domingo, 14 de junho de 2009

CONSULTA MARCADA PARA A PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA



Na falta do que fazer eu bem que poderia sair por ai em busca dos últimos mistérios do Mundo...


Mas isso não é mesmo que explorar o passado? E do passado seja do Mundo seja o meu, me parece coisa desinteressante no momento.


Como diz Emmanuelle Hubert, vasculhar o passado é como penetrar num imenso sistema de cavernas dispondo apenas de velas para iluminar o caminho.


Quanto mais profundamente o explorador se aventura nas suas câmaras e na ramificação infinita dos seus túneis, tanto mais se apercebe da escuridão que envolve a sua minúscula auréola de luz.


E nesse pensar vadio, cheguei até Clarisse Lispector, dela lembro “Das Vantagens de ser Bobo”, onde a escritora diz que uma das vantagens de ser bobo é ter boa fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo. Diz mais: o bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas.


Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou pensando, estou pensando” .


O bobo por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo...


Lidas as considerações da Clarice, chego à conclusão que eu sou boba. Gosto de saber disso.


De verdade.Andei lendo La Bruyère sobre a arte de escrever e aprendi que todo o espírito de um autor consiste em bem definir e bem descrever e que nem autores tais como Moisés, Homero, Platão, Horácio etc. não estão acima dos outros escritores senão por suas expressões e suas imagens.


Que é preciso expressar a verdade para escrever com naturalidade, força e delicadeza.Tento fazer isso, tenho o meu estilo- que eu mesma duvido que seja lá tão próprio -, onde me estribo geralmente por força da minha condição, no pensamento de grandes pensadores e daí já não sei quando digo o que penso ou digo o já pensado.


Contudo, estou tentando me desvencilhar das muletas e começar a caminhar com as minhas próprias pernas . Juro como estou tentando, embora o meu fisioterapeuta não demonstre essa fé toda em mim não.


Aqui neste texto mesmo, tentei caminhar só, não deu outra, findei caindo em cima de Emmanuelle Hubert, Clarice Lispector e Bruyère.


Foi quando o Eduardo, meu fisioterapeuta, olhou sério e esticou o braço em minha direção entregando-me uma requisição. Encaminhado-me para o psicólogo.


Fazer o quê? Consulta marcada para a próxima segunda-feira.

Um comentário:

Chica disse...

JÁ TE DISSE QUE NÃO PRECISAS NADA DESSA CONSULTA! EM TODO CASA, SE QUERES,RSRSRS lINDA CRÔNICA!BEIJOS,CHICA