
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
PENSAR NÃO DÓI

"CONFISSÕES" DE PROUST - SEGUNDO MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO

QUAL SUA IDÉIA DE FELICIDADE COMPLETA?
QUAIS SUAS CARACTERÍSTICAS MAIS MARCANTES?Não saberia apontá-las, sou tão comum...
SE PUDESSE VOLTAR À VIDA COMO OUTRA PESSOA QUE SERIA?ZÉLIA MARIA DE OLIVEIRA FREIRE
QUAL A SUA OCUPAÇÃO PREFERIDA Navegar na internet, conversar com os amigos( adoro), ler e escrever
O QUE MAIS VALORIZA NOS AMIGOS?
COMO GOSTARIA DE MORRER
JA ESTOU PENSANDO EM 2009

Quem desceu atrasado foi Montaigne, mesmo assim saiu-se com esta: Todos têm tendências para agravar o pecado de outrem e atenuar o próprio. E não raro até as próprias pessoas encarregadas de os esclarecer os classificam mal. Nada mais disse nem lhe foi perguntado.
AY QUE VIDA MÁS INGRATA, VOY A ME MATAR

Tal qual o macaco Simão errei o tiro e desisto. E parto em busca de assunto para esta crônica, que por sorte já achei.
Existe uma frase dita à atriz Fernanda Montenegro pelo então vivo Nelson Rodrigues, que diz o seguinte: “ O problema da literatura brasileira é que nenhum personagem dela sabe bater um escanteio”.
E começa o campeonato: o jogo mostra-se uma verdadeira pelada, a galera esboçando sinais de impaciência, insulta os jogadores, xinga a mãe do juiz, denuncia os cartolas, parte da torcida organizada faz coro com as vozes de alguns comentaristas mais exaltados, pedindo a degola do técnico.
MAS QUE DÓI. DÓI

Ô VIDA LOUCA!

Ah, quanto é árduo e doloroso dizer qual eraesta selva selvagem, áspera e infranqueávelda qual só a lembrança me renova o terror!
(...)
Era o momento em que a manhã se levanta,E o Sol subia com as estrelas,Que o acompanham, quando o Amor divino
Criou primeiro estas coisas belas;De modo que esta hora do dia e a doceestação fizeram-me conceder toda a esperança
(...)
Eis que quase ao começar a subida.Apareceu uma pantera ágil,Que de pêlo manchado era coberta;
Ela não se me afastava dos olhos:Pelo contrário, impedia-me muito o caminho,Que, por várias vezes, estive para voltar para trás.
(...)
Esta me atemorizou tanto, com o horror queProvinha do seu aspecto, que eu perdi a esperançaDe atingir o alto da colina que me dispunha a subir
E como aquele que com muito gosto ganhaQuando chega o tempo que o faz perder,Sem descanso chora e se entristece
ZÉLIA, UM SER METAFÍSICO

sábado, 1 de novembro de 2008
DA DIGNIDADE HUMANA

Respeito a si mesmo... Amor-próprio... Brio. Se me sentisse vilipendiada no que diz respeito a minha dignidade, recorreria a quem? A Organização das Nações Unidas (ONU), que expressa em Carta que todo ser goze de máxima liberdade e dignidade. Ou me valeria da Proclamação da Conferência Internacional de Direitos Humanos de Teerã, de 1983, que trata do mesmo objetivo no art. 13 do Pacto Internacional de Direitos Civis; e no art. 5 da Carta Africana?
Kant rejeita a filosofia do ser e cria condições para a afirmação da filosofia da consciência onde sustenta a dignidade humana fundamentada no pensamento estóico, em São Tomás de Aquino e em Rousseau, cujos princípios são os seguintes:
São Tomás de Aquino exprime a concepção cristã do amor de Deus a todos os seres humanos, imagem e semelhança do Criador, independentemente de suas condições. O homem deve, por conseqüência, amor e respeito a todos os seus semelhantes porque e enquanto pessoas.
Isto posto, fico com a interpretação da professora Sílvia Mota, que reconhece no homem a sua própria dignidade, fazendo desprezar eticamente condutas incompatíveis com tal condição.
DANÇA DA SOLIDÃO

Para aceitar tais opiniões e acolhê-las como verdadeiras e acordadas entre si, que as mesmas fossem favoravelmente interpretadas, sugeriu Descartes, “pois, tendo Aristóteles considerado o soberano bem de toda a natureza humana em geral, isto é, o que pode possuir o mais completo de todos os homens, teve razão de compô-lo de todas as perfeições de que é capaz a natureza humana; mas isto de nada serve para o nosso uso.”
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
HOJE FAÇA COMO O SÁTIRO, FUJA DE MIM

Hoje, faça como o sátiro, saia correndo de mim...
MENOS ZÉLIA, MENOS...

Ah meu caro leitor, está difícil de extrair desse nosso cotidiano palavras de encanto que possam contribuir para um exercício de perspectiva otimista do tipo... bons tempos virão...
E good luck. So long, good bye, farewell, adieu, ta-ta.
E QUEM SOU EU PRA DUVIDAR...?

Coisas deste mundo. “Mundo mundo vasto mundo / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”
“O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno; os que eu falo, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo procedimento, distingue muito bem São Basílio Magno. Não só ladrões , diz o santo, os que cortam bolsas, espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o Governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem estes roubam cidades e reinos; os outros, se furtam são enforcados, estes furtam e enforcam”.
E quem sou eu pra duvidar...?
ENTRE A SANIDADE E A LOUCURA

Quanto a SANIDADE, podemos pensá-la, ainda pela ótica de Phillips, como violação de tabus, como consciência tolerável de nossos limites, como vitalidade preservada, como fé e até como sorte por ter nascido com quantidades certas de emoções para não adiar o desejo nem nosso corpo, nem o querer.
E eu que não sou nenhum Shakespeare ou George Orwell e nunca criei personagem maluco, vou ficando por aqui, agradecendo a doutora psicoterapeuta Denise M. Molino pela mãozinha a mim concedida na elaboração do artigo de hoje.
A FILOSOFIA PURIFICA A VONTADE

O Mundo como Vontade e Representação (a grande antologia do infortúnio), é uma obra de Schopenhauer, apareceu em 1881, é um livro que impressiona pelo seu estilo, foge da terminologia kantiana , do obscurantismo hegeliana e também da geometria espinosista,, é centrado na concepção do mundo como vontade e por conseguinte como luta e miséria, explicado de maneira clara e direta.
Assim, caro leitor/leitora, com ajuda do “parceiro” Will Durant, é que consegui elaborar este texto.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
NÃO SOU AVESTRUZ

Daqui desta minha janela fico matutando sobre o que leio, escuto e vejo. O somatório disto tudo me leva quase sempre a uma visão crítica carregada de uma certa ironia, reconheço. O que sei ser extremamente perigoso, a ironia em excesso tende a irritar o leitor e a ironia deselegante , canhestra ou forçada ridiculariza o autor. É o que nos ensina Helena Montezzuma em seu “Noções de Estilo.
O que se há de fazer, quando a ironia me assalta e o desejo de falar me domina? Ainda não fui contaminada com a “Epidemia do Conformismo”, além do mais sou leitora de Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi. Ora bolas! Não sou avestruz, não consigo enterrar a cabeça. De certo que não sou nenhuma águia, mas a impressão que se tem é de que para qualquer lado que o olhar for direcionado, percebe-se que neste país nada é politicamente correto. Nada visa o bem-estar comum.
Se é para desabafar...Começo reconhecendo que ainda não atingi a fase do pensamento próprio, mas tem nada não, Nietzche também passou por isto, assim sendo, lá vou eu apelar para Thomas More, para explicar pela boca do jovem Rafael Hitlodeu no Livro Primeiro de “A Utopia”, o que eu gostaria de dizer a um rei qualquer: “ A dignidade real não consiste em reinar sobre mendigos, mas sobre homens ricos e felizes... nadar em delicias, saciar-se em meio às dores e gemidos de um povo, não é manter um reino e sim uma cadeia. O médico que só sabe curar as moléstias de seus clientes dando-lhes moléstias mais graves, passa por ignaro e imbecil: confessai, pois – ó vós que não sabeis governar senão arrebatando aos cidadãos a subsistência e as comodidades da vida! Confessai a vossa incapacidade de dirigir homens livres!
De resto... é aguardar para ver o comportamento do nosso “flautista mágico”, encantador de excelências, só espero que o destino dos encantados não seja o mesmo dos ratos da história infantil “ O Rio”.
Isto posto, a palavra final fica com Maquiavel: “ Um homem que deseja ser bom, sempre bom, se perderá em meio a tantos que não o são”.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
O PORQUÊ DO AMOR QUE NUNCA FALO

quinta-feira, 24 de julho de 2008
FALEI, FALEI E...

Conselho difícil de seguir o de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Mas estou tentado, para tanto não falta quem não queira nos amestrar; os livros de auto-ajuda e afins proliferam no mercado.
Para início de conversa, se sou uma pessoa quero saber o que é uma pessoa. Leio Jostein Gaardes. Descubro que pessoa é matéria de origem comum, produto de poeira estelar, com uma só razão (3x4=12) e sentidos variados ( gosto do vermelho enquanto outro gosta do amarelo).
Menos fundo Zélia, menos..., de Barach Spinosa você não tem nada, nem monísta és, vai rezar, vai! E cuidado com a excomunhão, mulher! Não está na hora de sair de cima da pedra, tirar a mão do queixo e conversar com Deus? Encontrar a tua verdade espiritual? Baixe a guarda, vai ver se pesca alguma coisa de proveitoso lendo “A Profecia Celestina” de James Redfield., vai.
Nesta de compreender e me achar, andei lendo Shirley MacLaine. Very interesting, very. Daí concluo: “SOU O QUE SOU”. Quanto à compreensão, diz a Shirley: “ Perguntado ao professor Niels Bohr, como poderíamos compreender a estrutura do átomo se não tínhamos palavras para descrevê-la, ao que Bohr respondeu: “ Primeiro temos que aprender o que significa a palavra “compreender”.
Para que servem as emoções? Quanto custa o analfabetismo emocional? A luz da ciência é o que me explicará o PHD Daniel Goleman.Mas isto será tema para outra conversa.
Pois é, falei, falei e não disse absolutamente nada. Sabe do que mais? Já que não me enxergo, vou tentar enxergar a cara do Brasil através do Jornal o Dia e do programa de TV do Datena – escondida de mim mesma, feito o macaco Simão e se for flagrada direi que sou voluntária do programa “Bolsa Família” e estou fazendo um trabalho de pesquisa de caráter antropológico a pedido do “cumpanheiro” presidente .
sexta-feira, 11 de julho de 2008
SERÁ...?

Pegando carona na “cadeira do papai”, deixando no entanto, o meu explícito protesto contra a restrição feita às mamães, que não tiveram ainda a criação de uma cadeira especial. Feito o meu protesto, vamos aos fatos, como ia dizendo, sentei-me da “cadeira do papai”, de forma confortável, diante da telinha, aguardando o Jornal das Oito. Este gesto me fez lembrar o Dr. Pereira, meu vizinho aqui do lado. Ele também tem uma “cadeira do papai” e religiosamente a ocupa para ficar diante da telinha e assistir o Jornal das Oito, metido num pijama de listras azuis, por sobre as pernas, o controle remoto, que vez por outra seus dedos tocava como numa caricia e talvez pensando lá com seus botões: “ô invenção porreta!”
Se eu fosse analisar a figura do dr. Pereira, diria que ele estava mais pra monstro do que pra médico. O homem era de uma insensibiliade que me exaspera, nada o toca, nem por time de futebol ele torce. Torce sim, pela alta da inflação; é aplicador do open, over, caderneta de poupança e investia na Bolsa. Enquanto eu e a sua mulher chegávamos às lágrimas com a notícia do seqüestro de uma criança, ele estava lá, diante da telinha e por ela desfilando: a vida, (dos outros) que não lhe interessava; a morte, que não lhe tocava; os atentados, que não lhes chocavam; o seqüestro, que não lhe dizia respeito; a crise econômica, que não lhe alcançava; as queimadas, que aos seus olhos céticos, mais pareciam um festival pirotécnico.
Por que diabo o Dr. Pereira é assim tão insensível? Será porque ele é médico-legista, aplicador, rico e latifundiário?
O Jornal acabou, a mesmice de ontem. Hoje não vivi as tragédias desfiladas. Será que estou ficando que nem o dr. Pereira?
Será...?
domingo, 15 de junho de 2008
SERÁ QUE A TIA FOI PRO CÉU?
Tive eu uma tia-avó chamada Dulcinéia, que era nanica por subnutrição, caritó por não ter tido outra opção e que fazia bonecas de pano para vender na feira e com isso sobreviver.
Danadinha a tia Dulcinéia, pobre, porém deveras orgulhosa. Passava uma necessidade de não fazer inveja a seu ninguém, mas disso não se queixava, nem ao bispo, e até tinha lá as suas mutretas para ludibriar os vizinhos abelhudos; para não ser pega de surpresa, sempre perto da hora do almoço – que muitas vezes não passava de uma “cabeça de galo” - mantinha sobre o velho fogão a lenha, duas panelinhas de barro com água fervendo, dando a impressão de que havia comida a cozinhar.
Beata como ela só, era fita larga cor vermelha da Irmandade do Coração de Jesus e encarregada de passar a sacola onde os fiéis, na missa e nos demais atos litúrgicos depositavam as suas contribuições para ajudar o santo papa, o padre da paróquia e as obras inacabadas da igreja. Diziam as más línguas que no final da coleta a tia Dulcinéia repartia as moedas: uma pra igreja e duas pra Dulcinéia.
Embora reconheça a tentação e o estado de miserabilidade da tia, sou mais pela sua honestidade. Se pecado ela cometeu foi contra São Sebastião, com quem tinha lá suas intimidades, e se fiando nisso, vez por outra, nos momentos de mais aperto, ela retirava do seu oratório a imagem do santo, colocava dentro de uma caixa de sapato forrada com um pedaço de cetim roxo, enfeitava com flores de papel crepom, envolvia com uma fita vermelha e saía de casa em casa pedindo uma ajuda pro dito. O arrecadado tomava por empréstimo, jurando de joelhos diante da imagem, logo que as bonequinhas fossem vendidas, ela devolveria em dobro.
Morreu velhinha a tia Dulcinéia. Quem a matou foram às bonecas, espetando o seu dedinho nanico com uma agulha enferrujada. Foi encontrada toda enrijecida com as perninhas pra cima feito um passarinho morto.
Será que a tia foi pro céu...?
NOTA: No oratório da tia Dulcinéia, aos pés da imagem de São Sebastião foi encontrada uma pequena sacola cheia de moedas.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
A MOÇA QUE PERDEU O OLHAR






Estava lá a moça, meio tristonha depois de muito procurar o olhar que perdeu e com ele a sua alegria de viver, encaminhando-se para o pensatório, batendo a porta atrás de si. Até que tentei ajudar na busca do seu olhar, afinal, amigo – acho eu - é que nem aquelas coisas que o padre manda repetir na hora do casamento: unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e por ai vai. Bati na porta, ou bati à porta, sei lá eu , do pensatório, mas qual o quê, fechado estava, fechado permaneceu. Que é que eu fiz? Pus-me feito cão de guarda plantada no chão perto da porta.
Incomodava aos meus olhos um raio de sol que transpunha uma fresta na parede. Mas me mantinha firme no desejo de ajudar a moça e enquanto a porta do pensatório não abria, ocupei-me em contar e recontar os dedos dos pés e das mãos e já ia eu na casa do undécimo e nada da porta abrir.
Enfastiada, passei a enrolar o pensamento e já que falei no sol quis saber do Deus da moça, sim, por que ela, a moça, podia ter todos os defeitos do mundo, mas ela não era descrente, acreditava no Senhor lá do Alto, no céu, no inferno, no purgatório e até em alma do outro mundo! Mas, como ia dizendo, quis saber do Senhor Deus da moça dessa preferência que Ele tem pelos círculos: é lua redonda, planetas redondos, estrelas redondas , é assim que as vejo, nada de pontas e que para variar, por que Ele não fez o sol quadrado? Outra coisa: por que não de crocodilo as lágrimas que começam a rolar das calotas polares? Vou aproveitar para mandar um adeusinho de despedida para os ursos brancos. Esperai, com essa o Deus da moça não tem nada a ver, é coisa nossa.
E quem disse que a moça que perdeu o olhar estava preocupada com detalhes? A crise era existencial, mais profunda, estava tão virada para dentro de si mesma, mas tão virada que a gente até podia ver as costuras do seu avesso e olhe que quem a costurou não usou de profissionalismo.Foi ai que me deu uma vontade danada de dá uma espiadinha lá por dentro e mesmo sem ser autoridade no assunto parti para uma “autopsia” nos órgãos vitais. Fígado: barbaridade! Alinhavaram e deixaram vazar a bílis, que derramou e se tinha alguma coisa doce dentro dela ficou amarga. Pulmões: esses alinhavaram de tal forma que ela já não respira, só suspira. Coração, Deus dela! Fizeram deste, travesseiro de espetar agulha, perdeu sua função precípua: AMAR
Perdeu sua função precípua: AMAR. Não..., parece que aqui não cabe ação de amigo... É coisa pra príncipe encantado, para um “Dom Sebastião” o eterno esperado, dotado dos atributos e capacidade para retirar as agulhas e dá vida a sentimentos contidos , devolvendo assim, à moça, o seu olhar e a sua alegria de viver.
Vou rezar pra isso...