quinta-feira, 12 de julho de 2007

MAGOEI













Faço beicinho e digo: magoei. E não é só por conta dos escândalos políticos que estão fazendo a esta distinta e ética senhora, filha de pais alfabetizados, dormir de olhos abertos para não perder o próximo. Move-me outras razões e cá explico:


Embora nada tenha herdado do el-rei Dom João V, mas cuja renda – em que pese dividi-la com as três esferas governamentais, pagando impostos, taxas, emolumentos, obrigações sociais, acrescidos do plano de saúde, juros do cheque especial e condomínio do “Morada da Paz”- bastava para viver até a vinda do Apocalipse, vejo-me agora na iminência de, na condição de sem-aumento, passar da opulência à abastança; da abastança à mediania; da mediania à pobreza; da pobreza à miséria. Por quê? Ora por quê! Os amanuenses dos três poderes não levam em consideração os aumentozinhos aqui, outro acolá, coisas tais como sazonalidade, entresafra, defasagem, reajuste de tarifas etc. etc. que em nada oneram, afirmam, os bolsos de quem só retira e nada repõe.


Se pelo menos eu tivesse a certeza de que o meu rico dinheirinho estava escorrendo para o ralo dos sem-saúde, sem-terra, sem-teto, sem-educação, sem-emprego, sem-estrada e os com-fome, até que eu nem chiava. Afinal, diz o senhor bispo,que temos de repartir o pão. Mas – e sempre tem um MAS para atrapalhar – parece que o nosso money não só escorre para os pts da vida como serve, também, para comprar votos de deputados e senadores despudorados, sem ética e sem decoro.


Fazer o quê? Se o grito geral é de que está todo mundo louco. O destino pois, é Itaguaí, mas precisamente à “Casa Verde”. Deixemos nas mãos do doutor Simão Bacamarte a decisão de ordenar o vigário Lopes tocar a matraca anunciando que é preciso mais do que arruaças e clamores para tornar desacreditada a “Casa Verde”. Enquanto isto o barbeiro Canjica anda a deitar falação sem que dele seja exigido o devido cuidado com a ordem , aventando as suas idéias na rua tentando dar corpo e alma a uma suposta rebelião das elites ( que por ora é apenas um turbilhão de átomos dispersos).


No mais, para quem leu “ O Alienista” de Machado de Assis, sabe que estou me valendo dele para entrar na moda e jogar as minhas “metáforas”.


Um comentário:

Paulo de Poty disse...

Amiga Zélia.
Compartilho com você, atônito e cético, esse sentimento de abandono.
Como já disse João Ubaldo Ribeiro em um de seus artigos no Estadão, a coisa fica bem pior quando temos a constatação de "que é culpa de nossa matéria-prima". O povo brasileiro tem esse traço torto de levar tudo no jeitinho, no papo, por baixo dos panos.
Parafraseando Heloísa Helena, "nessa minha forma física, não acredito ver o Brasil um país descente".
Parabéns pelo blog, o design ficou muito bom.