domingo, 24 de junho de 2007

O SOL AINDA É NOSSO




Segundo o sofista Protágoras, que viveu antes de Cristo, (487-420), o homem é a medida de todas as coisas. Jostein Gaarder explica em “O Mundo de Sofia”, que o filósofo queria dizer que o certo e o errado, o bem e o mal sempre tinham de ser avaliados em relação à necessidade do homem.


Bonita teoria. Difícil à prática. Desisto de entender o porquê e vou para o barril. Quando digo vou para o barril é porque estou me lembrando de Diógenes, discípulo de Antístenes, que fundou em Atenas por volta de 400 a.C. a filosofia cínica estribada na postura de Sócrates, que certa vez parou diante de uma tenda do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias e exclamou: “Vejam quantas coisas o ateniense precisa para viver!” Querendo dizer com isto que ele próprio não precisava de nada daquilo.


A filosofia cínica parte do princípio de que a verdadeira felicidade não depende do luxo, do poder, nem da boa saúde. Ela consiste em se libertar dessas coisas casuais e efêmeras. Por que a felicidade não está nessas coisas ela pode ser alcançada por todos. E uma vez alcançada, não pode mais ser perdida.


Mas vamos a história de Diógenes, considerado o cínico mais importante. Conta-se que ele vivia dentro de um barril e não possuía mais do que uma túnica, um cajado e um embornal de pão. Um dia, quando estava sentado ao sol junto ao seu barril, recebeu a visita de Alexandre Magno. Alexandre aproximou-se do sábio, perguntou-lhe se ele tinha algum desejo e disse-lhe que caso tivesse, seria imediatamente satisfeito. Ao que Diógenes respondeu: “Sim, desejo que te afastes da frente do meu sol”.Com isto, Diógenes mostrou que era mais rico e mais feliz que o grande conquistador. Ele tinha tudo o que desejava.


Ensina a filosofia cínica que as pessoas não precisam se preocupar com a saúde nem mesmo com o sofrimento e com a morte. Elas também não deveriam se atormentar com o sofrimento dos outros.


Assim sendo, se é para olhar os lírios dos campos, deixemos as coisas casuais e efêmeras de lado e aproveitando que o sol ainda é nosso, vamos cair no cinismo filosofal.


Zélia Freire

2 comentários:

Anônimo disse...

mae, gostei da pagina, eu nao tenho acentos en meio coputador ...

Nelson disse...

Vovó, gostei de seu artigo. E como pode ser efêmero conciliar teoria e prática.