segunda-feira, 4 de maio de 2009

JÁ PASSA DA MEIA NOITE E EU CONTINUO CINDERELA



Quando eu era mocinha, tinha um diário e tudo indica que essa mania continua entre as jovens. Minha neta de dez anos tem um, e, pelo visto, é possuidora de muitos “segredos”, pois o mesmo é trancado com um pequeno cadeado.Este preâmbulo foi feito para dizer que, se eu ainda tivesse um diário eu teria começado as anotações deste domingo que acaba de findar, desta maneira:


7:30: Querido diário, acordei agora, tô levantando, levantando o corpo literalmente, enquanto a cabeça pensante teima em permanecer sob os lençóis invadida que anda pela cruel dúvida shakespereana de “ser ou não ser, eis a questão”.


8:13: Postei uma crônica lá no Recanto, que fala do sentimento do desencanto, houve quem dissesse que as minhas personagens são tragicômicas, estão ultrapassadas no tempo e que os meus deuses do amor passeiam em terras distantes, sufocados na sua própria inexistência. Enfim, que já não se ama como antigamente. Não discuto, talvez seja eu a última romântica. Deve ser isso mesmo, afinal, tudo o que foi e é criado vai abismar-se no nada. Está passado. Ultrapassado


8:30: Recebi flores vermelhas...


8:40: um telefonema, convite para almoço... Convite aceito. Hora marcada, 13:00 horas...


00:05: Querido diário, neste espaço de tempo entre 8:30 e 00:05, o que posso acrescentar é que o almoço aconteceu entre pessoas de idades diferentes, mas de pensamentos e idéias convergentes e de maneiras que vão ao encontro do meu jeito de ser. Bebemos um bom vinho, conversamos, trocamos confidências, falamos de sentimentos olho no olho e o que mais me alegrou foi sentir que a jovialidade de quem me acompanhava não era empecilho para alcançar a visão que eu tenho sobre tantas coisas nas quais eu acredito, inclusive sobre o amor, amor “à moda antiga”, amor que manda flores e é capaz de gestos delicados, como o de segurar tua mão por debaixo da mesa e te olhar com um sorriso encabulado, procurando compreensão pelo ato.Assim, querido diário, encerro estas anotações e embora já passe da meia noite, continuo me sentindo Cinderela sem ter medo de voltar à gata borralheira, sonhando sim, com quem me fez feliz por momentos, mas não na espera que me venha experimentar o “sapatinho”, basta só eu saber que existe e que basta só abrir a porta para encontrá-lo.

Um comentário:

Chica disse...

Linda crônica lembrando os nossos diários, trancafiados por conter tantos "segredos"...Lindo,Zelia!um beijo,chica