sábado, 23 de junho de 2007

FALA QUE EU TE ESCUTO















Não sei se assim ainda persiste, mas antigamente não existia um porão, um buraco na Inglaterra que não tivesse ratos como inquilinos – e aí eu me refiro a designação comum dos mamíferos roedores, miomorfos, murídeos, cricetídeos, que apresentam os molares com a fórmula 3/3 – mesmo assim a Saúde Pública inglesa não acreditava, na época, num surto de peste bubônica. O único transtorno que a “rataiada” causava dizia respeito à família real: roíam as roupas de Suas Majestades, pondo à mostra, vez por outra, suas intimidades.



Situação similar vivemos nós neste malamado queijo suíço chamado Brasil. Só que os nossos ratos pertencem a família do homo sapiens. Nesses o bacilo de Yersin atua com mais eficácia, a peste alastra-se com mais facilidade e indiscriminadamente. Dir-se-ia que tal mamífero, para sobreviver não escolhe a vítima, infecta políticos, policiais, advogados, juízes, jornalistas, entidades filantrópicas, artistas, bispos, bispas etc. etc.



Reconhecendo a gravidade da peste temos que fazer como na historinha do conto infantil denominado “A Flauta Mágica, onde o flautista encantava os ratos tocando o seu instrumento. E assim procedendo, certa vez socorreu os habitantes de uma cidade, conduzindo os ratos para dentro de um rio. No nosso caso, na falta de um flautista mágico, temos mesmo é que contar com os préstimos da PF-FALA QUE EU TE ESCUTO, que tem se mostrado o bastião da ética, da moral e dos bons costumes– se bem que a exigência de tais “virtudes” não é levada muito a sério na instância superior, haja vista os recentes acontecimentos: e lá se vai madrugada à fora, conseqüência do “fala que eu te escuto”, mais uma operação, e aí é um tal de prender ratos grampeados, que são algemados e engaiolados, para na parte da tarde, serem contemplados com habeas corpus e irem para a rua: amigos , compadres e afins, que passam novamente a roer livres, leves e soltos os infidáveis recursos da viúva.



Mas, o que se há de fazer, brasileiro é tão bonzinho... Só nos resta aguardar o desfecho dessa peste, comendo pizza, com um olho na dita e outro nos ratos. Esperando que um dia seja pra valer o que diz a modinha carnavalesca ora plagiada: “ Você roubou demais e pra seu castigo o senhor juiz quer falar contigo”.

Zélia Maria Freire



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5 comentários:

Anônimo disse...

Os nossos ratos não tem medo dos gatos.E nós?roídos como queijo.
beijos

Yasmine disse...

Os nossos ratos não tem medo dos gatos.E nós?roídos como queijo.
beijos
Yasmine

23 de Junho de 2007 05:48

Isolda Melo disse...

Dona Zélia ,não entendo nada de internet,mas Yasmine me mostrou seu diario.Gostei muito.Essa "dupla" de escritoras vai dá o que falar um beijo e lembranças a Zelinha e a família toda.

Maria clara disse...

Zélia,entrei no seu blog e gostei bastante, Parabéns!!

Nelson disse...

Vovó, entrei em seu blog, esta de parabéns!!
Nelson