quarta-feira, 27 de maio de 2009

TRAGÉDIA OU COMÉDIA?



Por culpa do advento do classicismo renascentista, que tornou conhecido os gêneros tragédia e comédia, hoje não sei o que escreveria, se tragédia para purificar uma paixão ou se comédia para focalizar uma situação cômica e ridícula.Penso em tragédia, mas fogem de mim as condições necessárias, não sou personagem ilustre, além do mais teria que seguir a lei das três unidades: tempo, espaço e ação.


Tempo já não existe. Espaço é imensurável a distância entre o eu e o tu. Ação esta esbarra na causa e efeito, o corpo já na atua sobre o outro.Apelaria para o drama, então? Talvez com as minhas “lamúrias”... Afinal, o que o caracteriza não é a exploração dos sentimentos humanos?


Se não tivesse argumentos próprios apelaria para o lirismo de Camilo Pessanha, pois é sabido que a dor de ficção comove mais que a dor real, assim para “impressionar”, poderia então confessar: “Tenho sonhos cruéis; n’alma doente / Sinto um vago receio prematuro / Vou a medo na aresta do futuro, / Embebido em saudades do presente”.


Sabe, acho que estou mais para o tragicômico e bem caberia a mim o papel de “Pagliacci” e vou buscar em Leoncavallo o seu “Ridi, Pagliacci e todos aplaudirão / transforma em brincadeira o tormento e o pranto / em uma careta o soluço e a dor / ri palhaço sobre o seu amor estraçalhado! / Ri da dor que te envenena o coração”.

2 comentários:

Chica disse...

Há dias que encaramos as tragédias como comédias e vice-versa...Linda crônica.beijos,chica

Luma disse...

Zélia, faz tempo que te leio e reflito com você. Virei fã! :)