segunda-feira, 17 de novembro de 2008

HOJE É DOMINGO




“Mas já que se há de escrever,Que ao menos não se esmaguem

Com palavras as entrelinhas”. (Clarice Lispector)

Hoje é domingo, que pede cachimbo, o cachimbo é de ouro, bateu no besouro, o besouro é valente, bateu no tenente, o tenente é fraco porque ganha pouco e por conseqüência come um tantinho assim.
Pelo visto o meu domingo não passará de um belo dia cujo divertimento maior será o de encangar grilos, já que por esta minha rua não passa sequer um trio elétrico para que eu possa correr atrás.
Nada interessante à vista e a cabeça carecendo ser desanuviada... O certo é que estou desanimada, só não voy a me matar, mas vou lamentar, lamentar porque não nasci em 1303, porque não vou à missa, porque não me chamo Laura e porque não conheci Petrarca, e ai eu estou me referindo ao poeta italiano Francesco Petrarca (1304/1374), que viveu pelo amor e para o amor dedicado a uma única mulher: Laura Novaes, que nunca deu trela para as “cantadas” do apaixonado poeta, pois era uma senhora honesta e bem casada. E que morreu aos vinte anos numa epidemia de peste. Mesmo assim, Petrarca amou-a por mais vinte anos que lhe sobreviveu.
Petrarca dedicou um rosário de poesias à sua amada. Não há registro de que ela as tenha lido, nem tampouco se com isto se importou, haja vista ter o poeta imaginado que, ao ficar velha, Laura pudesse sem receio escutá-lo e lhe fez a poesia, que se segue mas por ser tão rebuscada, prefiro a interpretação da mesma, feita por Jamil Haddad na sua tradução do “Canzoniere” de Petrarca:
“Senhora, se não obstante tanto tormento e tanta angústia, eu puder chegar a idade em que os teus olhos estarão apagados em virtude da velhice, idade em que os teus cabelos de ouro estarão mudados em prata, quando então tiveres deixado de usar os trajes das jovens e quando estiver empalidecida a face que agora mal me dá coragem de lamentar-me, possa chegada esta hora, o amor dar-me energia para dizer-te quais foram os anos, os dias e as horas de meu martírio. E se então a nossa idade provecta for contrária a realização dos doces desejos, permita ao menos que eu obtenha de ti um suspiro de compaixão.”

E já que iniciei este texto com Clarice, com ela encerro: “ Hora do marinheiro partir. – Você compreende, não é, que eu não posso gostar de você a vida inteira”.

TEMAS DIVERSOS



Hélas! Hoje amanheci e fui direto para o pensatório, não para observar pulo de pulga, mas por a mão no queixo e pensar... Mas antes tomei um pouco de café e aí me lembrei da Marília, pois as xícaras da casa são verdes. Depois esqueci a Marília e suas crônicas que falam das xícaras verdes e me lembrei de Denis Diderot, filósofo iluminista (1713/1784), que lá no seu Suplemento a Viagem de Bougainville, disse: “Examinem todas as instituições políticas, civis e religiosas; ou muito me engano ou vocês verão nelas o gênero humano subjugado, a cada século mais submetido ao jugo de um punhado de meliantes”

Foi ai que tirei a mão do queixo e comecei a batucar na pedra e parti para a dialética, que é o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreender a realidade como essencialmente contraditória (alguém já leu Leandro Konder, ele é quem diz essas coisas).

A esta altura acho que está cabendo um... “menos Zélia, menos...” E um... por que não vais se maravilhar com os mistérios do Mundo? Einstein já disse lá pelos idos de 1930, que, quem não conhece esta emoção, quem não possui o dom de se maravilhar, mais valia que estivesse morto, pois seus olhos estão fechados.

O que fazer então? “Recorre a temas diversos / Elabora pensamentos confusos / Procura a clareza em tudo / A certeza indúbia das coisas”. (hei, minha amiga poeta querida Welshe Elda, aonde andas?).
Recorrendo a temas diversos... E a rainha de Sabá, que ninguém até hoje sabe se era rainha ou bruxa? Na tradição judaica existe uma história contada no Targum Sheni, uma tradução fantasiosa e rebuscada do Livro de Ester, onde é narrado o encontro da rainha de Sabá com o rei Salomão. Esta se encontra com o rei numa sala cujo pavimento de vidro a leva a erguer a saia, julgando-se sobre água, revelando assim os pés cobertos de pelo.


Há quem diga que além dos pés cabeludos o resto do corpo também o era. Segundo a lenda muçulmana, para não desposar uma rainha coberta de pelos, Salomão ordenou aos seus gênios que inventasse uma forma de eliminá-los. PS:Não sei dizer se os gênios lograram sucesso com o processo de depilação.

E hás de perguntar: cadê as maravilhas , os mistérios deste mundo de meu Deus? Não seja por isso, eu vos direi: Atlântida; O fabuloso Eldorado; As pedras misteriosas da Europa Ocidental; As estátuas-minires da Córsega; Os segredos de Stonehenge; Os gigantes da Ilha de Páscoa; Teotihuacán; Cidade dos deuses; O império perdido do vale do Indo; As pedras silenciosas de Tiahuanaco; A enigmática mensagem dos Nazcas.

Por hoje é só, vou voltar para pensátorio, pensar no dia de amanhã, porque hoje, amiguinho/amiguinha estou que nem o Belchior : um tango argentino me vai bem melhor que um blues.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PERGUNTAS FEITAS RESPOSTAS DADAS



A mim foi perguntado se já tinha vivido um grande amor, respondi que sim e da minha história foi feito um conto. Discutimos sobre o sentimento amor e lancei um desafio, que desse sentimento fosse falado. Desafio aceito e veio em forma de crônica. E mais uma vez a mim foi perguntado o porquê de determinados preconceitos com relação à mulher, desde quando isto se arrasta e o que eu teria pra dizer sobre o pensamento dos meus “amigos” filósofos iluministas, acreditavam eles que a mulher era um ser inferior...?


Mais uma pergunta feita e mais uma resposta dada. Os meus “amigos” iluministas tinham idéias esquisitas a respeito de nós mulheres, eles acreditavam que nos faltava à razão e pela falta de tal o nosso raciocínio era inferior, assim sendo fomos excluídas da genialidade, contudo, nos foi dado um crédito de confiança no mundo da literatura e das ciências menores. E sabe por que tais ilustres figuras chegaram a esta conclusão?


Basearam-se numa “psicologia natural” e por conta, passaram a nos enxergar como o ser de paixão e imaginação não de conceito. Entre os “iluminados” destaco a figura de Rosseau, cujo pensamento a respeito da mulher é um gracinha. Diz ele, entre outras pérolas: “ O mundo doméstico é o livro das mulheres, e não há qualquer necessidade de qualquer outra leitura”. Mas tem mais: embora reconhecesse que existia na mulher um “tiquinho” de razão - inferior ao do homem, naturalmente - e por isso mais simples e elementar, e que teria de ser empregado pela mulher no cumprimento de seus deveres naturais, que compreendia obedecer ao marido, ser-lhe fiel, cuidar da casa, dos filhos etc.


Ficando dito ainda, que à mulher não cabia a procura da verdade absolutas e especulativas, os estudos filosóficos e matemáticos pois essas coisas não estariam ao alcance do raciocínio da mulher. E dentro dessa inferioridade, como alcançaria a mulher a sua cidadania? Só através de papeis sociais: esposa, mãe, dona de casa.. Nenhuma competência mais e nem atributos lhes restaria E nesse pensar “iluminista”, fica estabelecido que “ o homem é a causa final da mulher. Coisas do século XVIII...

(com os meus agradecimentos a José Roberto, com o qual contei para a elaboração deste texto)

VIVA A BRASILIDADE DE ARIANO SUASSUNA!



Apanhei o quengo de beber água que estava na boca do pote, enchi de garapa e passei pro bucho junto com duas pílulas de rapadura, uma das últimas novidades em matéria de complementação alimentar inventada por um laboratório farmacêutico do Estado de Pernambuco. Em seguida fui até a camarinha em busca de qualquer coisa pra ler, mas o que encontrei foi uma revista de páginas amareladas, danada de velha, que estava em cima do jirau.


Foliei a distinta e tomei o rumo do terreiro pra me sentar num tamborete perto dum pé de bonina ai que me deparei com uma entrevista do escritor Ariano Suassuna. Lida e relida a tal da velha entrevista, só me resta indagar se a esta altura ele já mudou de opinião ou continua como antes, pois vos digo: vixe Maria, esse menino! Mais nacionalista, mais nordestino do que o homem não hai de ter. No dizer de seu Ariano, em se tratando de arte, quase tudo por aqui é de quinta categoria.


Para o mesmo balaio , lá se vão as obras de Tom Jobim, Orlando Silva, o rock, o tropicalismo com Caetano e Gil e qualquer um brasileiro que arrote coca-cola. E vá falar de multinacional perto da ilustre figura verde-amarelo pra ver uma coisa! Não é por nada não, visse?, mas troncha de inveja diante de tanta brasilidade, eu havera de indagar: mestre Suassuna, que má lhe pregunto, vosmecê escova os dentes com dentifrício ou casca de juá? Usa sabonete ou sabão de coco? Faz a barba com gillete ou com peixeira? Passa margarina ou manteiga do sertão no pão francês ou come broa de milho? Permite passar Bombril nas panelas da casa ou são lavadas com areia e esfregão de bucha? Escreve com bic ou pena de pato?


Me adesculpe seu mestre, mas eu quero saber mais: se tudo ou quase tudo MADE IN BRAZIL, é produto de empresas ligadas a grupos multinacionais e vossa xenofobia não lhe permitiu nem ao menos receber, tempos atrás, o prêmio Sharp com o qual foi agraciado, unicamente por conta do nome da empresa, como é que fica, pois, andar de avião, possuir carro, apreciar as novelas de cunho rural no aparelho de TV; usar um relógio de pulso ou de algibeira, dizer um alô ao telefone ET cétera?


Alumbrada com o jeito de ser de seu Suassuna e enquanto cismo, vou enrolando o meu cigarrinho de palha, bebericando dois dedinhos de genebra, procurando sintonizar aqui no meu radinho de pilhas – que está aqui no meu pé de ouvido – a Rádio Rural. Não é possível que por lá não toque o cego Oliveira e a sua rabeca mágica e o locutor não me indique um folheto de cordel, e por fim, não me faça ouvir uma bela embolada ou um galope, apontando ainda um bom programa tipo fandango, João-redondo, ciranda, pastoril, bumba-meu-boi e por ai vai.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MANUELA, MANUELA...


Nasci pobre, em termos de escala social é o que se pode chamar de pauperismo, sem berço. Recebi o nome de Manuela, aguardavam o nascimento de um varão, que se chamaria Manuel e apenas por castigo de ter nascido mulher meu pai me pos o nome de Manuela, incomum entre os nomes do lugar onde nasci e onde ainda nascem tantas outras crianças pobres e se criam apenas para contrariar os princípios de saúde, higiene e nutrição.


Não tive na infância o amor nem tampouco o carinho que uma criança precisa, embora não fosse diferente de nenhuma outra, gostava de brincar, de preferência sozinha, buscando na imaginação um outro mundo cheio de fantasias.


Atingi a adolescência cercada das dificuldades que me viram nascer. Por essa época tinha um gosto acentuado pela leitura; e a leitura comum entre o nosso meio eram os folhetos da literatura de cordel, sempre arranjava um jeito de os comprar na feira aos sábados. Algum tempo depois descobri na cidade onde morava uma biblioteca, passando a ter contato mais direto com os livros, principalmente os romances, que iriam povoar mais ainda a minha imaginação .


Fui criando outra mentalidade, a pequena visão que tinha do mundo alargou-se; descobri outros horizontes, a nossa pobreza, que até então não considerava passou a ser incômoda. Também não via com bons olhos a diferença de classes essa senti na pele aos dez anos de idade quando pretendi participar de uma festa de aniversário. Quis ser criança, igual àquelas que se divertiam num imenso casarão; entrei sem ser convidada, mas o meu vestido remendado e os meus pés descalços denunciaram a minha condição de pobre. Eles eram ricos. Puseram-me para fora do portão.


Tinha consciência das nossas dificuldades financeiras e embora achasse incômoda a pobreza não me revoltada pelos meus vestidos remendados sem pelos meus sapatos rotos. Havia descoberto uma coisa muito minha: a minha imaginação, que a cada dia se tornava mais fértil pelo hábito adquirido da leitura.


Passei a achar o mundo real muito complexo e exigente. As pessoas que nele viviam eram medidas e pesadas pelos valores matérias para depois serem separadas em classe. Senti que não havia lugar para mim nesse mundo. Quixotescamente criei o meu próprio. Fiz com o meu corpo a armadura; da minha rede o meu cavalo; do livro a minha lança; da minha imaginação os caminhos à percorrer.


Fui rainha, fui princesa, tive jóias, castelos e roupas finas. Viajei por terras distantes, por mim lutaram e morreram garbosos príncipes. Sentei-me na primeira fila dos bancos das igrejas e ouvi meu nome ser citado pelas doações generosas.


Os dias iam passando, a monotonia da vida real não me atingia, as aventuras criadas e vividas me enchiam quase todas as horas. O meu comportamento aos poucos foi chamando a atenção dos meus pais Já não levantava da rede, a não ser para as necessidades mais prementes e quando o fazia, meu porte de rainha e as minhas exigências à mesa ao notar a falta de toalha, talhares, taças, guardanapos, muito irritavam a minha mãe. Não tínhamos essas coisas. - "Só podia tá com um encosto" – dizia minha mãe – "ora onde já se viu uma moçona dessa não querer fazer nada! O diabo desses livro tão te deixando abilolada! É bem um esprito que ta te atanazando, tou cum vontade de chamar a comade Marluça pra dá uns passe"


Consultada a comadre Marluce e constatado por ela que realmente eu estava com um "encosto", foram feitos os acertos para uma sessão espírita. Esta realizou-se numa sexta-feira. Por mais concentrada que demonstrasse estar, não conseguiu a comadre Marluce que o "espírito" invocado baixasse. Depois de algumas rezas e benzeduras deu-se por encerrada a sessão.


Como não mostrasse sinais de melhora durante os dias que se seguiram, isto porque continuei entre aos meus devaneios - no que muito contrariavam meus país – estes acharam por bem providenciar, sem mais tardar, um noivo para mim. Um nome foi lembrado: João, o filho do compadre Antônio.


-"Ôxente, por que não me alembrei disso antes! – exclamou minha mãe.

- " Inté que é um bom casamento, João tem emprego seguro, é cabo de polícia" – acrescentou meu pai.


Foi um dia de domingo, previamente combinado, que o João veio até nossa casa; eu havia ganho sapatos e vestido novos, minha rede foi desarmada da sala, a casa foi limpa e arrumada. Também estava entusiasmada com a idéia de um noivo, seria o meu príncipe encantado,adorava homens de farda, cheio de estrelas e condecorações, ele por certo seria alto, forte e valente!


Finalmente chega meu pai e com ele o João. Este ficou parado na soleira da porta. - "entra home! Vai se abancando, tira o boné e fica a vontade e pra começo de conversa vamo tomá uma lapada de cana pra esquentá as idéia' – falou meu pai – e apontando para mim, disse: - "aquela lá é a Manuela".


Olhei fixamente aquele tico de homem , desengonçado dentro de uma farda mal talhada; seu ar era de aprovação, sorria largamente e pude ver debaixo do seu grosso bigode dois solitários caninos. Fechei os olhos com bastante força, já havia criado uma imagem perfeita para o meu João. Aquele homem que estava à minha frente fugia completamente ao esperado! Mas, bem que eu poderia resolver a situação... ele seria como eu queria que fosse! Meus olhos se abriram, só que dessa vez reconheci o meu garboso João, que não era mais cabo e sim capitão. Daí por diante as coisas foram ficando mais confusas na minha mente, vagamente me lembro de minha mãe chorando pelos cantos da casa e o meu pai mais sério.


Num dia qualquer distingui pessoas sempre vestidas de branco que se movimentavam apressadas por um imenso corredor... Depois dessa visão perdi a noção das coisas por completo... por um longo espaço de tempo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DE REPENTE NADA MAIS QUE DE REPENTE


É a tal história: um belo dia você acorda, passa a mão no travesseiro ao lado e descobre que ficou sozinha... Então, de repente, nada mais que de repente, começa a achar a vida uma bela droga e se sente digna de pena, mas por um orgulho besta , se basta com a pena que sente por si própria.


Tem quem fuja dessa situação, varando noites queimando as pestanas tentando devorar um "Crime e Castigo", com suas 652 páginas ou até mais umas 762 dos "Os Miseráveis". E quando o amargou da boca sêca e reclama mel, eis que surge em sua mente uma histórinha que nem esta:


Um belo dia um homem se escondeu num poço para escapar ao furor de um elefante, o pobre diabo ficou suspenso pelas mãos a dois ramos de um arbusto deitado na boca do poço, seus pés tocavam qualquer coisa junto à parede, eram quatro serpentes fazendo emergir suas cabeças. Olhou para o fundo do poço vi um dragão, a goela aberta esperando que a presa caísse.

E então ergueu os olhos para o arbusto e viu dois ratos que roíam os dois ramos sem cessar.


Enquanto ele pensava na situação e considerava o seu caso, viu ao seu lado uma colméia plena. Provou o mel, tão saboroso que se esqueceu do seu drama e cessou de pensar nos meios de escapar aos perigos por que passava. Não pensou nas quatro serpentes que tocavam os pés, esqueceu-se dos dois ratos ocupados em cortar os galhos, parou de pensar que uma vez cortados os galhos, cairia sobre o dragão. Distraído, tranqüilo, absorveu-se no sabor do mel até que caísse na goela do dragão e morresse. Pois é, ainda bem que pra esta noite eu tenho aqui o João Ubaldo Ribeiro com o seu


"Viva o povo brasileiro" e suas 673 páginas...

Fazer o quê...?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

PENSAR NÃO DÓI


Ainda bem que pensar não dói... Mas que eu estou com vontade de, feito a gente de que fala Simon Bolívar, de “arar o mar”, tô, afinal, por esses dias devo receber visitas importantes , que vai me deixar feliz e preciso arrumar a casa,varrer a areia e como já disse: “arar o mar”.


Enquanto as visitas não chegam, penso. Penso aqui nesta minha vidinha boa, não me importando se o santo venerado seja o padrinho padre Cícero do Juazeiro ou Nossa Senhora Aparecida. É tutto cosa nostra. Pouco me importando, também, se o que nos é servido seja leite ou café, será frio do mesmo jeito! Como disse, estava aqui pensando e quando penso dá um “reboliço” na minha cabeça...


Alguém dúvida que este mundo foi sempre um vale de lágrimas? Eu acho que sim, ora nem o Filho do Criador escapou quando pôs os pés por aqui ! Fico imaginando também nos grandes pensadores que viveram no século passado, tendo a Europa como berço e que foram testemunhas sensíveis das tragédias da época, levando-os a descrer, muitos deles, que este planeta fosse sustentado pelas mãos de um Deus inteligente e benévolo e outros tantos, diante do problema do mal, erguiam “uma interrogação muda às estrelas indiferentes, a indagarem por quanto tempo, ó Deus, e por quê?


Seria calamidade universal a vigança de um Deus justo contra uma Idade da Razão e da descrença? Seria um chamado ao intelectopenitente para que se curvasse diante das antigas virtudes da fé, esperança e caridade? Nisso acreditavam Schlegel, Novalis, Chateubriand, Musset, Southey, Wordswort e Gogol; e eles voltaram-se para a velha fé tal como filhos pródigos contentes de regressarem ao lar.


Mas outros tinham uma resposta mais dura: a de que o caos não era senão o reflexo do caos do Universo; que não havia afinal ordem divina nem nenhuma esperança celestial; que Deus, se é que existia, estava cego e que o Mal proliferava na face da Terra. A este último grupo pertenciam Byron, Heiine, Lermontof, Leopardi e Schopenhauer” ( A Filosofia de Schopenhauer).


De minha parte, embora reconhecendo a continuidade da degradação terrestre, não custa nada ter um pouco de fé e esperança em Deus, já que não faz mal a ninguém e que apesar dos pesares, prevaleça em todos nós uma “visão consoladora de uma vida mais ampla, em cuja beleza e justiça final esses males horrorosos que nos assaltam se dissipem.”

"CONFISSÕES" DE PROUST - SEGUNDO MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO


Sugestão aceita, senhora dona escritora MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO e lá vamos nós tentar responder o que o Proust chamava de “confissões” e com as quais questionava os amigos:
QUAL SUA IDÉIA DE FELICIDADE COMPLETA?

Digo o que já foi dito: “Não é felicidade coisa fácil; mui difícil de encontrar-se em nós, impossível de achar-se alhures” ( coisas do senhor Schopenhauer). Mas ela existe sim, na condição de estado de espírito

QUAL A FIGURA HISTÓRICA QUE MAIS SE IDENTIFICA?

O apóstolo Paulo, gosto muito dele, tem uma coisa dita por ele aos Romanos, ligada a “esperança” que costumo pensar, é o seguinte: “ Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como esperará?”.

QUAL A PESSOA QUE MAIS ADMIRA?

Admiro muitas pessoas, principalmente as inteligentes, as cultas, as educadas, as sensíveis, as que sabem respeitar, amar e serem solidárias nos momentos bons e difíceis dos semelhantes.
QUAIS SUAS CARACTERÍSTICAS MAIS MARCANTES?Não saberia apontá-las, sou tão comum...

QUAL SUA CARACTERÍSTICA MAIS DEPLORÁVEL?

Vale dizer que sou um “tantinho” gaga?

QUAL A CARACTERÍSTICA QUE MAIS DEPLORA NOS OUTROS?

É muito relativo essa coisa de avaliar pessoas, posso não gostar de um determinado comportamento de alguém e aí vem outro e nem liga. Assim, tem quem goste de azul e outro de amarelo.

QUAL A SUA MAIOR EXTRAVAGÂNCIA?

Não as cometo, sou tão desligada, sou tão meu mundo que às vezes esqueço que tem vida lá fora e que as pessoas têm desejos de consumo.

QUAL A SUA VIAGEM PREDILETA?

A que não sai do lugar, eu viajo na velocidade da luz através do meu pensamento, num instante posso estar no Rio, Brasília,Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo, Phoenix, Veneza, Áustria, Alemanha, Roma, Itália etc etc.

O QUE LAMENTA NÃO TER FEITO?

Não costumo me lamentar de nada, se não aconteceu paciência, fazer o quê?

QUAL O MAIOR AMOR DE SUA VIDA?

Eu tive e tenho amores na minha vida: amor pela família, pelos amigos e devo ter guardado no peito um amor maior.

ONDE E QUANDO FOI MAIS FELIZ?

O meu estado de espírito sempre me deixa feliz, seja onde for; no presente tenho vivido momentos felizes em que pese as circunstâncias.

QUAL SUA MAIOR REALIZAÇÃO?

Ter casado com o Cláudio e ter tido os filhos maravilhosos que tenho
SE PUDESSE VOLTAR À VIDA COMO OUTRA PESSOA QUE SERIA?ZÉLIA MARIA DE OLIVEIRA FREIRE
QUAL A SUA OCUPAÇÃO PREFERIDA Navegar na internet, conversar com os amigos( adoro), ler e escrever

QUAL A QUALIDADE QUE MAIS ADMIRA EM UM HOMEM? E EM UMA MULHER?

O caráter, a integridade, inteligência, a honestidade, os princípios que norteiam tudo o que foi dito.
O QUE MAIS VALORIZA NOS AMIGOS?

Tudo, os nossos verdadeiros amigos não têm defeitos, são perfeitos, por isso valorizo tudo.

QUAIS SÃO OS SEUS ESCRITORES FAVORITOS?Machado de Assis, Clarice Lispector, Thomas Mann, Gustave Flaubert, Ghoethe, Stendhal, Eça de Queiroz, Victor Hugo, Emile Zola, Camões, Pirandello , Molliere e outros tantos.

QUAL O SEU HERÓI NA VIDA ATUAL ?Todo aquele que ganha menos de um salário mínimo e consegue sobreviver
COMO GOSTARIA DE MORRER

Não gostaria.

QUAL O SEU LEMA?

“Deixo a vida me levar/ vida leva eu”

Missão cumprida, senhora dona escritora MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO E...................PUBLIQUE-SE E INTIME-SE

JA ESTOU PENSANDO EM 2009


2008 – Quantos obstáculos. Vencidos...? Pouco importa. Há consolo. Está escrito no ato IV do “Hernani”, de Victor Hugo, as palavras de sinal dos conjurados: ad augusta per angusta- “ Só se consegue a virtude depois de vencer os obstáculos”. E se 2009 a dose for repetida, que venha pois; mesmo sem ser conjurada, o que vier eu traço, e veja, que eu não almejo nem a virtude.

Enquanto divago, ouço Plácido Domingo interpretando C’est toi?...C’est moi?... de “Carmen” de Bizet, pronta para encarar uma noite insone , sozinha, quando eis que, diante de mim, alguns amigos. Chegaram de mansinho, sem muito alarde. Desceram das prateleiras da estante. O primeiro a quem cumprimento é René Descartes. Dele recebo Discurso do Método; Meditações; Objeções e respostas; As paixões da Alma e Cartas. O pai da filosofia francesa, a mim só disse: Cogito, ergo sum, que Santo Agostinho apressou-se em traduzir: Penso, logo existo.

Recebo de Agostinho as suas Confissões e o De Magistro, acompanhado do lembrete: Ficisti nos ad Te ET inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te – Naturalmente, pedi tradução. Paciente, Agostinho repitiu em bom português: Criastes-nos para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós. Agradeço e me volto para Platão e Xenofonte, que discutiam os últimos combates satíricos de Aristófones dirigidos a Sócrates, que presente e indiferente, passa os olhos nas folhas locais, para em seguida, num gesto que traduz enfaro, jogá-las por sobre o sofá. Com esse gesto, acrescenta: Uma coisa eu sei – é que não sei nada e completou: contudo, só os inteligentes deveriam governar, mas infelizmente os intelectos não são tão numerosos quanto os narizes.

Quando Sócrates terminou o seu pequeno discurso, Maquiavel, que estava atento, não se conteve e lembrou aos presentes um de seus conselhos dado ao Magnífico Lorenzo de Médicis, o que diz: Convém saber que existem duas maneiras de combater pelas leis e pela força. A primeira é própria dos homens; a segunda é própria dos animais (...) Já que um príncipe deve saber utilizar bem a natureza animal, convém que escolha a raposa e o leão; como o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender dos lobos, é necessário ser raposa para conhecer as armadilhas, e leão para meter medo aos lobos.

Voltaire, que dava voltas pela sala, com ar solene sentenciou: Não podem todos os cidadãos ser igualmente generosos, mas todos podem ser igualmente bons. Como? – indagou Schopenhauer – se a vida humana transcorre inteiramente entre o querer e o conquistar.

Noutro canto da sala, surpreendeu-me a conversa entre Benjamim Constant e Nietzsche. O primeiro afirmando: O amor é o mais egoísta de todos os sentimentos e, consequentemente, quando contrariado é o menos generoso. Olhar perdido, Nietzsche retrucou com uma citação francesa: Dans Le varitable amour c’est l’ame qui enveloppe Le corps – No amor verdadeiro é a alma que envolve o corpo.

Alguém que eu não lembro tomou da palavra e disse: Existem apenas três coisas de valor neste mundo: justiça, beleza e verdade, e talvez nenhuma das três possa ser definida. Aí Platão resmungou: uma delas em defino. A “Justiça”, que é o ter e o fazer aquilo que nos cabe.
Quem desceu atrasado foi Montaigne, mesmo assim saiu-se com esta: Todos têm tendências para agravar o pecado de outrem e atenuar o próprio. E não raro até as próprias pessoas encarregadas de os esclarecer os classificam mal. Nada mais disse nem lhe foi perguntado.

Já que estou em tão boas companhias, agora é só retirar da adega um Rouge de France – safra impar ou champanhe Moet & Chandon, aguardar as solenes badaladas da meia noite, fazer de conta que já chegou o fim do ano e levantar o brinde: Feliz 2009 antecipado pra mim, para os amigos, para você meu caro leitor, minha cara leitora!

AY QUE VIDA MÁS INGRATA, VOY A ME MATAR


Já que tudo por aqui está tão apático e eu com cara de herói vencido, que só me dá vontade de dizer que nem o meu ídolo macaco Simão: “Ay que vida más ingrata, voy a me matar. Pum!”
Tal qual o macaco Simão errei o tiro e desisto. E parto em busca de assunto para esta crônica, que por sorte já achei.

E vamos nós:
Existe uma frase dita à atriz Fernanda Montenegro pelo então vivo Nelson Rodrigues, que diz o seguinte: “ O problema da literatura brasileira é que nenhum personagem dela sabe bater um escanteio”.

Por empréstimo tomemos a frase do Nelson, acrescentemos ai a falta de amor à camisa e apliquemos aos times dos POLÍTICOS, dos EMPRESÁRIOS e dos SINDICALISTAS. Feito isso, imaginemos uma disputa de campeonato entre os três times citados, sob a supervisão de um só técnico.

Sem a verve nem os conhecimentos abalizados do Falcão, atrevo-me a apresentar a minha análise:
E começa o campeonato: o jogo mostra-se uma verdadeira pelada, a galera esboçando sinais de impaciência, insulta os jogadores, xinga a mãe do juiz, denuncia os cartolas, parte da torcida organizada faz coro com as vozes de alguns comentaristas mais exaltados, pedindo a degola do técnico.

O time dos POLÍTICOS aponta as suas próprias falhas, mas não assume os seus erros, sem conjunto, apostando no individualismo dos seus jogadores, insiste nas jogadas de bola alta e pra fora e no jogo pelo meio, enquanto alguns torcedores exigem as jogadas de ponta. Os jogadores não acertam o pé nas batidas de pênalti e escanteio, nem tão-pouco mostram empenho nos chutes a gol.

O time dos EMPRESÁRIOS, preocupado em ganhar para lançar mão da renda do jogo, tenta por todos os meios driblar o adversário e tome falta desleal. O juiz vê, ameaça, mas não pune.

O time dos SINDICALISTAS joga dura, subestima o adversário, desacata o juiz, recebe cartão amarelo e vermelho. Desfalcado e sem muita técnica, corre o campo todo, cansa no primeiro tempo e perde o jogo.

O juiz por sua vez, diz que aplica o regulamento e não aceita a insinuação de que tem o rabo preso feito pelo time dos sindicalistas. Fará constar na súmula tal desrespeito, pedindo a aplicação das sanções legais, inclusive multa para o time infrator.

Os cartolas encastelados no poder, preocupados na aplicação da “Lei do Gerson”, cobram comissão até na venda de algodão-doce nos portões dos estádios.

O técnico, seguro de si, não aceita quebra de contrato, o clube está falido e a multa em caso de rescisão é pra lá de alta. Com dois anos de contrato pela frente, vai botando a sua banca, não admite intromissão no seu trabalho e nem aceita imposição para a troca de jogadores e exige mais poder e mais verbas para novas contratações e enquanto vai acumulando derrotas, solta os cachorros em cima dos seus pernas-de-pau, exigindo um time de machos,

Os comentaristas botam a boca no trombone, denunciam a evasão de renda, apontam os culpados, taxam os jogadores de mercenários, alegando que os mesmos jogam de sapato alto e só pensam no faturamento em dólar com a venda de seus passes. Quanto ao técnico toda adjetivação depreciativa já foi usada contra ele. De maneira funesta anunciam que o nosso futebol chegou ao fundo do poço..

E assim, sem vencidos nem vencedores, termina o campeonato; para nós torcedores, só resta tirar a camisa, enrolar a bandeira e chorar a nossa derrota.

MAS QUE DÓI. DÓI


Pois é, meu finado general, o Brasil continua indo bem, o povo, para não variar, é que nem tanto. Isto por que sai amo entra amo e cada um que torça com mais força as nossas pernas; que nem a história do escravo Epíteto, a quem o amo tratava com permanente crueldade. Um dia o tal amo não tinha o que fazer resolveu matar o tempo torcendo a perna de seu escravo. Se continuar – disse calmamente Epíteto – vai quebrar a minha perna. O amo continuou e a perna foi quebrada. Eu não disse – observou suavemente Epíteto – que iria quebrar a minha perna?


Quando tomo conhecimento do fechamento de hospitais, mesmo os meios de comunicação exibindo diante dos nossos olhos os seus corredores lotados de pessoas com o sofrimento estampado na face, que aceitam o não atendimento com a paciência de Jó e voltam para suas casas, onde vão curtir os seus males tomando um chazinho qualquer. Então, fico imaginando até quando suportará essa nossa gente que o amo lhe torça a perna?


Quando eu vejo as telinhas exibindo as caras assombradas dos nossos velhos de mãos trêmulas, segurando suas receitas de medicamentos de uso contínuo diante de um balcão de farmácia, sem saber o que fazer, pois dinheiro que é bom de sua aposentadoria não sobra para aquisição do receitado e pacientes voltam para suas casas, só lhes restando esperar que a pressão suba, o coração acelere, os ossos se partam, a esclerose apague o juízo e o diabetes o conduza ao coma. Então, eu me pergunto... Meu Deus, por que permitiu que a nossa gente fosse torcida a esse ponto!


Quando eu vejo... quando eu vejo... quando eu vejo... E eu vejo tanta coisa na condição de espectadora passiva e cega com visão, que por força das circunstâncias apenas o coração se sente torcido... Mas, adianta reclamar? Melhor e mais cômodo é seguir a filosofia oriental dos três macaquinhos: eu não vejo, eu não escuto, eu não falo.


Mas que dói, dói.

Ô VIDA LOUCA!


Ontem fui dormir no céu e acordei num bruto de um inferno. E cá estou, tentando identificar o diabinho que me puxou pelo pé e me jogou nesse caldeirão que por direito lhe pertence e eu não posso bem dizer como entrei.

Mas, como tudo tem a sua razão de ser, acabo de descobrir o porquê do gosto amargo na boca, da sensação de desconforto, da vontade de falar com as paredes. É que antes de adormecer, por conta da mania que tenho de ler alguma coisa, a leitura foi “A Divina Comédia, de Dante e noite adentro passei pelo Céu e Purgatório , para ver raiar o amanhã no maldito do Inferno. E dele, assim Dante inicia o seu relato:

No meio do caminho da nossa vidaEncontrei-me numa selva escura,Porque me tinha extraviado da via do bem
Ah, quanto é árduo e doloroso dizer qual eraesta selva selvagem, áspera e infranqueávelda qual só a lembrança me renova o terror!
(...)
Era o momento em que a manhã se levanta,E o Sol subia com as estrelas,Que o acompanham, quando o Amor divino
Criou primeiro estas coisas belas;De modo que esta hora do dia e a doceestação fizeram-me conceder toda a esperança
(...)
Eis que quase ao começar a subida.Apareceu uma pantera ágil,Que de pêlo manchado era coberta;
Ela não se me afastava dos olhos:Pelo contrário, impedia-me muito o caminho,Que, por várias vezes, estive para voltar para trás.
(...)
Esta me atemorizou tanto, com o horror queProvinha do seu aspecto, que eu perdi a esperançaDe atingir o alto da colina que me dispunha a subir
E como aquele que com muito gosto ganhaQuando chega o tempo que o faz perder,Sem descanso chora e se entristece

Ai nessa parte acho que dei um conchilo, para despertar com essa sensação de que o inferno é aqui e agora.

ZÉLIA, UM SER METAFÍSICO




Ah, se me fosse possível reduzi toda a existência do meu pensamento

e de forma subliminar deixasse de atuar em mim estímulos suficientes para que eu não tomasse consciência do concreto que me exaspera, dando lugar ao abstrato onde a representação figurativa não transcende as aparências exteriores da realidade Quero fugir dessa realidade।

Quero fugir de mim mesma।

Porque já não sei mais quem sou;

se sou real,

se existo

Transcendo

E me torno dificil de compreender

e sem ser filosoficamente profunda, cabe-me tão somente a adjetivação

de um

ser METAFÍSICO


sábado, 1 de novembro de 2008

DA DIGNIDADE HUMANA


DIGNIDADE: Autoridade moral;Honestidade, honra, respeitabilidade,Autoridade. Decência, decoro.Respeito a si mesmo; amor-próprio,Brio.

Respeito a si mesmo... Amor-próprio... Brio. Se me sentisse vilipendiada no que diz respeito a minha dignidade, recorreria a quem? A Organização das Nações Unidas (ONU), que expressa em Carta que todo ser goze de máxima liberdade e dignidade. Ou me valeria da Proclamação da Conferência Internacional de Direitos Humanos de Teerã, de 1983, que trata do mesmo objetivo no art. 13 do Pacto Internacional de Direitos Civis; e no art. 5 da Carta Africana?

Mas também poderia me socorrer de São Tomás de Aquino, que entende o termo dignidade como algo absoluto e que pertence à essência, e segundo a professora do Centro de Pesquisa Jurídica Sílvia Mota, é “premissa básica do jusnaturalismo, é o reconhecimento no homem de sua própria dignidade, fazendo desprezar eticamente condutas incompatíveis com tal condição, o que parece também, na consideração finalista kantiniana da pessoa”.

A professora Sílvia reconhece coincidências de pontos de vista entre Kant e São Tomás de Aquino, vejamos então, a fundamentação da dignidade da pessoa pela ótica de Kant.
Kant rejeita a filosofia do ser e cria condições para a afirmação da filosofia da consciência onde sustenta a dignidade humana fundamentada no pensamento estóico, em São Tomás de Aquino e em Rousseau, cujos princípios são os seguintes:

“O estoicismo declara que a dignidade humana, não um dado, mas um ideal, afirma-se na possibilidade do homem usar a sua razão nos juízos e procedimentos sujeitos a ele.
São Tomás de Aquino exprime a concepção cristã do amor de Deus a todos os seres humanos, imagem e semelhança do Criador, independentemente de suas condições. O homem deve, por conseqüência, amor e respeito a todos os seus semelhantes porque e enquanto pessoas.

O pensamento kantiano sobre a dignidade humana se inscreve nessa tradição cristã, que atribui a cada ser humano um valor primordial, independentemente de seu mérito individual e de sua posição social; mas Kant tenta fundamentar essa idéia de uma maneira que não deve nada às pressuposições teológicas. Ele afirma que a fé religiosa se deve fundamentar no conhecimento moral, e não ao contrário.

Kant colhe, ainda, de Rousseau a noção de vontade geral da esfera política e a transfere para a razão prática, visto que a legislação moral não pode ser imposta por uma vontade estrangeira ao ser humano maduro.” (trecho extraído do livro de Paulo Cesar da Silva (Antropologia personalista de Karol Wojtyla - João Paulo II )
Isto posto, fico com a interpretação da professora Sílvia Mota, que reconhece no homem a sua própria dignidade, fazendo desprezar eticamente condutas incompatíveis com tal condição.

DANÇA DA SOLIDÃO


Madrugada chegando... E eu aqui raciocinando sobre coisas simples e tentando conduzir a minha razão para descobrir as verdades que eu ignoro, sabendo eu que para alcançar o meu intento terei que pesquisar os primeiros princípios do conhecimento, a tal da metafísica, para alcançar a verdadeira filosofia.

Paro de pensar para reiniciar a leitura “De Vita Beata” de Sêneca, e quanta coisa diz Sêneca... Sobre felicidade: Todos querem viver felizes, mas não vêem nitidamente o que faz a felicidade”. Sobre a vida diz ele: “ A respeito da vida, jamais se julga, crê-se sempre”. Sobre o ser sábio: “ Tornar-nos-emos sábios, contanto que saiamos da multidão”. Sobre o soberano bem: “Conformar-se com a lei da natureza e com o seu exemplo, eis a sabedoria e acrescenta: “A vida feliz está de acordo com a sua natureza”

Esses conceitos de Sêneca me conduzem até Descartes, precisamente às suas explicações através de cartas dirigidas a princesa Elizabeth de Haia, (1645) que segundo o filósofo, pecava pelo intelectualismo e por ser mais cartesiana do que ele próprio ( a princesa era uma matemática digna de nota). Descartes não concordava com Sêneca em sua totalidade e sobre o “soberano bem” acrescenta três opiniões entre os filósofos pagãos:

A de Epicuro, que disse que era a voluptuosidade;A de Zenão, que pretendeu que fosse a virtude; eA de Aristóteles que a compôs de todas as perfeições, quer do corpo quer do espírito.
Para aceitar tais opiniões e acolhê-las como verdadeiras e acordadas entre si, que as mesmas fossem favoravelmente interpretadas, sugeriu Descartes, “pois, tendo Aristóteles considerado o soberano bem de toda a natureza humana em geral, isto é, o que pode possuir o mais completo de todos os homens, teve razão de compô-lo de todas as perfeições de que é capaz a natureza humana; mas isto de nada serve para o nosso uso.”

“Zenão, ao contrário, considerou aquela que cada homem em seu particular pode possuir; eis por que lhe assistiu boníssima razão ao dizer que consiste apenas na virtude, porque não há, entre os bens que podemos ter outro, exceto ela, que depende inteiramente do nosso livre arbítrio. Mas representou esta virtude tão severa e tão inimiga da voluptuosidade, tornando todos os vícios iguais, que só houve, parece-me, melancólicos, ou espíritos inteiramente separados do corpo que pudessem ser seus sectários.”

“Enfim, Epícuro não errou ao considerar a voluptuosidade em geral o contentamento do espírito; pois ainda que o exclusivo conhecimento do nosso dever nos pudesse obrigar a praticar boas ações, isto não nos faria, entretanto, gozar de qualquer beatitude, se daí não nos adviesse nenhum prazer. Mas como se atribui amiúde o nome de voluptuosidade a falsos prazeres, que são acompanhados os seguidos de inquietude, aborrecimentos e arrependimentos, muitos acreditaram que esta opinião de Epícuro ensinava o vício; e com efeito, ela não ensina virtude.

E de tudo o que foi dito nada me basta. O que me basta é Marisa Monte , que me está fazendo companhia, com a sua “Dança da Solidão”, onde canta que a solidão é larva que cobre tudo, é amargura na boca , é dente de chumbo sorrindo, é solidão palavra cravada num coração resignado e mudo no compasso da desilusão, desilusão essa que danço eu dança você na dança da solidão.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

HOJE FAÇA COMO O SÁTIRO, FUJA DE MIM


Hoje estou pedindo para o mundo parar e eu descer. Hei Chico! O dia pra mim começou que nem aquele da modinha que diz: tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu. Sei lá! Sei lá! Mas, se a educação me permitisse eu com certeza, soltaria um palavrão, mas que droga! Que droga! A coisa trava na garganta e eu rebento os dedos chutando as pedras que encontro no meu quintal. Agora me pergunte por quê. Digo não, já que nem eu sei o porquê, só sei que estou zangada. Pode não?

Eu não sou sábia, mas me vejo às vezes soprando com mesma boca o calor e o frio e isso me confunde. Não veja conotação, mas o grego Eurípedes deixou dito que os sábios têm duas línguas, uma para dizer o que pensam e a outra para falar conforme as circunstâncias: quando o querem, têm talento para fazer o preto parecer como branco e o branco como preto, soprando com a mesma boca o calor e o frio e exprimindo com palavras exatamente o contrário do que sentem no peito.

Conheço um apólogo atribuído a Aniano a respeito de soprar com a mesma boca o calor e o frio, eis: No máximo rigor do inverno, um camponês recebeu um sátiro em sua cabana. Ao ver que o camponês soprava os dedos, perguntou-lhe o sátiro: “ Por que faz isso?” – ao que respondeu: “ Para me esquentar com o calor do bafo”. Mas tarde, posta a mesa, vendo o sátiro que o camponês soprava a comida muito quente, perguntou-lhe por que fazia o mesmo com a comida.


Ao que respondeu o camponês. “ Para esfriá-la”. Então, o sátiro levantou-se subitamente e lhe disse: “Como?! Pela boca mesma boca, você põe para fora o calor e o frio? Ah! Não quero negócio com essa gente”. E assim dizendo, saiu a correr.
Hoje, faça como o sátiro, saia correndo de mim...

MENOS ZÉLIA, MENOS...


E lá vamos nós pra a escrita do dia, mas antes vou dá um “cala boca” aqui no Caetano, que está se lamuriando no meu ouvido, numa dessas FM da vida com uma cantiga que diz não sabe o que vai fazer da vida sem você/ você não me ensinou a te esquecer e que vai procurar os teus abraços noutros braços e por ai vai. Calado o Caetano, a irmã Bethânia começa reclamando também com o tal do “Negue”. Ufa!

E agora, o que direi, estou procurando em mim um olhar sobrenatural “para entender a existência de tantos destinos rotos e obscuros”. Mas deixa pra lá, “gente humilde, tarefas humílimas”. Quem se importa com eles, não são formadores de opinião, apenas se preocupam para comer.
Ah meu caro leitor, está difícil de extrair desse nosso cotidiano palavras de encanto que possam contribuir para um exercício de perspectiva otimista do tipo... bons tempos virão...

Menos Zélia, menos, afinal, brasileiro tem memória curta, é bonzinho e fortinho, fortinho, não estamos nem ai pra aperreio, isso a gente tira de letra, sempre damos um jeitinho. Para sair do vermelho tem uns que ocupam um O900 e passam a soltar suas “consultas” exotéricas; outros conseguem um mandato “evangélico”; ainda outros seguem para os States, aperfeiçoam o inglês, faz um curso de economês em Harvard, na volta saem por este Brasil afora dando palestras a peso de ouro, naturalmente deitando falação a respeito da nossa eterna crise econômica. Outros fundam um partido político, para em seguida venderem a legenda a um bispo qualquer. E assim somos nós: CRIATIVOS pra lá da conta.

E se na próxima eleição para presidência deste país, se eu ainda não for candidata , lamento, mais a escolha ´recairá sobre os mesmos, então, use a brincadeira infantil, que diz: ma-mã-e disse que eu escolhesse este aqui...Mas como sou muito teimoso, escolho aquele aliiiii.
E good luck. So long, good bye, farewell, adieu, ta-ta.

E QUEM SOU EU PRA DUVIDAR...?


Outro dia eu li: cidadã carioca – sem antecedentes criminais – foi surrada pelo segurança do supermercado em seguida presa e processada nos rigores da lei. O motivo: foi flagrada tentando levar sem pagar, uma lata de leite. Com a cidadã meliante, uma criança de colo, que choramingava de fome.
Coisas deste mundo. “Mundo mundo vasto mundo / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”

Sobre o caso da cidadã carioca fico imaginando em quais faces subiria o rubor se, com a cobertura da TV Globo (ou Record?), surgisse na porta da cadeia a figura do padre Antônio Vieira e proferisse um sermão desta natureza:
“O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno; os que eu falo, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo procedimento, distingue muito bem São Basílio Magno. Não só ladrões , diz o santo, os que cortam bolsas, espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o Governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem estes roubam cidades e reinos; os outros, se furtam são enforcados, estes furtam e enforcam”.

Ruborizei? Mas como !? Se nunca roubei nem enforquei? Sou apenas uma testemunha passiva dos fatos? Sei não... Se culpa tenho vou fazer penitência rumarei à aldeia de Shingo no Japão, e no dia 3 de maio do ano quem vem, celebrar a “Festividade de Cristo”, pois foi nessa localidade que Jesus – que foi casado com uma moça chamada Miyko, com quem teve três filhas – morreu aos 106 anos.

À guisa de esclarecimento, aquele moço que foi crucificado em Jerusalém, chamava-se Isukiri e era irmão de Jesus. Quem fez tal descoberta? O sacerdote xintoísta Koma Takeuchi, em 1935.
E quem sou eu pra duvidar...?

ENTRE A SANIDADE E A LOUCURA


Decididamente não sou o rei de Britain, não me chamo Lear, não tenho filhas com nomes de Generil, Regan ou Cordelia e não estou dividindo o meu reino. Nem tampouco me sinto Frida, que perdeu o sapato, que foi achado pelo já cego Édipo, que ajudado por Antígona põe o sapato em Frida, que a sufoca até a morte. E ainda por cima não saí mundo afora proclamando que “ Eu ti dei a minha vida e você me perdeu!”. Por conseguinte, sinto-me em pleno gozo das minhas faculdades mentais.

Sobre a ótica do psicanalista inglês Adam Phillips (Louco Para Ser Normal), a LOUCURA pode ser vista como confusão, agressividade ou frustração demais, como desenvolvimento defeituoso, como espera insuportável e como falta de esperança.
Quanto a SANIDADE, podemos pensá-la, ainda pela ótica de Phillips, como violação de tabus, como consciência tolerável de nossos limites, como vitalidade preservada, como fé e até como sorte por ter nascido com quantidades certas de emoções para não adiar o desejo nem nosso corpo, nem o querer.

Ainda nos propõe a SANIDADE como capacidade de suportar as tensões das experiências nas diferentes escolhas que fazemos, no reconhecimento das implicações éticas dos atos, na consideração dos efeitos devastadores da humilhação e sobre a importância da esperança.
E eu que não sou nenhum Shakespeare ou George Orwell e nunca criei personagem maluco, vou ficando por aqui, agradecendo a doutora psicoterapeuta Denise M. Molino pela mãozinha a mim concedida na elaboração do artigo de hoje.

A FILOSOFIA PURIFICA A VONTADE



Até hoje não existe uma explicação para o surgimento na metade do século XIX de tantos e tantos “pessimistas” , se não vejamos: poetas, Byron na Inglaterra, Musset na França, Heine na Alemanha, Leopardi na Itália, Pushkin e Lermontoff na Rússia. Compositores: Schubert, Schumann, Chopin e, até mesmo tardiamente, Beethoven. E também, o mais pessimista dos filósofos Artur Schopenhauer. É dele que vamos tratar.
O Mundo como Vontade e Representação (a grande antologia do infortúnio), é uma obra de Schopenhauer, apareceu em 1881, é um livro que impressiona pelo seu estilo, foge da terminologia kantiana , do obscurantismo hegeliana e também da geometria espinosista,, é centrado na concepção do mundo como vontade e por conseguinte como luta e miséria, explicado de maneira clara e direta.
Nesse livro, Schopenhauer nos ensina que não é a riqueza, mas a sabedoria, que constitui o Caminho. “ O homem é ao mesmo tempo o esforço impetuoso da vontade ( cujo foco está no sistema reprodutor) e o agente eterno, livre e sereno do conhecimento puro ( cujo foco é o cérebro). É admirável sentir que o conhecimento, apesar de nascido da vontade, pode ainda dominar a vontade. A possibilidade da independência do conhecimento aparece na maneira indiferente pela qual o intelecto, ocasionalmente, reage aos ditames do desejo .
O intelecto exerce poder sobre a vontade, permite um desenvolvimento deliberado. O desejo pode ser moderado ou acalmado pelo conhecimento e acima de tudo por uma filosofia determinista que vê em tudo resultado inevitável de seus antecedentes. “De dez coisas que nos aborrecem, nove não nos aborreceriam se as conhecêssemos integralmente em suas causas e, conseqüentemente, compreendêssemos sua verdadeira natureza... Pois o que o freio e o bridão são para um cavalo indócil, o intelecto é para a vontade no homem”. Nada confere maior equilíbrio ao ser humano do que o conhecimento claro. Quanto mais conhecermos nossas paixões, menos elas nos controlam e “ nada nos protegerá tanto de uma coação externa como controle de nós mesmos”. A MAIOR DAS MARAVILHAS NÃO É CONQUISTAR O MUNDO, MAS DOMINAR A SI MESMO.
Pela ótica de Schopenhauer, a filosofia purifica a vontade. Mas a filosofia tem de ser tomada como experiência e pensamento, não como mera leitura e estudo passivo.
Assim, caro leitor/leitora, com ajuda do “parceiro” Will Durant, é que consegui elaborar este texto.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

NÃO SOU AVESTRUZ



Daqui desta minha janela fico matutando sobre o que leio, escuto e vejo. O somatório disto tudo me leva quase sempre a uma visão crítica carregada de uma certa ironia, reconheço. O que sei ser extremamente perigoso, a ironia em excesso tende a irritar o leitor e a ironia deselegante , canhestra ou forçada ridiculariza o autor. É o que nos ensina Helena Montezzuma em seu “Noções de Estilo.

O que se há de fazer, quando a ironia me assalta e o desejo de falar me domina? Ainda não fui contaminada com a “Epidemia do Conformismo”, além do mais sou leitora de Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi. Ora bolas! Não sou avestruz, não consigo enterrar a cabeça. De certo que não sou nenhuma águia, mas a impressão que se tem é de que para qualquer lado que o olhar for direcionado, percebe-se que neste país nada é politicamente correto. Nada visa o bem-estar comum.

Se é para desabafar...Começo reconhecendo que ainda não atingi a fase do pensamento próprio, mas tem nada não, Nietzche também passou por isto, assim sendo, lá vou eu apelar para Thomas More, para explicar pela boca do jovem Rafael Hitlodeu no Livro Primeiro de “A Utopia”, o que eu gostaria de dizer a um rei qualquer: “ A dignidade real não consiste em reinar sobre mendigos, mas sobre homens ricos e felizes... nadar em delicias, saciar-se em meio às dores e gemidos de um povo, não é manter um reino e sim uma cadeia. O médico que só sabe curar as moléstias de seus clientes dando-lhes moléstias mais graves, passa por ignaro e imbecil: confessai, pois – ó vós que não sabeis governar senão arrebatando aos cidadãos a subsistência e as comodidades da vida! Confessai a vossa incapacidade de dirigir homens livres!

De resto... é aguardar para ver o comportamento do nosso “flautista mágico”, encantador de excelências, só espero que o destino dos encantados não seja o mesmo dos ratos da história infantil “ O Rio”.

Isto posto, a palavra final fica com Maquiavel: “ Um homem que deseja ser bom, sempre bom, se perderá em meio a tantos que não o são”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O PORQUÊ DO AMOR QUE NUNCA FALO


Para os que amam repitam para o seu amado (a) o “EU TE AMO”
em Italiano – Ti amo
Hebraico – Ani ohev otar
Grego – S’Agapo
Japonês – Ai shite imassu
Árabe – Bahibak
Chinês – Wo ai Nei
Russo –Ya liubliu tiebia
Sueco –Jag alskar DIGE
spanhol – Ti queiro
Francês – Jê t’aime
Inglês – I love you
A leitura que faço no momento, diz respeito “A Manhã de um Senhor”, de Leão Tolstoi. O livro tem começo transcrevendo uma carta em francês, do príncipe Nekliudov, que tinha dezenove anos e freqüentava o terceiro ano de um curso universitário, carta essa dirigida a sua tia, a condessa Bieloretzkaia e dizia o seguinte:“Tomei uma resolução de que dependerá o destino da minha vida. Abandono a universidade para me consagrar inteiramente aos camponeses, pois reconheci ter nascido para isso” (...)
Neste ponto interrompi a leitura para questionar quanto custa desistir de um sonho por outro. Que mola propulsora “catapulta” o ser noutra direção. Alguém pode se sair com esta: estava escrito nas estrelas que teria de ser assim e não assado. Para os crédulos, acreditar no destino é uma boa saída, mas para os incrédulos, nos quais eu me incluo, trata-se tão-somente de uma tomada de posição corajosa. Eu que o diga. Já troquei um sonho sonhado por um outro.O fiz por amor. Unicamente...
Ainda é difícil para mim falar de um amor que nunca falo..
PORQUE me perco nas palavras
PORQUE já não mais existe cumplicidade
PORQUE já não mais enxergo o azul do céu, a beleza da lua, das estrelas para enfeitar
a noite deste bem
PORQUE já não mais existem olhares se cruzando
PORQUE já não mais existem abraços
PORQUE já não mais existe o deitar
PORQUE ENTRE NÓS SÓ EXISTE O TAL DOS SETE PALMOS DE TERRA A NOS SEPARAR.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

FALEI, FALEI E...





Conselho difícil de seguir o de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Mas estou tentado, para tanto não falta quem não queira nos amestrar; os livros de auto-ajuda e afins proliferam no mercado.

Para início de conversa, se sou uma pessoa quero saber o que é uma pessoa. Leio Jostein Gaardes. Descubro que pessoa é matéria de origem comum, produto de poeira estelar, com uma só razão (3x4=12) e sentidos variados ( gosto do vermelho enquanto outro gosta do amarelo).

Menos fundo Zélia, menos..., de Barach Spinosa você não tem nada, nem monísta és, vai rezar, vai! E cuidado com a excomunhão, mulher! Não está na hora de sair de cima da pedra, tirar a mão do queixo e conversar com Deus? Encontrar a tua verdade espiritual? Baixe a guarda, vai ver se pesca alguma coisa de proveitoso lendo “A Profecia Celestina” de James Redfield., vai.

Nesta de compreender e me achar, andei lendo Shirley MacLaine. Very interesting, very. Daí concluo: “SOU O QUE SOU”. Quanto à compreensão, diz a Shirley: “ Perguntado ao professor Niels Bohr, como poderíamos compreender a estrutura do átomo se não tínhamos palavras para descrevê-la, ao que Bohr respondeu: “ Primeiro temos que aprender o que significa a palavra “compreender”.

Para que servem as emoções? Quanto custa o analfabetismo emocional? A luz da ciência é o que me explicará o PHD Daniel Goleman.Mas isto será tema para outra conversa.

Pois é, falei, falei e não disse absolutamente nada. Sabe do que mais? Já que não me enxergo, vou tentar enxergar a cara do Brasil através do Jornal o Dia e do programa de TV do Datena – escondida de mim mesma, feito o macaco Simão e se for flagrada direi que sou voluntária do programa “Bolsa Família” e estou fazendo um trabalho de pesquisa de caráter antropológico a pedido do “cumpanheiro” presidente .

sexta-feira, 11 de julho de 2008

SERÁ...?





Pegando carona na “cadeira do papai”, deixando no entanto, o meu explícito protesto contra a restrição feita às mamães, que não tiveram ainda a criação de uma cadeira especial. Feito o meu protesto, vamos aos fatos, como ia dizendo, sentei-me da “cadeira do papai”, de forma confortável, diante da telinha, aguardando o Jornal das Oito. Este gesto me fez lembrar o Dr. Pereira, meu vizinho aqui do lado. Ele também tem uma “cadeira do papai” e religiosamente a ocupa para ficar diante da telinha e assistir o Jornal das Oito, metido num pijama de listras azuis, por sobre as pernas, o controle remoto, que vez por outra seus dedos tocava como numa caricia e talvez pensando lá com seus botões: “ô invenção porreta!”

Se eu fosse analisar a figura do dr. Pereira, diria que ele estava mais pra monstro do que pra médico. O homem era de uma insensibiliade que me exaspera, nada o toca, nem por time de futebol ele torce. Torce sim, pela alta da inflação; é aplicador do open, over, caderneta de poupança e investia na Bolsa. Enquanto eu e a sua mulher chegávamos às lágrimas com a notícia do seqüestro de uma criança, ele estava lá, diante da telinha e por ela desfilando: a vida, (dos outros) que não lhe interessava; a morte, que não lhe tocava; os atentados, que não lhes chocavam; o seqüestro, que não lhe dizia respeito; a crise econômica, que não lhe alcançava; as queimadas, que aos seus olhos céticos, mais pareciam um festival pirotécnico.

Por que diabo o Dr. Pereira é assim tão insensível? Será porque ele é médico-legista, aplicador, rico e latifundiário?

O Jornal acabou, a mesmice de ontem. Hoje não vivi as tragédias desfiladas. Será que estou ficando que nem o dr. Pereira?

Será...?

domingo, 15 de junho de 2008

SERÁ QUE A TIA FOI PRO CÉU?




Tive eu uma tia-avó chamada Dulcinéia, que era nanica por subnutrição, caritó por não ter tido outra opção e que fazia bonecas de pano para vender na feira e com isso sobreviver.

Danadinha a tia Dulcinéia, pobre, porém deveras orgulhosa. Passava uma necessidade de não fazer inveja a seu ninguém, mas disso não se queixava, nem ao bispo, e até tinha lá as suas mutretas para ludibriar os vizinhos abelhudos; para não ser pega de surpresa, sempre perto da hora do almoço – que muitas vezes não passava de uma “cabeça de galo” - mantinha sobre o velho fogão a lenha, duas panelinhas de barro com água fervendo, dando a impressão de que havia comida a cozinhar.

Beata como ela só, era fita larga cor vermelha da Irmandade do Coração de Jesus e encarregada de passar a sacola onde os fiéis, na missa e nos demais atos litúrgicos depositavam as suas contribuições para ajudar o santo papa, o padre da paróquia e as obras inacabadas da igreja. Diziam as más línguas que no final da coleta a tia Dulcinéia repartia as moedas: uma pra igreja e duas pra Dulcinéia.

Embora reconheça a tentação e o estado de miserabilidade da tia, sou mais pela sua honestidade. Se pecado ela cometeu foi contra São Sebastião, com quem tinha lá suas intimidades, e se fiando nisso, vez por outra, nos momentos de mais aperto, ela retirava do seu oratório a imagem do santo, colocava dentro de uma caixa de sapato forrada com um pedaço de cetim roxo, enfeitava com flores de papel crepom, envolvia com uma fita vermelha e saía de casa em casa pedindo uma ajuda pro dito. O arrecadado tomava por empréstimo, jurando de joelhos diante da imagem, logo que as bonequinhas fossem vendidas, ela devolveria em dobro.

Morreu velhinha a tia Dulcinéia. Quem a matou foram às bonecas, espetando o seu dedinho nanico com uma agulha enferrujada. Foi encontrada toda enrijecida com as perninhas pra cima feito um passarinho morto.

Será que a tia foi pro céu...?

NOTA: No oratório da tia Dulcinéia, aos pés da imagem de São Sebastião foi encontrada uma pequena sacola cheia de moedas.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A MOÇA QUE PERDEU O OLHAR

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Estava lá a moça, meio tristonha depois de muito procurar o olhar que perdeu e com ele a sua alegria de viver, encaminhando-se para o pensatório, batendo a porta atrás de si. Até que tentei ajudar na busca do seu olhar, afinal, amigo – acho eu - é que nem aquelas coisas que o padre manda repetir na hora do casamento: unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e por ai vai. Bati na porta, ou bati à porta, sei lá eu , do pensatório, mas qual o quê, fechado estava, fechado permaneceu. Que é que eu fiz? Pus-me feito cão de guarda plantada no chão perto da porta.

Incomodava aos meus olhos um raio de sol que transpunha uma fresta na parede. Mas me mantinha firme no desejo de ajudar a moça e enquanto a porta do pensatório não abria, ocupei-me em contar e recontar os dedos dos pés e das mãos e já ia eu na casa do undécimo e nada da porta abrir.

Enfastiada, passei a enrolar o pensamento e já que falei no sol quis saber do Deus da moça, sim, por que ela, a moça, podia ter todos os defeitos do mundo, mas ela não era descrente, acreditava no Senhor lá do Alto, no céu, no inferno, no purgatório e até em alma do outro mundo! Mas, como ia dizendo, quis saber do Senhor Deus da moça dessa preferência que Ele tem pelos círculos: é lua redonda, planetas redondos, estrelas redondas , é assim que as vejo, nada de pontas e que para variar, por que Ele não fez o sol quadrado? Outra coisa: por que não de crocodilo as lágrimas que começam a rolar das calotas polares? Vou aproveitar para mandar um adeusinho de despedida para os ursos brancos. Esperai, com essa o Deus da moça não tem nada a ver, é coisa nossa.

E quem disse que a moça que perdeu o olhar estava preocupada com detalhes? A crise era existencial, mais profunda, estava tão virada para dentro de si mesma, mas tão virada que a gente até podia ver as costuras do seu avesso e olhe que quem a costurou não usou de profissionalismo.Foi ai que me deu uma vontade danada de dá uma espiadinha lá por dentro e mesmo sem ser autoridade no assunto parti para uma “autopsia” nos órgãos vitais. Fígado: barbaridade! Alinhavaram e deixaram vazar a bílis, que derramou e se tinha alguma coisa doce dentro dela ficou amarga. Pulmões: esses alinhavaram de tal forma que ela já não respira, só suspira. Coração, Deus dela! Fizeram deste, travesseiro de espetar agulha, perdeu sua função precípua: AMAR

Perdeu sua função precípua: AMAR. Não..., parece que aqui não cabe ação de amigo... É coisa pra príncipe encantado, para um “Dom Sebastião” o eterno esperado, dotado dos atributos e capacidade para retirar as agulhas e dá vida a sentimentos contidos , devolvendo assim, à moça, o seu olhar e a sua alegria de viver.

Vou rezar pra isso...


segunda-feira, 26 de maio de 2008

UM POETA EM CADA ESQUINA

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Quem disse foi Apollinaire: “Piedade para nós, que exploramos as fronteiras do irreal”.Apollinaire era poeta. Poeta igual aos que dizem existir em cada esquina de Natal; o que acho belo, belíssimo.

Para mim a profusão de poetas não incomoda nenhum pouco, muito pelo contrário, quisera eu que a humanidade fosse constituída deles, pois como acreditava Pablo Neruda, eu também acredito, que “a poesia é sempre um ato de paz. O poeta nasce da paz como o pão nasce da farinha”.

Há quem defina, também, todo ser humano como “um poeta-trágico”sustentando que: poeta, porque é iluminado pelo senso de beleza; trágico, porque é ensombrecido pela consciência de sua finitude.

Contudo, houve no passado alguém que torcia o nariz para tal profusão. Vejamos o que pensava esse alguém, membro fundador da Academia Brasileira de Letras de nome Sílvio Romero, que assim expressou o seu ponto de vista:

“Um exagerado número de poetas, num povo dado, é claro indício da sua defeituosa organização social e da pouca profundeza e seriedade de sua cultura. O Brasil é a mais eloqüente prova deste fato nos modernos tempos; se uma imensa multidão de fazedores de versos fosse prova de força, cultura, progresso, adiantamento, riqueza e bem-estar, seria o primeiro país do mundo. E não é porque sejam todos maus poetas, são, ao invés, bons em grande número...”

Registrado o pensamento de alguns, tenho diante de mim poemas de poetas que fui encontrando nas voltas que o mundo dá, cujos versos me tocam profundamente, como esses do poema de Yasmine Lemos,“Hora da Colheita” – Pensava ser pedaços de grãos. / Ouvindo o seu canto descobri: / Não sou metade / Sou inteira / Eu fui. / E voltei / Voei / Eu era / E gostei / E quero/

Continuar sendo isso: / Corpo e terra / Alma e semente / Verdade plantada / Amizade enraizada / Defeitos podados / Retirados os gostos amargos / Fazer a colheita / Colher os frutos / Comermos juntos. / Felicidade.

De meu amigo e poeta Assis Fernandes, os versos de seu poema “Despedida” –Adeus amigo! /Chegou a hora de entender o tempo, /o sentido das coisas, / o limite do espaço. / Não me resta senão dizer adeus! / Tudo caminha no correr das horas / e os dias passam / sem retorno ou pausa; / um minuto, sequer, não pode ser roubado / Tenho de ir – as malas estão prontas, / arrumei os volumes com cuidado. /Transporto o mais pesado – o de saudades - , / mandei seguir em frente o de esperanças. /Devo partir, pois já chegou a hora / Quero que saibas, enfim, e para sempre, - / o mais belo capítulo, o da amizade, / fomos nós, / tu e eu / que escrevemos. (Asas e Vôo – poemas)

Seria injusta não recordar minha querida amiga e poeta Welshe Elda, versos de seu poema “Vida”. Passar a limpo à vida / Esgotar no ralo impurezas / Espremer, descarregar culpas / De um corpo e alma atormentados/ Sentir leveza e transparência / Gostar da nova morada / Deixar fluir sentimentos / Sem culpa /Sem tormento/ Com vida. ( Mudanças – poemas).

São tantos e tão bons poetas, que dá vontade de sair ai, feito o Paulinho da Viola tomando benção para todos eles.




quinta-feira, 15 de maio de 2008

EU E O MONGE

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Fim de tarde, nada interessante pra fazer, ninguém pra conversar... Então, o que me resta fazer...? Já sei, vou pro terreiro, sentar na pedra, botar uma mão no queixo e meditar. E lá vou eu. Medita pra lá, medita pra cá para chegar à conclusão de que estou me tornando uma pessoa que pode muito bem ser enquadrada como desmancha-prazeres, dessas que parece que até a alegria dos outros incomoda. Não sou festeira, não gosto de Natal, casamento, feriado, batizado nem tampouco de carnaval; como o maluco beleza, acho tudo isso um saco. Vivo tentando consertar o mundo sem sair do canto nem dar um prego numa barra de sabão, esperando que a sociedade se transforme e funcione assim: “ao passo que ninguém é pobre, ninguém deseja se tornar mais rico, nem tem qualquer receio de ser empurrado para trás pelos esforços dos demais em se lançarem à frente”. (Stuart Mill, 1848).

Esta conversa de não gostar de festas me fez lembrar o monge Savonarola. A História nos diz, que Florença antes dos idos de 1495, era uma cidade de povo alegre, que gostava de festas, jogos e carnaval, aí apareceu um monge de nome Savonarola e acabou com a alegria dos florentinos. Quer saber como? Então lá vai:

Em 1495, quem reinava na cidade de Florença era Jesus Cristo, (declarado rei pelo Conselho da cidade) Existia nessa época um monge de nome Savonarola, de um fanatismo religioso incomum e quem de fato exercia o verdadeiro poder da República. Sua palavra apaixonada convertia os libertinos. Fez suprimir as festas e jogos, substituiu os cantos carnavalescos por cânticos religiosos, isso, porém, graças a um sistema de espionagem e delação que submetia Florença a uma ditadura espiritual sufocante. Em 1497 queimaram-se os símbolos do alegre passado florentino. Para a fogueira lá se foram instrumentos musicais, livros de Petrarca e Boccacio e obras de arte. Alexandre VI, que era o papa da época e foi acusado de costumes dissolutos, por conta do fanatismo do monge ameaçou Florença com a proibição da administração dos sacramentos. Os ricos burgueses temendo o confisco dos bens dos mercadores e banqueiros florentinos situados nos domínios do papa abandonaram Savonarola que, com mais dois dominicanos foram condenados à morte na fogueira por um tribunal onde participavam representantes do papa.

Taí no que deu o ser do contra do monge Savonarola. Sei não... Mas para quem tem medo de fogo dá o que pensar. E eu já pensei: de hoje em diante vou modificar o meu modo de vida , me tornarei arroz de festa .


sábado, 3 de maio de 2008

NÃO ERA BEM O CENÁRIO QUE EU QUERIA




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Eis que é chegada a hora de sentar-me diante desta maquininha infernal e batucando suas teclas, tentar coordenar o palanfrório.

Enquanto os dedos não recebem os impulsos emitidos do cérebro (oco), estico o pescoço em direção da janela. Que paisagem insípida, cansativa este quadrado me oferece: telhados sujos – que não são de zinco – de tão difícil acesso que desestimula até a subida dos gatos no cio; fundos e mais fundos de casas de gente que não conheço.

Esta é a fonte de inspiração que me deparo neste momento.Foi ai que percebi que este não era bem o cenário que eu queria...E senti inveja sei lá de quem... Ou talvez, quem sabe..., dos que perambulam por New York, mas precisamente pela calçada do “Untitled Space Express Bar”. Nesse café você encontra de tudo: diretores, compositores, pintores, escultores e escritores, todos tentando fazer coisas para se justificarem vivos. (Gerald Thomas que o diga)

Ah! Se é pra sentir inveja, que seja dos zés brasil, os que fazem reverência com o chapéu na mão, olhar para o alto em busca de Deus, são os que vivem porque Deus quer; que morrem porque Deus quer; os que acreditam que, se a seca castiga é porque Deus quer; se chove é porque Deus quer; se comem ou passam fome é porque Deus quer.

Ainda não atingi esse estágio. E, nesse pensar vadio, só me resta sair por ai e fazer uma saudação mentirosa a um valentino qualquer, como fazia o mais inquieto e atormentado do que eu: Santo Agostinho, que em uma de suas andanças encontrou um pobre mendigo bêbado que ria e fazia arruaça. Sabia o Santo que a alegria do bêbado não era autêntica. Mas pôs em dúvida a alegria que ele procurava com as suas ambições e enredos tortuosos. Numa noite o bêbado digeria o vinho e sua bebedeira passaria; ele, Agostinho, ao contrário, iria dormir e acordar com o mesmo tormento, hoje, amanhã, quem sabe até quando...

O que me anima é que o Agostinho chegou lá...