segunda-feira, 25 de maio de 2009

VAMOS APRENDER A GOSTAR DE SCHOPENHAUER, MLUÍZA MARTINS?



Sabe, Maria Luiza, lá pela metade do século XIX, não era só Schopenhauer que era profundamente pessimista, outras vozes de sua época também eram. Podemos enumerar os poetas Byron na Inglaterra, Musset na França, Heine na Alemanha, Leopardi na Itália, Pushkin e Lermontof na Rússia.


Também eram considerados como tal os compositores Schubert, Schumann, Chopin, inclusive Beethoven ( que tentava se convencer que não era).E o homem Schopenhauer?


Nasceu em Dantzig no dia 22 de fevereiro de 1788. Filho de pai negociante, cresceu num ambiente de negócios e finanças, mas não se sentiu atraído pela carreira mercantil.Costumava dizer que “O caráter ou vontade” teria herdado do pai; quanto ao intelecto teria sido herdado da mãe, que era uma escritora famosa de seu tempo, possuidora de um temperamento forte e mau gênio.


Tivera uma vida infeliz com seu marido e quando ele morreu entregou-se ao amor livre, com o que não concordou o filho, começando ai as desavenças entre os dois. Vale salientar que, em uma das cartas ao filho, assim ela se expressou:: “Você é insuportável e opressivo e muito difícil de se conviver; todas as suas boas qualidades são obscurecidas por seu convencimento e tornadas inúteis para o mundo, porque você não pode conter a tendência de criticar as pessoas.”


Quando certa vez, Goethe, que era amigo da mãe de Shopenhauer, disse que o filho dela um dia se tornaria famoso, ela encheu-se de ira pois disse que não conhecia uma família com dois gênios.


E, finalmente numa briga séria, ela o empurrou escada abaixo, pois além de filho ela o considerava rival. Diante disso Schopenhauer, cheio de amargura prometeu-lhe que a posteridade a conheceria somente através dele e deixou a companhia da mãe a quem nunca mais viu.


Entende, agora, Maria Luiza, o nosso filósofo foi praticamente levado ao pessimismo pelas circunstâncias: um homem que não conheceu o amor da mãe e o que é ainda pior, sofreu o ódio dela, não tem motivos para ficar encantando com o mundo.


Daí em diante tornou-se sóbrio, cínico e desconfiado; era obcecado por temores e visões sinistras; para se ter uma idéia de sua desconfiança, ele nunca entregou o pescoço à navalha de um barbeiro e dormia com pistolas carregadas ao lado da cama.


Além do mais ele possuía um sentido quase paranóico de grandeza não reconhecida; não alcançando a fama e o sucesso, voltou-se para dentro de si mesmo e roia sua própria alma. E assim sem mãe, esposa, filhos nem país vivia ele, inteiramente sozinho, sem um único amigo.E a obra do filósofo Schopenhauer?


A primeira foi O Mundo como Vontade e Representação (1813) não teve nenhuma repercussão e dezesseis anos depois ele foi informado que a maior parte da edição fora vendida como papel velho.


Em seguida vem Sabedoria da Vida, que trata sobre a Fama; Da Vontade na Natureza; O Mundo como Vontade e Representação (1844); Os Dois Problemas Básicos da Ética e em 1851 , Pererga ET Paralipomena (literalmente Acessórios e Remanescentes)Enfim, a glória. Nietzsche afirmou: “Nada ofendia tanto sábios alemães, como Schopenhauer ser tão diferente deles”.


Mas o filósofo aprendera a ter paciência; estava certo de que, ainda que tardio, viria o reconhecimento. Veio, lentamente , mas veio. Homens da classe média – advogados, médicos, negociantes - encontaram nele uma filosofia que lhes oferecia não um mero jargão de irrealidades metafísicas, mas sim um estudo inteligível dos fenômenos da vida real.


É bom ressaltar, que por conta do compositor Wagner (1854), que lhe mandou uma cópia do Der Ring des Nibelungen com uma palavra de apreciação favorável à filosofia da música, Schopenheaur, de grande pessimista que era, tornou-se um quase otimista em sua velhice.


Tocava flauta após o jantar e agradecia ao Tempo por tê-lo libertado dos ardores da mocidade.Morreu no dia 21 de dezembro de 1860.Fica dito dele:


A VIDA HUMANA TRANSCORRE INTEIRAMENTE ENTRE O QUERER E O CONQUISTAR.


(Fonte de pesquisa – Os Grandes Filósofos – A Filosofia de Shopenhauer)

Um comentário:

Paulo de Poty disse...

Zélia, você sempre me indicando o caminho. Em outras crônicas suas já havia me deparado com o nome de Arthur Schopenhauer. Fiquei curioso por esse cara e li "Metafísica do Belo". É de encantar. Obrigado amiga.