segunda-feira, 20 de abril de 2009

É BOM PENSAR NISSO



E lá vamos nós encontrar a síntese na qual os opostos e as contradições se encontram e se unem. Isto é Filosofia. Isto é o pensamento de Bruno, o jovem italiano (1548-1600), que era rico em idéias e primeiro que tudo a idéia mestra de unidade: toda realidade é única em substância, única em causa, única em origem.


E por conta de suas dúvidas e pesquisas foi condenado pela Inquisição a ser morto “tão piedosamente quanto possível e sem derramamento de sangue” – isto é, a ser queimado vivo. Este jovem filósofo foi um dos que influenciou Baruch de Espinosa, o maior judeu e maior filósofo dos tempos modernos , que também sofreu influência de Descartes, pai da tradição subjetiva e idealista e que acreditava que a mente se conhece a si própria, mas próxima e diretamente do que pode conhecer qualquer outra coisa; de que ela conhece o “mundo exterior” apenas através da impressão dos sentidos e da percepção e por conseguinte toda filosofia tem de começar pela mente e pelo individuo e expressar seu primeiro argumento em três palavras: “ Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum) .


De Espinosa gostaria de falar a respeito do aperfeiçoamento do intelecto e o farei com as suas próprias palavras: “ após ter a experiência me ensinado que todas as coisas que acontecem frequentemente na vida comum são vãs e fúteis e quando vi que todas as coisas de que eu tinha receio, e que os outros receavam de mim nada tinham de bom ou de mau em si mesmas, a não ser no que afetavam a mente, decidi procurar saber se existia algo que fosse realmente bom e capaz de transmitir essa bondade que afetasse a mente a ponto de serem excluídas delas todas as outras coisas.


Decidi investigar se poderia descobrir e alcançar a faculdade de desfrutar através da eternidade, de uma felicidade suprema continua... Via as muitas vantagens que advém das honrarias e riquezas e entendi que ficaria impedido de adquiri-las se desejasse seriamente dedicar-me à investigação desse novo problema... Mas quanto mais se possui uma das duas coisas, maior é o prazer e consequentemente mais se é estimulado a aumentá-las.


Da mesma forma, se em qualquer ocasião nossa esperança é frustrada, apossa-se de nós grande sofrimento. A fama tem também o grande inconveniente de que, se a procuramos, temos que dirigir nossas vidas de modo a agradar aos homens, evitando aquilo que lhes desagrada e buscando o que lhes é agradável... Mas o amor por um bem eterno e infinito, por si só alimenta a mente com um prazer a salvo de qualquer dor... O maior bem é o conhecimento da união que a mente tem com a natureza total.


Quanto maior é o conhecimento da mente, melhor ela compreende sua força e ordem da natureza. Quanto melhor ela compreender sua força e poder, mais capaz será de se dirigir e de estabelecer leis para si mesma; e quanto melhor compreender a ordem da natureza, mais facilmente poderá libertar-se das coisas inúteis; é esse o método”.


É bom pensar nisso...


Fonte: A Filosofia de Espinosa (Os Grandes Filósofos)

Um comentário:

Chica disse...

É mesmo uma maravilhosa reflexão que nos trouxeste com esse texto!Parabéns! um beijão,chica