raro até as próprias pessoas encarregadas de os esclarecer os classificam mal. Nada mais disse nem lhe foi perguntado.

Já que estou em tão boas companhias, agora é só retirar da adega um Rouge de France – safra impar ou champanhe Moet & Chandon, aguardar as solenes badaladas da meia noite, fazer de conta que já chegou o fim do ano e levantar o brinde: Feliz 2009 antecipado pra mim, para os amigos, para você meu caro leitor, minha cara leitora!