
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
PENSAR NÃO DÓI

"CONFISSÕES" DE PROUST - SEGUNDO MARIA OLIMPIA ALVES DE MELO

QUAL SUA IDÉIA DE FELICIDADE COMPLETA?
QUAIS SUAS CARACTERÍSTICAS MAIS MARCANTES?Não saberia apontá-las, sou tão comum...
SE PUDESSE VOLTAR À VIDA COMO OUTRA PESSOA QUE SERIA?ZÉLIA MARIA DE OLIVEIRA FREIRE
QUAL A SUA OCUPAÇÃO PREFERIDA Navegar na internet, conversar com os amigos( adoro), ler e escrever
O QUE MAIS VALORIZA NOS AMIGOS?
COMO GOSTARIA DE MORRER
JA ESTOU PENSANDO EM 2009

Quem desceu atrasado foi Montaigne, mesmo assim saiu-se com esta: Todos têm tendências para agravar o pecado de outrem e atenuar o próprio. E não raro até as próprias pessoas encarregadas de os esclarecer os classificam mal. Nada mais disse nem lhe foi perguntado.
AY QUE VIDA MÁS INGRATA, VOY A ME MATAR

Tal qual o macaco Simão errei o tiro e desisto. E parto em busca de assunto para esta crônica, que por sorte já achei.
Existe uma frase dita à atriz Fernanda Montenegro pelo então vivo Nelson Rodrigues, que diz o seguinte: “ O problema da literatura brasileira é que nenhum personagem dela sabe bater um escanteio”.
E começa o campeonato: o jogo mostra-se uma verdadeira pelada, a galera esboçando sinais de impaciência, insulta os jogadores, xinga a mãe do juiz, denuncia os cartolas, parte da torcida organizada faz coro com as vozes de alguns comentaristas mais exaltados, pedindo a degola do técnico.
MAS QUE DÓI. DÓI

Ô VIDA LOUCA!

Ah, quanto é árduo e doloroso dizer qual eraesta selva selvagem, áspera e infranqueávelda qual só a lembrança me renova o terror!
(...)
Era o momento em que a manhã se levanta,E o Sol subia com as estrelas,Que o acompanham, quando o Amor divino
Criou primeiro estas coisas belas;De modo que esta hora do dia e a doceestação fizeram-me conceder toda a esperança
(...)
Eis que quase ao começar a subida.Apareceu uma pantera ágil,Que de pêlo manchado era coberta;
Ela não se me afastava dos olhos:Pelo contrário, impedia-me muito o caminho,Que, por várias vezes, estive para voltar para trás.
(...)
Esta me atemorizou tanto, com o horror queProvinha do seu aspecto, que eu perdi a esperançaDe atingir o alto da colina que me dispunha a subir
E como aquele que com muito gosto ganhaQuando chega o tempo que o faz perder,Sem descanso chora e se entristece
ZÉLIA, UM SER METAFÍSICO

sábado, 1 de novembro de 2008
DA DIGNIDADE HUMANA

Respeito a si mesmo... Amor-próprio... Brio. Se me sentisse vilipendiada no que diz respeito a minha dignidade, recorreria a quem? A Organização das Nações Unidas (ONU), que expressa em Carta que todo ser goze de máxima liberdade e dignidade. Ou me valeria da Proclamação da Conferência Internacional de Direitos Humanos de Teerã, de 1983, que trata do mesmo objetivo no art. 13 do Pacto Internacional de Direitos Civis; e no art. 5 da Carta Africana?
Kant rejeita a filosofia do ser e cria condições para a afirmação da filosofia da consciência onde sustenta a dignidade humana fundamentada no pensamento estóico, em São Tomás de Aquino e em Rousseau, cujos princípios são os seguintes:
São Tomás de Aquino exprime a concepção cristã do amor de Deus a todos os seres humanos, imagem e semelhança do Criador, independentemente de suas condições. O homem deve, por conseqüência, amor e respeito a todos os seus semelhantes porque e enquanto pessoas.
Isto posto, fico com a interpretação da professora Sílvia Mota, que reconhece no homem a sua própria dignidade, fazendo desprezar eticamente condutas incompatíveis com tal condição.
DANÇA DA SOLIDÃO

Para aceitar tais opiniões e acolhê-las como verdadeiras e acordadas entre si, que as mesmas fossem favoravelmente interpretadas, sugeriu Descartes, “pois, tendo Aristóteles considerado o soberano bem de toda a natureza humana em geral, isto é, o que pode possuir o mais completo de todos os homens, teve razão de compô-lo de todas as perfeições de que é capaz a natureza humana; mas isto de nada serve para o nosso uso.”
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
HOJE FAÇA COMO O SÁTIRO, FUJA DE MIM

Hoje, faça como o sátiro, saia correndo de mim...
MENOS ZÉLIA, MENOS...

Ah meu caro leitor, está difícil de extrair desse nosso cotidiano palavras de encanto que possam contribuir para um exercício de perspectiva otimista do tipo... bons tempos virão...
E good luck. So long, good bye, farewell, adieu, ta-ta.
E QUEM SOU EU PRA DUVIDAR...?

Coisas deste mundo. “Mundo mundo vasto mundo / se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução”
“O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno; os que eu falo, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo procedimento, distingue muito bem São Basílio Magno. Não só ladrões , diz o santo, os que cortam bolsas, espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o Governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem estes roubam cidades e reinos; os outros, se furtam são enforcados, estes furtam e enforcam”.
E quem sou eu pra duvidar...?
ENTRE A SANIDADE E A LOUCURA

Quanto a SANIDADE, podemos pensá-la, ainda pela ótica de Phillips, como violação de tabus, como consciência tolerável de nossos limites, como vitalidade preservada, como fé e até como sorte por ter nascido com quantidades certas de emoções para não adiar o desejo nem nosso corpo, nem o querer.
E eu que não sou nenhum Shakespeare ou George Orwell e nunca criei personagem maluco, vou ficando por aqui, agradecendo a doutora psicoterapeuta Denise M. Molino pela mãozinha a mim concedida na elaboração do artigo de hoje.
A FILOSOFIA PURIFICA A VONTADE

O Mundo como Vontade e Representação (a grande antologia do infortúnio), é uma obra de Schopenhauer, apareceu em 1881, é um livro que impressiona pelo seu estilo, foge da terminologia kantiana , do obscurantismo hegeliana e também da geometria espinosista,, é centrado na concepção do mundo como vontade e por conseguinte como luta e miséria, explicado de maneira clara e direta.
Assim, caro leitor/leitora, com ajuda do “parceiro” Will Durant, é que consegui elaborar este texto.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
NÃO SOU AVESTRUZ

Daqui desta minha janela fico matutando sobre o que leio, escuto e vejo. O somatório disto tudo me leva quase sempre a uma visão crítica carregada de uma certa ironia, reconheço. O que sei ser extremamente perigoso, a ironia em excesso tende a irritar o leitor e a ironia deselegante , canhestra ou forçada ridiculariza o autor. É o que nos ensina Helena Montezzuma em seu “Noções de Estilo.
O que se há de fazer, quando a ironia me assalta e o desejo de falar me domina? Ainda não fui contaminada com a “Epidemia do Conformismo”, além do mais sou leitora de Reinaldo Azevedo e do Diogo Mainardi. Ora bolas! Não sou avestruz, não consigo enterrar a cabeça. De certo que não sou nenhuma águia, mas a impressão que se tem é de que para qualquer lado que o olhar for direcionado, percebe-se que neste país nada é politicamente correto. Nada visa o bem-estar comum.
Se é para desabafar...Começo reconhecendo que ainda não atingi a fase do pensamento próprio, mas tem nada não, Nietzche também passou por isto, assim sendo, lá vou eu apelar para Thomas More, para explicar pela boca do jovem Rafael Hitlodeu no Livro Primeiro de “A Utopia”, o que eu gostaria de dizer a um rei qualquer: “ A dignidade real não consiste em reinar sobre mendigos, mas sobre homens ricos e felizes... nadar em delicias, saciar-se em meio às dores e gemidos de um povo, não é manter um reino e sim uma cadeia. O médico que só sabe curar as moléstias de seus clientes dando-lhes moléstias mais graves, passa por ignaro e imbecil: confessai, pois – ó vós que não sabeis governar senão arrebatando aos cidadãos a subsistência e as comodidades da vida! Confessai a vossa incapacidade de dirigir homens livres!
De resto... é aguardar para ver o comportamento do nosso “flautista mágico”, encantador de excelências, só espero que o destino dos encantados não seja o mesmo dos ratos da história infantil “ O Rio”.
Isto posto, a palavra final fica com Maquiavel: “ Um homem que deseja ser bom, sempre bom, se perderá em meio a tantos que não o são”.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
O PORQUÊ DO AMOR QUE NUNCA FALO

quinta-feira, 24 de julho de 2008
FALEI, FALEI E...

Conselho difícil de seguir o de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Mas estou tentado, para tanto não falta quem não queira nos amestrar; os livros de auto-ajuda e afins proliferam no mercado.
Para início de conversa, se sou uma pessoa quero saber o que é uma pessoa. Leio Jostein Gaardes. Descubro que pessoa é matéria de origem comum, produto de poeira estelar, com uma só razão (3x4=12) e sentidos variados ( gosto do vermelho enquanto outro gosta do amarelo).
Menos fundo Zélia, menos..., de Barach Spinosa você não tem nada, nem monísta és, vai rezar, vai! E cuidado com a excomunhão, mulher! Não está na hora de sair de cima da pedra, tirar a mão do queixo e conversar com Deus? Encontrar a tua verdade espiritual? Baixe a guarda, vai ver se pesca alguma coisa de proveitoso lendo “A Profecia Celestina” de James Redfield., vai.
Nesta de compreender e me achar, andei lendo Shirley MacLaine. Very interesting, very. Daí concluo: “SOU O QUE SOU”. Quanto à compreensão, diz a Shirley: “ Perguntado ao professor Niels Bohr, como poderíamos compreender a estrutura do átomo se não tínhamos palavras para descrevê-la, ao que Bohr respondeu: “ Primeiro temos que aprender o que significa a palavra “compreender”.
Para que servem as emoções? Quanto custa o analfabetismo emocional? A luz da ciência é o que me explicará o PHD Daniel Goleman.Mas isto será tema para outra conversa.
Pois é, falei, falei e não disse absolutamente nada. Sabe do que mais? Já que não me enxergo, vou tentar enxergar a cara do Brasil através do Jornal o Dia e do programa de TV do Datena – escondida de mim mesma, feito o macaco Simão e se for flagrada direi que sou voluntária do programa “Bolsa Família” e estou fazendo um trabalho de pesquisa de caráter antropológico a pedido do “cumpanheiro” presidente .
sexta-feira, 11 de julho de 2008
SERÁ...?

Pegando carona na “cadeira do papai”, deixando no entanto, o meu explícito protesto contra a restrição feita às mamães, que não tiveram ainda a criação de uma cadeira especial. Feito o meu protesto, vamos aos fatos, como ia dizendo, sentei-me da “cadeira do papai”, de forma confortável, diante da telinha, aguardando o Jornal das Oito. Este gesto me fez lembrar o Dr. Pereira, meu vizinho aqui do lado. Ele também tem uma “cadeira do papai” e religiosamente a ocupa para ficar diante da telinha e assistir o Jornal das Oito, metido num pijama de listras azuis, por sobre as pernas, o controle remoto, que vez por outra seus dedos tocava como numa caricia e talvez pensando lá com seus botões: “ô invenção porreta!”
Se eu fosse analisar a figura do dr. Pereira, diria que ele estava mais pra monstro do que pra médico. O homem era de uma insensibiliade que me exaspera, nada o toca, nem por time de futebol ele torce. Torce sim, pela alta da inflação; é aplicador do open, over, caderneta de poupança e investia na Bolsa. Enquanto eu e a sua mulher chegávamos às lágrimas com a notícia do seqüestro de uma criança, ele estava lá, diante da telinha e por ela desfilando: a vida, (dos outros) que não lhe interessava; a morte, que não lhe tocava; os atentados, que não lhes chocavam; o seqüestro, que não lhe dizia respeito; a crise econômica, que não lhe alcançava; as queimadas, que aos seus olhos céticos, mais pareciam um festival pirotécnico.
Por que diabo o Dr. Pereira é assim tão insensível? Será porque ele é médico-legista, aplicador, rico e latifundiário?
O Jornal acabou, a mesmice de ontem. Hoje não vivi as tragédias desfiladas. Será que estou ficando que nem o dr. Pereira?
Será...?
domingo, 15 de junho de 2008
SERÁ QUE A TIA FOI PRO CÉU?
Tive eu uma tia-avó chamada Dulcinéia, que era nanica por subnutrição, caritó por não ter tido outra opção e que fazia bonecas de pano para vender na feira e com isso sobreviver.
Danadinha a tia Dulcinéia, pobre, porém deveras orgulhosa. Passava uma necessidade de não fazer inveja a seu ninguém, mas disso não se queixava, nem ao bispo, e até tinha lá as suas mutretas para ludibriar os vizinhos abelhudos; para não ser pega de surpresa, sempre perto da hora do almoço – que muitas vezes não passava de uma “cabeça de galo” - mantinha sobre o velho fogão a lenha, duas panelinhas de barro com água fervendo, dando a impressão de que havia comida a cozinhar.
Beata como ela só, era fita larga cor vermelha da Irmandade do Coração de Jesus e encarregada de passar a sacola onde os fiéis, na missa e nos demais atos litúrgicos depositavam as suas contribuições para ajudar o santo papa, o padre da paróquia e as obras inacabadas da igreja. Diziam as más línguas que no final da coleta a tia Dulcinéia repartia as moedas: uma pra igreja e duas pra Dulcinéia.
Embora reconheça a tentação e o estado de miserabilidade da tia, sou mais pela sua honestidade. Se pecado ela cometeu foi contra São Sebastião, com quem tinha lá suas intimidades, e se fiando nisso, vez por outra, nos momentos de mais aperto, ela retirava do seu oratório a imagem do santo, colocava dentro de uma caixa de sapato forrada com um pedaço de cetim roxo, enfeitava com flores de papel crepom, envolvia com uma fita vermelha e saía de casa em casa pedindo uma ajuda pro dito. O arrecadado tomava por empréstimo, jurando de joelhos diante da imagem, logo que as bonequinhas fossem vendidas, ela devolveria em dobro.
Morreu velhinha a tia Dulcinéia. Quem a matou foram às bonecas, espetando o seu dedinho nanico com uma agulha enferrujada. Foi encontrada toda enrijecida com as perninhas pra cima feito um passarinho morto.
Será que a tia foi pro céu...?
NOTA: No oratório da tia Dulcinéia, aos pés da imagem de São Sebastião foi encontrada uma pequena sacola cheia de moedas.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
A MOÇA QUE PERDEU O OLHAR






Estava lá a moça, meio tristonha depois de muito procurar o olhar que perdeu e com ele a sua alegria de viver, encaminhando-se para o pensatório, batendo a porta atrás de si. Até que tentei ajudar na busca do seu olhar, afinal, amigo – acho eu - é que nem aquelas coisas que o padre manda repetir na hora do casamento: unidos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e por ai vai. Bati na porta, ou bati à porta, sei lá eu , do pensatório, mas qual o quê, fechado estava, fechado permaneceu. Que é que eu fiz? Pus-me feito cão de guarda plantada no chão perto da porta.
Incomodava aos meus olhos um raio de sol que transpunha uma fresta na parede. Mas me mantinha firme no desejo de ajudar a moça e enquanto a porta do pensatório não abria, ocupei-me em contar e recontar os dedos dos pés e das mãos e já ia eu na casa do undécimo e nada da porta abrir.
Enfastiada, passei a enrolar o pensamento e já que falei no sol quis saber do Deus da moça, sim, por que ela, a moça, podia ter todos os defeitos do mundo, mas ela não era descrente, acreditava no Senhor lá do Alto, no céu, no inferno, no purgatório e até em alma do outro mundo! Mas, como ia dizendo, quis saber do Senhor Deus da moça dessa preferência que Ele tem pelos círculos: é lua redonda, planetas redondos, estrelas redondas , é assim que as vejo, nada de pontas e que para variar, por que Ele não fez o sol quadrado? Outra coisa: por que não de crocodilo as lágrimas que começam a rolar das calotas polares? Vou aproveitar para mandar um adeusinho de despedida para os ursos brancos. Esperai, com essa o Deus da moça não tem nada a ver, é coisa nossa.
E quem disse que a moça que perdeu o olhar estava preocupada com detalhes? A crise era existencial, mais profunda, estava tão virada para dentro de si mesma, mas tão virada que a gente até podia ver as costuras do seu avesso e olhe que quem a costurou não usou de profissionalismo.Foi ai que me deu uma vontade danada de dá uma espiadinha lá por dentro e mesmo sem ser autoridade no assunto parti para uma “autopsia” nos órgãos vitais. Fígado: barbaridade! Alinhavaram e deixaram vazar a bílis, que derramou e se tinha alguma coisa doce dentro dela ficou amarga. Pulmões: esses alinhavaram de tal forma que ela já não respira, só suspira. Coração, Deus dela! Fizeram deste, travesseiro de espetar agulha, perdeu sua função precípua: AMAR
Perdeu sua função precípua: AMAR. Não..., parece que aqui não cabe ação de amigo... É coisa pra príncipe encantado, para um “Dom Sebastião” o eterno esperado, dotado dos atributos e capacidade para retirar as agulhas e dá vida a sentimentos contidos , devolvendo assim, à moça, o seu olhar e a sua alegria de viver.
Vou rezar pra isso...
segunda-feira, 26 de maio de 2008
UM POETA EM CADA ESQUINA
Para mim a profusão de poetas não incomoda nenhum pouco, muito pelo contrário, quisera eu que a humanidade fosse constituída deles, pois como acreditava Pablo Neruda, eu também acredito, que “a poesia é sempre um ato de paz. O poeta nasce da paz como o pão nasce da farinha”.
Há quem defina, também, todo ser humano como “um poeta-trágico”sustentando que: poeta, porque é iluminado pelo senso de beleza; trágico, porque é ensombrecido pela consciência de sua finitude.
Contudo, houve no passado alguém que torcia o nariz para tal profusão. Vejamos o que pensava esse alguém, membro fundador da Academia Brasileira de Letras de nome Sílvio Romero, que assim expressou o seu ponto de vista:
“Um exagerado número de poetas, num povo dado, é claro indício da sua defeituosa organização social e da pouca profundeza e seriedade de sua cultura. O Brasil é a mais eloqüente prova deste fato nos modernos tempos; se uma imensa multidão de fazedores de versos fosse prova de força, cultura, progresso, adiantamento, riqueza e bem-estar, seria o primeiro país do mundo. E não é porque sejam todos maus poetas, são, ao invés, bons em grande número...”
Registrado o pensamento de alguns, tenho diante de mim poemas de poetas que fui encontrando nas voltas que o mundo dá, cujos versos me tocam profundamente, como esses do poema de Yasmine Lemos,“Hora da Colheita” – Pensava ser pedaços de grãos. / Ouvindo o seu canto descobri: / Não sou metade / Sou inteira / Eu fui. / E voltei / Voei / Eu era / E gostei / E quero/
Continuar sendo isso: / Corpo e terra / Alma e semente / Verdade plantada / Amizade enraizada / Defeitos podados / Retirados os gostos amargos / Fazer a colheita / Colher os frutos / Comermos juntos. / Felicidade.
De meu amigo e poeta Assis Fernandes, os versos de seu poema “Despedida” –Adeus amigo! /Chegou a hora de entender o tempo, /o sentido das coisas, / o limite do espaço. / Não me resta senão dizer adeus! / Tudo caminha no correr das horas / e os dias passam / sem retorno ou pausa; / um minuto, sequer, não pode ser roubado / Tenho de ir – as malas estão prontas, / arrumei os volumes com cuidado. /Transporto o mais pesado – o de saudades - , / mandei seguir em frente o de esperanças. /Devo partir, pois já chegou a hora / Quero que saibas, enfim, e para sempre, - / o mais belo capítulo, o da amizade, / fomos nós, / tu e eu / que escrevemos. (Asas e Vôo – poemas)
Seria injusta não recordar minha querida amiga e poeta Welshe Elda, versos de seu poema “Vida”. Passar a limpo à vida / Esgotar no ralo impurezas / Espremer, descarregar culpas / De um corpo e alma atormentados/ Sentir leveza e transparência / Gostar da nova morada / Deixar fluir sentimentos / Sem culpa /Sem tormento/ Com vida. ( Mudanças – poemas).
São tantos e tão bons poetas, que dá vontade de sair ai, feito o Paulinho da Viola tomando benção para todos eles.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
EU E O MONGE
Fim de tarde, nada interessante pra fazer, ninguém pra conversar... Então, o que me resta fazer...? Já sei, vou pro terreiro, sentar na pedra, botar uma mão no queixo e meditar. E lá vou eu. Medita pra lá, medita pra cá para chegar à conclusão de que estou me tornando uma pessoa que pode muito bem ser enquadrada como desmancha-prazeres, dessas que parece que até a alegria dos outros incomoda. Não sou festeira, não gosto de Natal, casamento, feriado, batizado nem tampouco de carnaval; como o maluco beleza, acho tudo isso um saco. Vivo tentando consertar o mundo sem sair do canto nem dar um prego numa barra de sabão, esperando que a sociedade se transforme e funcione assim: “ao passo que ninguém é pobre, ninguém deseja se tornar mais rico, nem tem qualquer receio de ser empurrado para trás pelos esforços dos demais em se lançarem à frente”. (Stuart Mill, 1848).
Esta conversa de não gostar de festas me fez lembrar o monge Savonarola. A História nos diz, que Florença antes dos idos de 1495, era uma cidade de povo alegre, que gostava de festas, jogos e carnaval, aí apareceu um monge de nome Savonarola e acabou com a alegria dos florentinos. Quer saber como? Então lá vai:
Em 1495, quem reinava na cidade de Florença era Jesus Cristo, (declarado rei pelo Conselho da cidade) Existia nessa época um monge de nome Savonarola, de um fanatismo religioso incomum e quem de fato exercia o verdadeiro poder da República. Sua palavra apaixonada convertia os libertinos. Fez suprimir as festas e jogos, substituiu os cantos carnavalescos por cânticos religiosos, isso, porém, graças a um sistema de espionagem e delação que submetia Florença a uma ditadura espiritual sufocante. Em 1497 queimaram-se os símbolos do alegre passado florentino. Para a fogueira lá se foram instrumentos musicais, livros de Petrarca e Boccacio e obras de arte. Alexandre VI, que era o papa da época e foi acusado de costumes dissolutos, por conta do fanatismo do monge ameaçou Florença com a proibição da administração dos sacramentos. Os ricos burgueses temendo o confisco dos bens dos mercadores e banqueiros florentinos situados nos domínios do papa abandonaram Savonarola que, com mais dois dominicanos foram condenados à morte na fogueira por um tribunal onde participavam representantes do papa.
Taí no que deu o ser do contra do monge Savonarola. Sei não... Mas para quem tem medo de fogo dá o que pensar. E eu já pensei: de hoje em diante vou modificar o meu modo de vida , me tornarei arroz de festa .
sábado, 3 de maio de 2008
NÃO ERA BEM O CENÁRIO QUE EU QUERIA
Eis que é chegada a hora de sentar-me diante desta maquininha infernal e batucando suas teclas, tentar coordenar o palanfrório.
Enquanto os dedos não recebem os impulsos emitidos do cérebro (oco), estico o pescoço em direção da janela. Que paisagem insípida, cansativa este quadrado me oferece: telhados sujos – que não são de zinco – de tão difícil acesso que desestimula até a subida dos gatos no cio; fundos e mais fundos de casas de gente que não conheço.
Esta é a fonte de inspiração que me deparo neste moment
Ah! Se é pra sentir inveja, que seja dos zés brasil, os que fazem reverência com o chapéu na mão, olhar para o alto em busca de Deus, são os que vivem porque Deus quer; que morrem porque Deus quer; os que acreditam que, se a seca castiga é porque Deus quer; se chove é porque Deus quer; se comem ou passam fome é porque Deus quer.
Ainda não atingi esse estágio. E, nesse pensar vadio, só me resta sair por ai e fazer uma saudação mentirosa a um valentino qualquer, como fazia o mais inquieto e atormentado do que eu: Santo Agostinho, que em uma de suas andanças encontrou um pobre mendigo bêbado que ria e fazia arruaça. Sabia o Santo que a alegria do bêbado não era autêntica. Mas pôs em dúvida a alegria que ele procurava com as suas ambições e enredos tortuosos. Numa noite o bêbado digeria o vinho e sua bebedeira passaria; ele, Agostinho, ao contrário, iria dormir e acordar com o mesmo tormento, hoje, amanhã, quem sabe até quando...
O que me anima é que o Agostinho chegou lá...
sexta-feira, 18 de abril de 2008
MANEIRAS DE CONVERSAR
Ultimamente Ando conversando muito sobre o passado, o que está me deixando cismada... Será que este meu interesse pelas coisas idas, significa a velhice chegando e eu chegando ao fim? Está certo que eu não sou do tempo em que a maionese (mahonaise) foi inventada. Abro aqui um parêntese para mergulhar na História e dizer que essa deliciosa invenção aconteceu por acaso: foi durante a Guerra dos Sete Anos, quando o marechal duque de Rechelieu capturou a ilha de Minorca após sitiar com sucesso o forte de Mahon e derrotar a esquadra inglesa. Depois DA batalha, tudo que o mestre-cuca conseguiu encontrar para alimentar a tropa foram ovos e óleo com OS quais deu ao mundo um novo molho, que passou a ser chamado de maionese. O rei DA época era Luís XV e quem mandava na França era a maítresse em trite madame de Pompadour.
Depois desta exibição de cultura inútil e já que falei em conversa, me vem à mente o folhetinista José de Alencar, que antes de ser elevado à categoria de romancista famoso, tinha na corte o seu canto de jornal e num de seus escritos fala das muitas maneiras de conversar e exemplifica:
Os mudos conversam por meio de sinais, razão porque nunca dizem asneiras.
Os gagos conversam fazendo caretas mutuamente e arremedando um ao outro; a única diferença que há entre else e dois amigos é que fazem caretas com a boca, enquanto OS outros as fazem com o pensamento.
Marido e mulher conversam com amuos e espreguiçamentos; quanto mais conversam menos se entendem, porque falam línguas diferentes.
Os políticos conversam enganando-se uns aos outros.Os homens de salão conversam como relógio de repetição ou realejo de valsa. Os diplomatas conversam para não dizer nada. E há até OS indivíduos que conversam para ter o prazer de ouvir a sua própria voz: são OS narcisos DA nova espécie.
Um ministro quando está para se proceder a uma votação importante das Câmaras, conversa com a cara dos deputados e segundo as vê mais ou menos carrancudas, advinha a oposição.
E finalmente, as velhas, que conversam contando histórias do seu tempo, tornando-se assim, uma espécie de calendário manuscrito, em brochura.
Vê meu caro leitor, minha cara leitora como José de Alencar tem razão?Para crônica de hoje, a velha senhora aqui, foi buscar acontecências nos anos 1756/1856.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
NOVIDADE? NENHUMA
Uma novidade para a semana? Nenhuma. Mas, para não perder o destino das mãos, vou eu cavaquear com o pensamento dos outros, ou melhor, atirar com a pólvora alheia.
Para os de bem com a vida, que primeiro fale Horácio, Ode XXVI: “assinalemos este dia entre os mais felizes, não se poupem ânforas; e como Sálios, descanso não demos aos nossos pés”.
Descanso não demos aos nossos pés, isto porque pela boca de Sancho, Cervantes disse e está lá no cap. XLIX de D. Quixote: “ Cada qual abra bem o olho e fique alerta, porque o diabo entrou na dança e se lhe derem ensejo, ver-se-ão maravilhas. Virai-vos em mel e as moscas vos comerão.
Se o diabo entrou na dança, é bom dar ouvidos a Stendhal quando afirma em o Vermelho e o Negro, cap. XX: “ São conhecidas as suas tramóias; mas as pessoas interessadas em reprimi-las estão de sobreaviso”.
Mesmo estando as pessoas de sobreaviso, não custa nada lembrar o que diz o príncipe de Ligne: “ Muitas vezes, somos iludidos pela confiança; mas a desconfiança faz que sejamos por nós mesmos enganados”.
Se somos iludidos, “Há de o tempo desvendar o que hoje esconde a discreta hipocrisia”. Quem nos diz é Cordélia em o Rei Lear. Ato I de Shakespeare.
Há os que escondem a hipocrisia e há os que semeiam promessas, que no dizer de Ovídio, em A Arte de Amar, é o seguinte: “ Semeai promessas – a ninguém causam desfalque e o mundo é rico de palavras. A esperança quando outros nela crêem faz ganhar muito tempo”.
Enquanto o mundo é rico de palavras, o “ Próprio do espírito sorumbático, é andar sempre calado; tagarelar é o encanto e a alma da vida”. Diz La Chaussée.
Ora, se tagarelar é o encanto e a alma da vida, bem diz Lavagne: “Debaixo do céu há uma coisa que nunca se viu: é uma cidade pequena sem falatório, mentiras e bisbilhotices”.
‘.
terça-feira, 1 de abril de 2008
E EU NEM MORO EM YONVILLE
O dia chuvoso, a hora 16:00 , a vida quase parando e eu pensando feito Fernando Pessoa: “eu não sei pra onde vou mas não vou por ai”. Só sei que não posso mais correr na chuva nem tampouco sentar na calçada de canudo e canequinha e fazer bolas de sabão.
Daqui a pouco chega a hora do Ângelus e eu por certo vou sentir saudades da Ave-Maria do padre Eyamard com fundo musical de Augusto Calheiros cantando: ...Cai a tarde tristonha e serena em macio e suave langor...
A chuva continua..., a hora 18:00. Na minha saudade, as tardes serenas; só me resta pedir à mocinha que me serve, o meu rosário e debulhando, dizer para Maria que, ao contrário dela, não tenho graça nenhuma.
Toda essa melancolia e eu nem moro em Yonville pois, segundo o mestre do Realismo francês, e eu ai me refiro a Gustavo Flaubert, lá a vida era monótona e sem atrativos, dos que por lá residiam apenas Ema Bovary foi capaz de escapar à mediocridade do ambiente, enfrentando os preconceitos e perseguindo os próprios sonhos e aspirações. Ta certo que a coitadinha acaba destruída: tomou uma dose excessiva de arsênico e para desespero de Carlos, seu marido, foi rastejar no vale dos suicidas. Mas é bom que se diga: Ema matou-se menos por ser adúltera, do que pela incapacidade de enfrentar as dívidas contraídas para salvar o amante.
Maiores detalhes sobre Ema? Fácil, fácil, é só ler Madame Bovary, de Gustavo Flaubert, que passou cinco anos de trabalho incessante na elaboração deste romance (1851/1856), gastando noites em busca de um objetivo, semanas atrás de uma frase, escrevendo a reescrevendo a mesma página dezenas de vezes, buscando assim a forma perfeita, a palavra certa. Valeu o esforço do autor, pois Madame Bovary o tornou em pouco tempo um dos romancistas mais célebres da França. Além de ganhar um ruidoso processo, uma vez que a censura da época considerou a obra imoral. A verdade porém, afirma um dos biógrafos de Flaubert, o romance atacava a moral burguesa posta a nu em sua fragilidade, convencionalismo e falsidade. E, quando o autor ao final do livro, dá como vitorioso o mais estúpido dos personagens retratados, o farmacêutico Homais, protótipo do interesseiro falso que se presume intelectual, a sociedade burguesa sentiu a força do ataque e seus representantes no poder, trataram de punir o atacante. O autor foi absolvido e o livro teve a sua edição esgotada em pouco tempo.
Perguntado a Flaubert quem era Madame Bovary, respondeu: “Madame Bovary sou eu”.
A chuva persiste e a música de Antônio Vivaldi: “The Four Seasons” –Concerto n. 4 – Winter (allegro nom molto), me cria uma atmosfera de paz. Quanto a hora, já passa das 2:00 da madrugada. Pensando em Madame Bovary, começo a contar carneirinho ...
terça-feira, 25 de março de 2008
PAZ E CONSCIÊNCIA
Lá pelos idos de 1991 o papa João Paulo II proferiu uma frase que lembro até hoje: “Se queres a paz, respeita a consciência de cada um”.
Hoje, digo cá pra meus botões: ah, finada Santidade, está cada vez mais difícil seguir à risca as vossas sábias palavras. As turbulências tomam conta de nós... A paz, nem a individual busca-se mais; atingimos tal estado de desconforto, que por mais paradoxal que pareça, quando tudo vai bem, com certeza, alguma coisa está errada. A sensação de paz angústia, a calmaria mexe com os nervos.
Já sobre a consciência, disse – e também faz tempo – D. Lucas Moreira Neves: “ Na medida em que é reta, ela é imantada e atraída pela verdade e, à luz da verdade, ilumina os caminhos das pessoas, segreda-lhe no fundo da inteligência e do coração o que é bom e deve ser praticado e o que é mau deve ser evitado, estimulo-a a fazer o bem e evitar o mal”.
Medito sobre as palavras de D. Lucas e sinto quão difícil é achar-se hoje em dia, na consciência humana essa condição de reta, esse alinhamento direcionado para o bem, iluminado pela luz da verdade. A sensação que se tem é que a bússola quebrou e as consciências estão à deriva, amortecidas. A esta altura, sem a luz de um farol, não há como se achar o norte do bem. Tenho medo do despertar de todas elas, pois à mim parecem mísseis cujas ogivas têm como explosivos de alta potência, a desumanidade.
E neste pensar vadio, sem nada o que fazer, nem, feito o cronista Vicente Serejo, pregos nas paredes, que não são antigas, para contá-los e imaginar quais foram de cada um a serventia. A casa é nova, conheço as mãos que puseram cada um em seu lugar. O imaginário não funciona, não existem sombras, é tudo tão claro, nem assombração de outro mundo aparece. A única assombração sou eu mesma, que me arrasto escada acima, escada abaixo, à procura de não sei quê; talvez de um sótão ou de um porão..., não sei se foi num desses lugares que deixei um baú velho e dentro dele a paz que perdi.
segunda-feira, 17 de março de 2008
AINDA SE LÊ KAFKA ?
Que mal pergunto, hoje em dia, onde o cidadão comum continua a ser apenas um mero detalhe, ainda se lê Franz Kafka? Sim, Kafka, aquele autor alemão do primeiro período da literatura contemporânea, que escreveu entre outros contos “A Metamorfose”, “ O Artista da Fome”...
Neste último conto, Kafka retrata a vida de um jejuador numa época em que todos mostravam interesse e não faltava quem ficasse dias inteiros sentado diante da pequena jaula olhando assombrado “aquele homem pálido de costelas salientes que, desdenhando um assento, permanecia estendido na palha esparsa pelo solo, e saudava às vezes cortesmente ou respondia com forçado sorriso às perguntas que dirigiam a ele, ou tirava um braço por entre os ferros para fazer notar sua magreza, tornando depois a sumir-se em seu próprio interior onde permanecia olhando para o vazio com olhos semicerrados, e apenas de quando em quando bebia em um diminuto copo um golezinho de água para umedecer os lábios”. Havia vigilantes permanentes, que tinham a missão de observar dia e noite o jejuador para evitar que pudesse alimentar-se. Jejum esse, que durava quarenta dias.
Um belo dia o “artista da fome” viu-se abandonado pela multidão ansiosa de diversões, e sem outra alternativa foi parar num circo. Com o passar do tempo, sem despertar interesse, foi esquecido dentro da jaula. Uma ordem seca do inspetor ordenou que a jaula fosse limpa. E assim o jejuador foi enterrado junto com a palha. Mas na jaula puseram uma pantera jovem, formosa fera. Nada lhe faltava. Seus guardas traziam a comida que lhe agradava. E a alegria de viver brotava com tão forte ardor de sua garganta que não era fácil aos espectadores fazer-lhe frente. Mas venciam o próprio temor, apertavam-se contra a jaula e de modo algum queriam afastar-se dali.
E tudo continua como dantes... Este texto de Kafta foi escrito entre 1913/1921. Segundo o crítico literário George Steiner, nenhuma voz foi testemunha mais verdadeira da natureza de nossos (eternos) tempos.
sexta-feira, 14 de março de 2008
A RESPEITO DE NADA
Já dizia o escritor Scott Fitzgerald, que “Suave é a Noite”, com o que concordo e, entre um bocejo e outro, é que me encontro aqui entregue a reflexões vazias a respeito de nada. E o nada para mim neste momento é o assegurado por Luiz de Camões de que “Jamais haverá ano novo se continuar a copiar os erros dos anos velhos”.
A propósito, não é que o senhor dos Lusíadas tem lá sua razão? Entra ano, sai ano e quais as perspectivas reais no campo político e pessoal para meio mundo se tudo permanece no mesmo “statu quo”: error, faut, mistake, incorrectness, wrong, blunder, oversight, o escambau pra tudo quanto é lado e nós convivendo e aceitando placidamente tudo que nos é servido de bandeja, parecendo - como afirmou certa feita o saudoso Tancredo Neves - mais um bando de deserdados cujo patrimônio é a esperança.
E, neste pensar vadio, vou continuar atirando, - usando para tanto, pedras e estilingues dos outros – embora este meu jeito de ser desagrade a gregoS e troianos. Mas, vejamos quem me empresta a primeira pedra... Diante da atual “conjuntura” ( ó palavrinha desgastada, senhor!) que tal uma acertada na testa com uma pedra de D. H. Lawrence, autor de “O amante de Lady Chatterley” por ter dito: “Já não há caminhos fáceis à nossa frente: temos de contornar os obstáculos, pular por cima deles – e isso porque temos de viver, seja qual for a extensão do desastre havido”.
Vai você agora, Voltaire, atira a sua! E não vale plagiar... Lhe dou o mote: FELICIDADE. Diz lá: E assim falou Voltaire: “ Felicidade é um estado de espírito; por conseguinte, não pode ser duradoura. É um nome abstrato composto de algumas idéias de prazer”. Ai, ai, indago eu: Quem há de discordar...?
Quem está me espreitando aqui, todo tedioso. jogando uma pedrinha pra cima é o Sinclair Lewis. E eu vos digo: Fala grande filósofo! O vosso mote será o TÉDIO. E ele falou: “ E se há solução para o tédio, não o conheço. Se conhecesse, seria o primeiro filósofo que teria inventado um remédio para a vida.” Coisas de filósofos...
E uma pedrinha no amor, quem jogará? Vem cá Eça de Queiroz, “canta” esta pedra aí! E o “portuga” mandou ver: “ O amor é essencialmente perecível, e na hora que nasce começa a morrer”. Será...?
Fica triste não seu Machado, a última pedra é vossa. Aqui até que cabe o vosso Ó temporas, ó mores, para culminar com a sentença “ Tudo acaba leitor; é um velho truísmo a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura dura muito tempo”. ACABOU.